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Fundação MS trabalha para viabilizar cultivo de inverno do crambe

crambe FundacaoMS_101013A Fundação MS trabalha há 18 anos desenvolvendo o crambe e tem esperança de que a oleaginosa se torne uma alternativa para o cultivo de inverno.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
A Fundação MS trabalha há 18 anos desenvolvendo o crambe e tem esperança de que a oleaginosa se torne uma alternativa para o cultivo de inverno.

A Fundação MS, instituto sul-mato-grossense dedicado à pesquisa e difusão de tecnologias agropecuárias, vem estudando o crambe há quase 18 anos – época em que um programa de produção de biodiesel sequer ser cogitado. Na época, as pesquisas focavam apensa na possibilidade da planta servir para a cobertura e proteção do solo. Foi só a partir do lançamento do PNPB em 2004 que os pesquisadores começaram a olhar essa oleaginosa com outros olhos.

Com um alto teor de óleo – superior a 30% – o crambe atraiu certa dose de interessa no começo do programa de biodiesel. Mas essa empolgação inicial logo esfriou conforme o grosso da produção de biodiesel passou a se concentrar na soja e os primeiros esforços para a diversificação da produção de matérias-primas acabaram dando em nada.

Mas a Fundação MS nunca perdeu de vista o potencial da planta para a produção de biodiesel. “É um dos melhores óleos para essa finalidade”, afirma Carlos Pitol, pesquisador do Setor de Fitotecnia da Fundação MS. 

E portfólio de estudos da Fundação com a oleaginosa não é pequeno. Para sustentá-lo, a instituição mantém convênios com dezenas entidades, públicas ou privadas. Entre as instituições conveniadas estão a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Embrapa Agroenergia, além das gigantes do setor de biodiesel Granol e Caramuru.

Segundo o pesquisador da Fundação, boa parte dessas pesquisas destinam-se ao aumento produtivo da cultura através da criação de novas cultivares e ajustes tecnológicos. “A meta é elevar a produtividade atual, que gira em torno de 1.000 a 1.500 kg/ha, para 1.500 a 2.000 kg/ha”, informa Pitol.

Barata, mas avessa a chuva
Além do grande potencial para a produção de óleo, o crambe tem como atrativo o baixo custo de produção. De acordo com o pesquisador da Fundação MS, normalmente esse custo varia de R$ 300 a R$ 400 por hectare, podendo ser menor em alguns casos.

Pitol observa ainda que o crambe responde pouco à adubação de manutenção – em geral, recomenda-se de 100 a 150 quilos de adubo por hectare. Se forem usadas terras naturalmente férteis e com acidez equilibrada para seu cultivo, a adubação pode até chegar a ser completamente dispensada. Isso reduziria ainda mais a conta para os eventuais produtores.

A planta também resiste relativamente bem às agressões dos climas mais frios sobrevivendo sem problemas a geadas leves. Ela, contudo, é bastante vulnerável à umidade exigindo solos mais secos para que seu plantio renda. “Embora tolere frio e geadas, já que se trata de uma cultura de clima temperado, o crambe não se adapta a Região Sul do Brasil. A umidade característicos dessa região favorecem a incidência de doenças”, ressalva Pitol que vem no crambe uma boa opção para as culturas de safrinha no Centro Oeste.

Pitol não tem ilusões que o humilde crambe consiga disputar terras com o milho – campeão absoluto na safrinha de inverno do Centro-Oeste. Afinal, com cotações que, esse ano ficaram entre R$ 600 e R$ 700 a tonelada, ele ainda não apresenta uma renda competitiva que possibilite ao agricultor fazer uma aposta diferenciada. “O milho acaba ficando com as melhores áreas, sobrando muita terra ácida e fraca onde o crambe não se adapta”, diz o pesquisador. “Ainda assim, se considerássemos o cultivo da oleaginosa em apenas 5% da área onde ela se adapta, estaríamos falando em 700.000 a 800.000 hectares de área cultivável.”

Ainda assim, o pesquisador aposta que a chave para o sucesso de sua empreitada está na soma da resistência do crambe a tempos com seu ciclo particularmente curto – cerca de 90 dias – da planta. Isso tornaria a oleaginosa uma opção para os produtores em regiões cujo clima não tenha sido favorável ao milho safrinha. “É uma opção para semeadura no final do período de chuvas, quando outras culturas de ciclo mais longo e de custo mais elevado passam a se tornar de alto risco”, avalia.

Tóxico
Outro ponto que não contribui em nada para popularizar o cultivo são os componentes tóxicos (ácido erúcico e glucosinolato) existentes no grão da oleaginosa e que impedem o uso do óleo e do farelo de crambe para finalidades alimentares.

Mas pode ser que esse problema venha a ser superado em breve. A Embrapa Agropecuária Oeste conduziu pesquisas com a torta de crambe destoxificada, empregando-a como fonte proteica em ração de peixes, com ótimos resultados. Enquanto a Embrapa Agroenergia trabalha para transforma o glicosinolato extraído no processo de destoxicação do farelo do crambe num coproduto de valor agregado que pode ser utilizado como um inseticida natural.

Perspectivas
Pitol acredita que se as pesquisas lograrem êxito, conseguindo aumentar a produtividade da cultura, boa parte desses problemas poderão ser contornados. “Com uma maior produção é possível tornar a cultura mais competitiva na disputa por melhores áreas, ampliando, assim, o espaço de cultivo”, conclui.

O aumento da produtividade também é a chave para solucionar a questão do transporte. “Isso ajudaria a viabilizar a instalação de indústrias próximas as regiões de maior produção”, crê o pesquisador. Outra alternativa aventada por Pitol seria descascar o crambe na região de produção e enviar o produto mais concentrado para ser transportado à qualquer distância.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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