Mamona

A Bahia ainda aposta na mamona


BiodieselBR.com - 08 ago 2013 - 09:19 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Estrela dos primeiros tempos do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), a mamona vive um mau momento com seguidas quebras de safra como resultado da seca nos principais áreas produtoras do Nordeste. Os números ruins vêm desanimando os fabricantes que deixaram de apostar nessa oleaginosa como uma opção viável para a produção de biodiesel no Nordeste. Ainda assim, o governo estadual da Bahia acredita numa retomada da produção.

A explicação para essa obstinação é, segundo o superintendente de agricultura familiar da Secretaria da Agricultura da Bahia, Wilson Vasconcelos Dias, a boa adaptação da oleaginosa às condições do semiárido nordestino. Ele diz que a mamona foi uma das culturas que melhor resistiu aos rigores da seca severa que atingiu a região – e derrubou violentamente a produção – nos dois últimos anos. “Comparada à outras culturas como o milho ou o feijão, a mamona foi a única que conseguiu resistir e permitiu que os agricultores colhessem alguma coisa” diz acrescentando que depois do desastre o momento é de retomada da produção.

O superintendente reconhece que será preciso reverter a tendência de queda na produção. Maior produtora de mamona do Brasil, a Bahia já chegou ter mais de 300 mil hectares cultivados com a oleaginosa no começo dos anos 1980. Depois disso, a cultura perdeu relevância até que voltou a atrair atenção na época do lançamento do programa de biodiesel.

Na safra 2010/11, os baianos dedicaram 140 mil hectares à cultura, mas, as duas safras ruins seguidas, derrubaram o área plantada para 69,2 mil hectares. “O que estamos fazendo é retomando a área plantada”.

Segundo o entrevistado, antes de se condenar a mamona é preciso compreender que há complexidades inesperadas nessa cultura e na região Nordeste. “O preço da saca de mamona chegou a cair abaixo de R$ 28, foi isso que desestimulou o plantio. Só depois do lançamento do PNPB foi que os preços voltaram a se recuperar e chegaram a R$ 80 a saca”, diz afirmando que a indústria química só consegue absorver volumes relativamente modestos de mamona. “Quando a produção mamona se tornou um pouco mais robusta, a indústria ricinoquímica não conseguiu mais absorver e o preço despencou”, completa.

Isso, na opinião de Vasconcelos, invalida o argumento de que as usinas de biodiesel não conseguiriam competir com as empresas do ramos químico – que podem pagar mais – pelo insumo. 

Produtividade
Outro fronte no qual a Seagri está tentando agir diz respeito à produtividade das lavouras. Hoje, os agricultores baianos colhem 600 quilos de sementes por hectare de mamona, mas a secretaria garante que seria possível mais do que dobrar essa média com a adoção de técnica relativamente simples de manejo.

“Depois de muitas colheitas e anos de produção, o solo está muito compactado, só a descompactação do solo já dobraria a produtividade”, diz Vasconcelos informando que esse ano o governo estadual está desenvolvendo trabalhos de subsolagem em 8 mil propriedades da agricultura familiar.

Se, além disso, forem distribuídas sementes de melhor qualidade e as práticas de adubação forem melhoradas, a produtividade poderia chegar a 1.500 kg por hectare. “Isso sem falar em irrigação que é uma possibilidade bastante real na região de Irecê [a principal região produtora de mamona da Bahia]. Se tudo for feito direito, daria para chegar a 4 ou 5 mil quilos de mamona por hectare”, garante.

Congresso
Dias será um dos palestrantes do Congresso Agribio com uma temática que procura responder uma questão que já vem sendo feita há alguns anos: “A mamona ainda pode funcionar no PNPB?”.

O evento acontece no dia 20 de agosto em São Paulo. Mais informações podem ser vistas aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com