Dendê / Palma

Cientistas descobrem nova maneira de detectar praga do dendê


BiodieselBR.com - 24 jul 2012 - 10:18 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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Pesquisadores da Universidade de Bath, na Inglaterra, desenvolveram uma nova técnica para detectar uma variedade de fungo patogênico chamado Fusarium oxysporum, específico da palma de óleo.

O óleo de palma (ou óleo de dendê) usado na culinária e para a fabricação de biodiesel é um produto extraído do dendezeiro, árvore nativa da África cultivada pela primeira vez há mais de 5 mil anos.

Atualmente a planta é cultivada e explorada comercialmente em outras regiões, principalmente no Sudeste Asiático, onde Malásia e Indonésia lideram a produção mundial.

A África continua a ter um papel importante na produção de sementes como fornecedora de diversidade genética.

Mas o fungopatogêncio pode atrapalhar o uso da semente africana no Sudeste da Ásia.

Maior diversidade
“O Sudeste Asiático precisa de uma maior diversidade para a obtenção de cultivares com várias características, e é precisamente por isso que importa sementes da África, local de origem da palma de óleo”, diz o professor Richard Cooper, do Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Bath. “O problema é que o patógeno Fusarium oxysporum é endêmico à África e não é encontrado no Sudeste Asiático.”

O problema fica mais complexo pelo fato de o fungo Fusarium oxysporum ser comum em vários solos.

“Ele se hospeda em várias plantas, como a batata e o tomate, além da palma de óleo, mas em cada uma delas de forma específica”, diz Cooper. “Embora a maior parte das formas do Fusarium sejam inofensivas para a palma de óleo, uma delas claramente não é. Portanto, precisamos de um teste específico para detectar a forma do patógeno próprio da palma de óleo.”

Encontrar uma ferramenta para detectar o tipo de Fusarium oxysporum que afeta o dendezeiro vem sendo uma tarefa difícil.

Cooper e sua equipe estudaram a capacidade molecular do fungo em causar a doença, chamada de “virulência”. Com o tempo, essa capacidade se adequou à planta.
Mas, acima de tudo, os pesquisadores aplicaram técnicas de impressão digital genética.

Em busca do gene
“Examinamos minuciosamente os genes do fungo patógeno”, diz Cooper. “E encontramos um que parece ocorrer apenas na forma do fungo Fusarium oxysporum que afeta a palma de óleo.”

A descoberta é significativa porque aponta com precisão a variedade específica que causa a doença no dendezeiro. Consequentemente, as sementes que contiverem variedades inofensivas do fungo não precisarão mais ser destruídas.

Atualmente, antes de serem exportadas, as sementes vindas da África são analisadas em um centro próximo a Londres. Todas as sementes infectadas com alguma das formas do Fusarium oxysporum são destruídas.

Com a nova pesquisa, parte das sementes será poupada. Mas Cooper e sua equipe ainda estão fazendo ajustes na técnica desenvolvida.

“Precisamos criar um processo de testagem que funcione não apenas em nosso laboratório, mas possa ser levado a cabo por técnicos de outros laboratórios rotineiramente”, diz Cooper. “O uso tem de ser fácil.”

Grandes exportadores
A equipe também pesquisou o Ganoderma, um fungo que provoca imensas perdas de produtividade em plantios de palma na Malásia e na Indonésia.

As doenças provocadas pelo Ganoderma e pelo Fusarium frequentemente ocorrem porque os plantios consistem em grandes áreas de monocultura que utilizam plantas geneticamente idênticas.

O óleo de palma é um item essencial na pauta de exportação de Malásia e Indonésia, e tais doenças são uma grande ameaça ao sustento dos agricultores. “O óleo de palma ajudou a tirar muitos pequenos agricultores da pobreza”, diz Cooper.

Os dois países juntos respondem por 86% da produção mundial de óleo de palma – cerca de 48 milhões de toneladas por ano, que representam mais de US$ 46 bilhões (37,6 bilhões de euros).

Contudo, o setor é acusado de adotar práticas não sustentáveis para abrir novas áreas e expandir o plantio.

Fonte: Deutsche Welle
Tradução BiodieselBR.com
Tags: Dende Palma