

Projeções da Abiove a capacidade de processamento de soja da indústria brasileira poderá evoluir 30% até 2020.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias dos Óleos Vegetais (Abiove), o Brasil deverá chegar a 2020 com capacidade de processar até 65 milhões de toneladas de soja in natura. A projeção foi divulgada na quarta-feira (05) pelo economista da entidade, Leonardo Zilio, em uma palestra feita essa semana em São Paulo.
Isso representa um avanço de 30% sobre a atual capacidade instalada da indústria de esmagamento do país que, hoje, gira em torno de 50 milhões de toneladas. Com esse crescimento, o país seria capaz de produzir até 11,7 milhões de toneladas de óleo de soja, o equivalente à 13 bilhões de litros, o que garantiria disponibilidade de matéria-prima para que a indústria de biodiesel continue crescendo.
No ano passado, a demanda brasileira por biodiesel ficou pouco abaixo de 2,8 bilhões de litros. Considerando que o óleo de soja representou 75,1% da produção, tivemos um consumo de 2,1 bilhões de litros no ano passado.
Atividade
Evidentemente, o volume real de produção não ficaria bem abaixo disso. Em entrevista à BiodieselBR.com, Zilio disse que a ociosidade do segmento costuma rondar os 29%. Levando isso em conta, teríamos cerca de 9,2 bilhões de litros de óleo de soja no mercado em 2020.
Pelo padrões atuais de consumo de diesel, isso seria o suficiente para chegarmos ao B16. Mas a Abiove trabalhou com um cenário que previa o uso do B14 até 2020. “Nosso cenário previa a adoção do B7 ainda esse ano e o crescimento de um ponto percentual por ano até 2020”, explica o economista.
Trata-se de crescimento bem maior do que o previsto no texto do projeto do novo marco regulatório elaborado pela Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib) e que se encontra em discussão em Brasília há mais de um ano. O texto da Ceib fala em chegar ao B10 em 2020.
A falta do marco regulatório não chega a colocar esses investimentos em perigo. De acordo com Zilio, boa parte do crescimento projetado será puxado pelo aumento na demanda da China, União Europeia e Oriente Médio e, também, pelo aquecimento do mercado interno de rações animais. “Tivemos um aumento expressivo no consumo de carne de frango e porco. Além disso, o Brasil teve um salto significativo em suas exportações de frango o que aumenta a demanda interna por farelo de soja. Esses investimentos estão bastante balizados nisso”, diz.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com