
O governo da Indonésia aumentou a pressão sobre o mercado para assegurar o aumento da mistura de biodiesel para 10% a partir do ano que vem.
Depois de baixar uma regulamentação aumentando o porcentual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comum para 10% a partir de janeiro próximo, o governo da Indonésia mandou um recado para as principais petroleiras privadas do país: ou se enquadram na nova resolução ou poderão ficar fora do negócio.
O tom incisivo usado pelo governo parece estar surtindo efeito. As declarações dadas pelas duas maiores petroleiras do país – Shell e Total – em resposta à ameaça foram bem cordatas.
O porta-voz da Shell na Indonésia, Inggita Notosusanto, disse que a empresa já adicionava 2% de biodiesel ao diesel – o que contradiz a afirmação do diretor-geral para as Energias Renováveis e Conservação de Energia do Ministério de Energia e Recursos Minerais da Indonésia, Rida Mulyana, de que o patamar da mistura das duas empresas é de 1%.
Notosusanto confirmou também que a Shell se ajustará a nova normatização, começando a trabalhar com B10 a partir de janeiro. A petrolífera é a segunda maior do país, ficando atrás somente da estatal Pertamina.
Contudo, o porta-voz da Shell ressalvou a necessidade das montadoras garantirem que seus motores sejam compatíveis com uma mistura B10. "Será que as pessoas vão comprar um diesel com uma mistura de 10% de biodiesel sem nenhuma garantia sobre o motor?", questionou.
Terceira no ranking das petrolíferas do país, a Total Indonésia declarou que irá apoiar a nova política do governo e, de imediato, está providenciando para que a adição de biodiesel ao diesel passe para 2%.
Empurra-empurra
O enrijecimento da postura do governo indonésio fez com que os grandes players do mercado iniciassem um jogo de empurra acerca das responsabilidades.
Enquanto a Shell levanta a questão da segurança dos motores para um novo aumento da mistura, o secretário-geral da Associação Indonésia de Fabricantes de Automotivos, Juwono Andrianto, joga a responsabilidade para os produtores de biodiesel. “São eles que devem dar a garantia de que seus produtos não danificam os motores", disse Andrianto.
O diretor-geral para as Energias Renováveis e Conservação de Energia do Ministério de Energia e Recursos Minerais, por sua vez, afirmou que tem encontrado associações dispostas a cooperar para a consolidação da regulamentação. “Elas irão a campo para se certificarem se as novas especificações são seguras de serem usadas”, informou Mulyana.
Há ainda quem argumente que a resolução pode não pegar pela recusa dos consumidores – especialmente os grandes – em usar a nova mistura. "Várias empresas de mineração irão rejeitar a regulamentação por conta da preocupação de que o uso de diesel com níveis mais elevados de biodiesel possa afetar os motores de seus equipamentos e dos veículos de transporte", prevê o diretor da distribuidora de diesel Jasatama Petroindo’s, Suryanto.
De acordo com ele, vários dos consumidores da distribuidora já se recusaram a comprar o diesel contendo 5% de biodiesel – metade do teor que estabelece a nova regulamentação.
Emergencial
A decisão do governo indonésio de elevar o aumento da mistura é endereçada a sanar três problemas: a dependência energética do país, os déficits nas contas externas com a importação de derivados e a desvalorização do óleo de palma.
Cerca de 16% dos 35 bilhões de litros de óleo diesel que o país consome por ano é importado.
Além disso, o óleo de palma, principal matéria-prima usada na produção do biodiesel indonésio, vem apresentando vertiginosas quedas nas cotações em função do acúmulo recorde de estoques. Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ao final da temporada agrícola 2013/14 os estoques chegarão a 9,7 milhões de toneladas – alta de 21% –, enquanto o consumo deverá ter o pior desempenho em 12 anos, crescendo apenas 4,6%.
O aumento da mistura poderia atenuar essas questões, já que a demanda de biodiesel projetada para o país passará a ser de 3,3 bilhões de litros ao ano.
