Dendê / Palma

RSPO introduz conjunto de critérios mais rígidos para palma


BiodieselBR.com - 15 fev 2016 - 09:35

Alvo constante de críticas dos movimentos ambientalistas em função de sua pouca efetividade, a Mesa Redonda da Palma-de-Óleo Sustentável (RSPO, na sigla em inglês) parece estar tentando reagir. Na semana passada, foi lançado oficialmente o RSPO Next que elenca um conjunto de critérios mais rigorosos para a sustentabilidade na produção de palma-de-óleo.

O novo sistema é voluntário e funciona como uma camada adicional de compromissos que vão além dos já exigidos das empresas que aderem à certificação RSPO. Apenas empresas que tenham, pelo menos, 60% de suas plantações já certificadas pela RSPO poderão participar na certificação o esquema adicional.

O RSPO Next exige dos produtores compromissos mais estritos em termos de preservação do meio ambiente, incluindo a adoção de políticas formais de não desmatamento e limites mais estritos para o tipo de vegetação que pode ser suprimida para abrir espaço novas plantações. Isso proíbe terminantemente a conversão de áreas alagadas – um dos ecossistemas que mais tem sido ameaçado pela expansão da palma no Sudeste Asiático – e torna obrigatório o desenvolvimento de planos de controle e combate a incêndios florestais.

Além desses novos compromissos, as empresas que aderirem ao novo certificado ficarão obrigadas a adotarem planos para a redução de suas emissões de gás carbônico e mais transparência na sua atuação.

Diversos dos maiores atores no mercado global de óleo de palma já vinham adotando por conta própria práticas mais rigorosas que as atualmente exigidas. Segundo o CEO da RSPO, Darrel Webber, o novo certificado será importante para as companhias “prontas e capazes de irem além em seus compromissos”.

Créditos
Cerca de 20% do óleo de palma consumido no mundo hoje vem de plantações certificadas. Contudo, apenas metade desse volume consegue ser colocada no mercado como um produto certificado e, dessa forma, capturar o prêmio pago por consumidores que valorizam empresas que adotam boas práticas socioambientais. O restante acaba tendo que competir com o óleo de palma produzido sem maiores preocupações.

O RSPO Next procura atacar esse gargalo criando um sistema de créditos que podem ser adquiridos de forma prévia por grandes compradores que já adquiram 100% de seu óleo de palma de fontes certificadas. Dessa forma, espera conseguir remunerar os esforços dos fabricantes. “No passado, os produtores tinham que dar um salto de fé para fornecer aos consumidores óleo certificado”, elogiou o diretor executivo da United Plantations Berhad, Carl Bek-Nielsen, que espera que o novo sistema de créditos ajude a criar incentivos mais visíveis para o mercado.

Uma das expectativas é que a RSPO Next funcione como um balão de ensaio para a próxima atualização geral dos princípios e critérios da RSPO marcado para 2018.

Céticos
Movimentos ambientalistas não ficaram convencidos especialmente pelo caráter voluntário da nova iniciativa. “[A RSPO] criou um padrão fraco e puramente opcional para seus membros”, atacou a ativista do Greenpeace da Indonésia, Ratri Kusumohartono. Ele criticou principalmente a falta de uma definição mais clara das exigências relacionadas ao desmatamento.

A RSPO Next protege apenas florestas com “elevado conteúdo de carbono” e ainda adota um sistema de balanço de carbono que, na prática, permite que as companhias convertam áreas protegidas desde que adotem medidas compensatórias em outra parte. “Isso não significa ‘não desmatamento’ para o Greenpeace e outras ONGs”, ironizou lamentando a falta de compromisso com a restauração de ecossistemas que tenham sido degradados no passado.

Os documentos (em inglês) que descrevem o conjunto completo de demandas do RSPO Next podem ser encontrados clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com