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Abiove revisa números dos estoques de soja em grão

Estoques maiores refletem redução nas perdas de soja pelo setor e diminuição na reserva de grãos para uso como sementes

BiodieselBR.com 4 min de leitura

Acabou o sufoco. Nessa última quinta-feira (16), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) publicou suas novas estimativas sobre complexo soja no ano de 2021. Em meio a uma série de boas notícias – o Brasil se encaminha para bater recordes simultâneos na produção, exportação e processamento de seu principal produto agrícola –, uma pode ter passado um pouco despercebida: os estoques se soja são muito maiores do que se supunha até pouquíssimo tempo atrás.

Até o mês passado, os dados da Abiove apontavam que o Brasil tinha virado o ano com menos de 328 mil toneladas de soja disponíveis. O número era – de longe – o pior no histórico de mais de duas décadas mantido pela entidade que representa as maiores esmagaras do país. Fruto de um ano em que o mercado externo funcionou a pleno vapor.

Acabou o sufoco. Nessa última quinta-feira (16), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) publicou suas novas estimativas sobre complexo soja no ano de 2021. Em meio a uma série de boas notícias – o Brasil se encaminha para bater recordes simultâneos na produção, exportação e processamento de seu principal produto agrícola –, uma pode ter passado um pouco despercebida: os estoques se soja são muito maiores do que se supunha até pouquíssimo tempo atrás.

Até o mês passado, os dados da Abiove apontavam que o Brasil tinha virado o ano com menos de 328 mil toneladas de soja disponíveis. O número era – de longe – o pior no histórico de mais de duas décadas mantido pela entidade que representa as maiores esmagaras do país. Fruto de um ano em que o mercado externo funcionou a pleno vapor.

Agora, contudo, a mesma Abiove afirma que os estoque de soja na passagem de 2020 para 2021 estavam em 2.910 mil tonelada. Um ajuste de 790%.

Ajuste em cascata

Essa soja toda não apareceu de uma hora para outra. Na verdade, o novo número é o saldo final de uma revisão nos números de 2010 até agora.

Segundo o economista-chefe da entidade, Daniel Amaral, a percepção de que o mercado estava mais folgado do que parecia já vinha desde algum tempo. “Nossa projeção dos estoques [de soja] são baseados em uma amostra que corresponde a cerca de 85% do setor. E essa amostra vinha sinalizando que a quantidade de soja em poder das indústrias era maior. A partir disso, a gente começou a investigar”, disse à BiodieselBR.com.

Dessa investigação derivou a constatação de que as estimativas sobre perdas do setor e reserva de grãos para sementes estavam superestimadas. “Em função disso decidimos recalcular e chegamos aos novos valores”, conta acrescentando que a decisão de delimitar o ajuste até 2010 se deveu ao entendimento de que a mudança reflete “uma mudança no comportamento do mercado ao longo dos últimos 10 anos”.

Pelas novas contas, entre 2010 e 2020 a quantidade de soja que foi perdida pela cadeia ou reservada para sementes ficou, em média, 404 mil toneladas menor resultando numa oferta adicional de 4,43 milhões de toneladas do grão.

Importações

Mesmo que tivéssemos mais soja em casa do que supúnhamos, no ano passado as indústrias brasileiras ainda tiveram que ir buscar parte de sua matéria-prima fora do país resultando na importação de 455 mil toneladas de óleos e gorduras e de 822 mil toneladas de soja in natura.

Embora esse tenha sido um resultado atípico para um país que, afinal de contas, é o maior produtor mundial de soja, Daniel ressalta que as importações foram relativamente pequenas. “São volumes importantes, mas que não chegam a ser expressivos em relação aos números do setor”, complementa apontando que as importações provavelmente foram necessárias cobrir mercados regionais.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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