Dendê / Palma

Pesquisadores da Embrapa buscam solução para acidificação do óleo de palma


Assessoria Embrapa - 23 jan 2017 - 15:41

Pesquisadores da Embrapa Agroenergia apostam na genética para solucionar um problema que afeta a cadeia produtiva da palma-de-óleo há anos: a alta propensão de acidificação do óleo. Esse fator faz com que as indústrias tenham que poucas horas para processar os frutos colhidos antes que o óleo – seu principal produto – perca qualidade ou, até, se torne inutilizável.

No caso da palma de origem africana (Elaeis guineenses) o prazo para processamento dos frutos é de aproximadamente 48 horas após a colheita. O dendê africano é cultivado largamente na Malásia e na Indonésia. Esse prazo apertado, além de provocar perdas para a indústria, limita as áreas disponíveis para plantio porque é obriga que a produção aconteça sempre o mais próximo possível das unidades industriais.

Isso tem um impacto significativo em diversas cadeias produtivas. O óleo de palma é o óleo vegetal mais consumido no mundo sendo usado em biscoitos, margarinas, produtos de panificação, óleo para fritura em cadeias de fast food, sem falar em cosméticos, produtos de limpeza e de higiene pessoal.

Brasil

O Brasil já deu um passo importante que mostra que é possível ampliar substancialmente a janela de tempo entre a colheita dos frutos e o processamento. Muitos plantios nacionais utilizam um híbrido obtido a partir do cruzamento da planta de origem africana com uma espécie nativa das Américas Central e do Sul (Elaeis oleífera), conhecida popularmente como caiaué.

Desenvolvido pela Embrapa, este híbrido, o BRS Manicoré, produz frutos em que a acidificação do óleo demora entre cinco e sete dias para acontecer.

Conhecer os mecanismos genéticos envolvidos na acidificação do óleo de palma pode viabilizar e acelerar o desenvolvimento de variedades que preservem sua qualidade por tempos mais longos. Para tanto, estão sendo analisados os genomas das duas espécies de palma-de-óleo – a africana e a nativa das Américas – em busca de genes que possam explicar as diferenças.

A pesquisadora da Embrapa Agroenergia Letícia Jungmann Cançado explica que trabalhos anteriores realizados por outras instituições de pesquisa já comprovaram que, embora microrganismos tenham papel na acidificação do óleo nos frutos, mecanismos fisiológicos determinados pelo DNA da própria planta são os principais responsáveis. Utilizando ferramentas de bioinformática, ela busca identificar, nas duas espécies, sequências que possam corresponder a genes responsáveis pela acidificação do óleo e entender como eles podem ser ligados ou desligados.

A expectativa é que as informações geradas pelo trabalho consigam acelerar programas para obter variedades menos sujeitas ao problema da acidificação. "Quando você tem informação genética, fica muito mais fácil controlar a característica na planta, seja por melhoramento via cruzamentos, seja pelo emprego de biotecnologia", explica a pesquisadora.

Esse trabalho faz parte de um amplo projeto de desenvolvimento de tecnologia para a cultura da palma, liderado pela Embrapa Agroenergia e custeado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Com adaptação BiodieselBR.com