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Soja

Guia orienta clientes sobre soja “verde”


Valor Econômico - 03 nov 2022 - 10:31

Os relatórios de sustentabilidade de tradings podem trazer muitos dados, mas pouca garantia concreta aos compradores sobre o volume das commodities agrícolas que movimentam que não está de fato relacionado a desmatamento e violações aos direitos humanos. Para evitar incertezas, um guia elaborado pela The Nature Conservancy (TNC) e pelo Imaflora orienta quais informações os compradores devem observar para evitar a compra de soja de áreas com problemas ambientais ou sociais.

Um dos temas-chave que os compradores devem estar atentos é o conceito de desmatamento que as tradings adotam para divulgar o quanto de sua soja é livre do problema. O risco é que o “desmatamento” só esteja associado a vegetações de porte florestal, desconsiderando as de menor porte, como no Cerrado. Outro risco é que cada agente da cadeia adote datas de corte distintas a partir das quais não aceitam desmate no cultivo de soja por seus fornecedores.

Para evitar esses riscos, o guia orienta que os compradores exijam das tradings a definição de qual a área geográfica e qual a vegetação natural que não podem ser desmatadas em sua cadeia de fornecimento, e qual a data de referência adotada na divulgação do volume de produtos livre de desmatamento.

Outra informação crucial é o total de soja originado por cada empresa, e o quanto sai de cada bioma prioritário (Amazônia, Cerrado e Chaco). Em geral, as tradings divulgam apenas os percentuais de soja livre de desmatamento, sem mais detalhes.

Cadeia completa

Uma terceira preocupação é que as tradings divulguem o quanto da soja está ligada a desmatamento em toda a cadeia, independentemente de o grão provir de fornecedor direto ou indireto (como cooperativas).

O guia também orienta que os compradores observem se a informação sobre vinculação a desmatamento está relacionada a apenas uma região geográfica considerada prioritária, ou a um determinado perfil de fornecedor - apenas fornecedores diretos, por exemplo. A orientação é que, se a divulgação ambiental for restrita a um perfil de produtor, que o relatório divulgue também as partes que estão de fora do levantamento.

O documento foi produzido para eliminar as divergências de parâmetros socioambientais que ocorrem hoje na cadeia e que acabam gerando até dificuldades comerciais, afirma Leandro Baumgarten, cientista sênior com foco em preservação e desmatamento em commodities agrícolas da TNC. “Atualmente, é difícil para as empresas que estão mais perto do consumidor dizerem se o produto que revendem tem problemas, ou se tem monitoramento”.

Segundo o pesquisador, nos relatórios das tradings sobre originação da soja, as principais dissonâncias são a respeito do conceito de desmatamento e sobre qual parte da cadeia é monitorada.

Há uma expectativa de que a lei europeia contra desmatamento nas cadeias agrícolas, que tramita na União Europeia (UE), estabeleça padrões de monitoramento e verificação que ajudem na uniformização das políticas corporativas.

Camila Souza Ramos – Valor Econômico