Dendê / Palma

Plantio brasileiro de palma será acompanhado via satélite


BiodieselBR.com - 21 ago 2012 - 09:50 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Iniciado há cerca de dois anos, o Programa de Mapeamento e Monitoramento da Expansão do Plantio de Palma de Óleo no Brasil (PalmaClass) pretende ficar de olho na expansão da área plantada dendê na região amazônica a partir do espaço. O programa usa imagens produzidas por satélites para encontrar onde estão os plantios e, muito em breve, qual é sua idade aproximada.

O idealizador do projeto é o pesquisador de Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri. Ele conta que a iniciativa é um desdobramento do Projeto TerraClass – parceria entre Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Embrapa que mapeou os usos e coberturas do solo nas áreas antropizadas da Amazônia Legal em 2008.

Segundo ele, além da coleta de dados junto às empresas e do trabalho de campo para georreferenciar as áreas plantadas com palma de óleo, a tecnologia desenvolvida pelo Inpe e pelo braço de informática agropecuária da Embrapa consegue identificar nas fotos de satélite prováveis áreas de cultivo que ainda não tenham sido devidamente mapeadas, facilitando o trabalho dos técnicos responsáveis pela pesquisa de campo.

Idade
Venturieri revela que mapear onde estão as lavouras é só a primeira etapa do projeto. Eles agora estão trabalhando para que o sistema consiga identificar automaticamente a idade de cada plantio. “Como a produção do dendê está muito ligada à idade da cultura, isso vai nos permitir estimar a produção de forma mais precisa”, diz.

Todos esses dados vão permitir que o setor organize sua logística de forma bem mais eficiente. “Sabendo o tamanho da produção em determinada região você pode decidir onde colocar uma usina de esmagamento e qual o tamanho dela”, explica. O trabalho também vai permitir identificar de forma mais simples áreas disponíveis para a ampliação dos cultivos.

Sustentabilidade 
Ter as plantações devidamente mapeadas também oferece uma garantia adicional de que a palma não está avançando sobre a floresta amazônica – pensamento que tem aterrorizado os movimentos ambientalistas desde que o governo brasileiro anunciou o lançamento do Programa Nacional de Produção Sustentável de Palma de Óleo em maio de 2010. A palma ganhou fama de carrasca do meio ambiente em função de seu crescimento desordenado sobre as florestas tropicais do Sudeste Asiático.

O agrônomo assegura que não é o caso do Brasil onde a oleaginosa têm avançado sobre áreas que haviam sido desmatadas vários anos antes e se encontravam subutilizadas na forma de pastagens de baixa produtividade. “Nos últimos 12 anos aqui no Brasil, você não tem conversão direta de floresta para plantar palma”, comemora o pesquisador revelando que está preparando um artigo sobre o tema. 

Mesmo com o crescimento exponencial que a palma vem vivendo nos últimos quatro anos – de 2008 para cá a área plantada quase dobrou indo de 80 mil hectares para 150 mil hectares –, o ritmo de desmatamento apresentou uma desaceleração substancial. Pode ser até que a palma seja uma aliada da conservação ao viabilizar um sistema produtivo que convive bem com as áreas de reserva legal que podem chegar a 80% das propriedades rurais localizadas dentro da região amazônica.

Lançamento
Os dados do PalmaClass ainda não estão disponíveis para o publico em geral. Segundo Venturieri, o lançamento deverá acontecer em mais dois ou três meses quando os mapas das áreas de palma passarão a integrar a plataforma do TerraClass, onde poderão ser consultados junto com outros mapas que fazem parte do projeto. 

Por enquanto, serão divulgados apenas os dados de geolocalização dos plantios. Os dados sobre a idade das plantações serão acrescentados num segundo momento.

A intenção é que, no futuro, seja criado um portal independente para o PalmaClass. 

Fábio Rodrigues
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