Ainda assim, sobra biodiesel para se pensar em novas ampliações da mistura. A atual capacidade instalada da Indonésia é de 5,6 bilhões de litros.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
Depois de baixar uma regulamentação aumentando o porcentual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comum para 10% a partir de janeiro próximo, o governo da Indonésia mandou um recado para as principais petroleiras privadas do país: ou se enquadram na nova resolução ou poderão ficar fora do negócio.
O tom incisivo usado pelo governo parece estar surtindo efeito. As declarações dadas pelas duas maiores petroleiras do país – Shell e Total – em resposta à ameaça foram bem cordatas.
O porta-voz da Shell na Indonésia, Inggita Notosusanto, disse que a empresa já adicionava 2% de biodiesel ao diesel – o que contradiz a afirmação do diretor-geral para as Energias Renováveis e Conservação de Energia do Ministério de Energia e Recursos Minerais da Indonésia, Rida Mulyana, de que o patamar da mistura das duas empresas é de 1%.
Notosusanto confirmou também que a Shell se ajustará a nova normatização, começando a trabalhar com B10 a partir de janeiro. A petrolífera é a segunda maior do país, ficando atrás somente da estatal Pertamina.
Contudo, o porta-voz da Shell ressalvou a necessidade das montadoras garantirem que seus motores sejam compatíveis com uma mistura B10. "Será que as pessoas vão comprar um diesel com uma mistura de 10% de biodiesel sem nenhuma garantia sobre o motor?", questionou.
Terceira no ranking das petrolíferas do país, a Total Indonésia declarou que irá apoiar a nova política do governo e, de imediato, está providenciando para que a adição de biodiesel ao diesel passe para 2%.
Empurra-empurra
O enrijecimento da postura do governo indonésio fez com que os grandes players do mercado iniciassem um jogo de empurra acerca das responsabilidades.
Enquanto a Shell levanta a questão da segurança dos motores para um novo aumento da mistura, o secretário-geral da Associação Indonésia de Fabricantes de Automotivos, Juwono Andrianto, joga a responsabilidade para os produtores de biodiesel. “São eles que devem dar a garantia de que seus produtos não danificam os motores", disse Andrianto.
O diretor-geral para as Energias Renováveis e Conservação de Energia do Ministério de Energia e Recursos Minerais, por sua vez, afirmou que tem encontrado associações dispostas a cooperar para a consolidação da regulamentação. “Elas irão a campo para se certificarem se as novas especificações são seguras de serem usadas”, informou Mulyana.
Há ainda quem argumente que a resolução pode não pegar pela recusa dos consumidores – especialmente os grandes – em usar a nova mistura. "Várias empresas de mineração irão rejeitar a regulamentação por conta da preocupação de que o uso de diesel com níveis mais elevados de biodiesel possa afetar os motores de seus equipamentos e dos veículos de transporte", prevê o diretor da distribuidora de diesel Jasatama Petroindo’s, Suryanto.
De acordo com ele, vários dos consumidores da distribuidora já se recusaram a comprar o diesel contendo 5% de biodiesel – metade do teor que estabelece a nova regulamentação.
Emergencial
A decisão do governo indonésio de elevar o aumento da mistura é endereçada a sanar três problemas: a dependência energética do país, os déficits nas contas externas com a importação de derivados e a desvalorização do óleo de palma.
Cerca de 16% dos 35 bilhões de litros de óleo diesel que o país consome por ano é importado.
Além disso, o óleo de palma, principal matéria-prima usada na produção do biodiesel indonésio, vem apresentando vertiginosas quedas nas cotações em função do acúmulo recorde de estoques. Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ao final da temporada agrícola 2013/14 os estoques chegarão a 9,7 milhões de toneladas – alta de 21% –, enquanto o consumo deverá ter o pior desempenho em 12 anos, crescendo apenas 4,6%.
O aumento da mistura poderia atenuar essas questões, já que a demanda de biodiesel projetada para o país passará a ser de 3,3 bilhões de litros ao ano.
Ainda assim, sobra biodiesel para se pensar em novas ampliações da mistura. A atual capacidade instalada da Indonésia é de 5,6 bilhões de litros.
Cátia Franco – BiodieselBR.com