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[BiodieselBR 2013] A situação dos postos

BiodieselBR2013 RicardoHashimoto_061113Leia a cobertura da palestra do diretor da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto, na edição deste ano da Conferência BiodieselBR.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Leia a cobertura da palestra do diretor da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto, na edição deste ano da Conferência BiodieselBR.

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O diretor da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Ricardo Hashimoto, foi o responsável por trazer à Conferência BiodieselBR 2013 a visão de quem está na ponta final da cadeia do biodiesel. Principal representante brasileira do varejo de combustíveis, com mais de 39 mil postos filiados, a entidade afirma que os problemas de qualidade relacionados à mistura obrigatória ainda não estão adequadamente resolvidos.

“Eu sou a pessoa que está aqui no papel ingrato de bater no biodiesel”, brincou Hashimoto permitindo ao público reunido na audiência antever para onde sua fala caminharia. “O posto de combustível é o último ponto onde o combustível vai, mas é o primeiro quando a reclamação chega. E por reclamação eu não estou falando só dos consumidores, mas da questão legal – fiscalização, autuação, multa e outras sanções até mais graves”, explicou.

Relembrou o que aconteceu em janeiro de 2010 com a introdução do B5, quando os revendedores começaram a sentir na pele um crescimento no número de problemas de qualidade no óleo diesel. “Os problemas de qualidade já existiam antes, mas foi [em 2010] que eles atingiram massa crítica”, evidenciou. Na fase mais crítica, a formação e acúmulo de borras acabou levando a entupimentos nas tubulações e filtros dos postos e, nos casos mais graves, a danos nos veículos dos consumidores finais.

Embora tenha reconhecido que boa parte das reclamações não é exatamente nova e que houve uma inflexão na quantidade de problemas registrados, Hashimoto pontuou que os impactos da mistura entre biodiesel e diesel ainda estão sendo sentidos pelos postos. Segundo o palestrante, o problema não está exatamente resolvido e a melhora se deve muito mais ao fato do segmento ter aprendido a conviver com a situação. “Há um esforço de profilaxia com os postos adotando as chamadas ‘melhores práticas’. Então, não estamos mais deixando chegar no ponto em que chegava. Quem deixa é um empresário que não está bem preparado e não acompanha a realidade do mercado”, defendeu.

Mesmo assim, nos debates, Hashimoto reconheceu que a situação atual é equivalente a uma “trégua”, mas que ele não sabe como o B7 se comportaria em situações reais de mercado. “Pode até ser que daqui a um ano eu venha aqui dizer ‘o B7 foi uma maravilha, não deu nenhum problema’”.

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B7
Tal convivência, no entanto, não vem sem custos especialmente no que diz respeito ao aumento na frequência da limpeza de tanques e de filtros e a troca de peças incompatíveis com o biodiesel. Já era sabido que peças feitas com ligas de cobre e alguns tipos de borracha não interagem bem com o biodiesel. É nesse ponto que Hashimoto alerta que a decisão de aumentar ou não a mistura obrigatória tem reflexos que vão muito além dos evidentes dividendos que o mercado adicional poderia gerar para as usinas e agricultores.

Ele avisa que os postos terão que aumentar ainda mais esses esforços se o governo optar por aumentar de 5% para 7% o teor de biodiesel no óleo diesel comercializado no Brasil. “Isso vai aumentar meus custos, mas se for essa a opção (...) trataremos de evitar que a situação chegue novamente ao ponto de aconteceu em 2010. Nenhum empresário pode admitir isso”, afirmou.

Questionado nos debates sobre se os testes feitos nos durante os últimos anos não dão segurança sobre o aumento da mistura obrigatória, o palestrante lembrou que muitos desses testes foram realizados em veículos de frotas cativas que são submetidos a monitoramento e manutenções constantes. “Esses ensaios são necessários, mas eles induzem a erro porque (...) essa não é a realidade do mercado brasileiro”, esclareceu.

Falando com donos de postos, no entanto, Hashimoto diz que existe uma inquietude em relação ao futuro imediato do negócio. Os empresários ouvidos temem que a repetição dos problemas possa afetar sua credibilidade junto aos consumidores finais. “E não estou falando aqui de postos pequenos, comandados por pessoas menos preparadas e que têm visão limitada do mercado, são postos que movimentam 3 milhões de litros por mês”, comentou.

Outro problema que ele destacou é que, a despeito das limpezas mais criteriosas, as borras não deixaram de ser produzidas. Esse é um material pode ser considerado produto perigoso, o que exige uma destinação adequada e custosa nem sempre disponível para postos em regiões mais afastadas. “O empresário tira 200 ou 300 litros de borra e fica se perguntando: e agora, o que eu faço com isso?”, brincou.

Concorrência desleal
No entanto, os problemas relacionados aspecto da qualidade são relativamente simples de contornar. “Eu até gostaria que a qualidade fosse nossa única preocupação com o biodiesel, porque sobre isso eu tenho controle. Mas quando eu tenho um concorrente que deixa de cumprir o marco legal para ganhar vantagem econômica, eu fico vendido”, problematizou.

O medo, também apontado na palestra do Sindicom, é que o aumento de mistura crie mais incentivos para que o mercado adote práticas pouco ortodoxas para ganhar competitividade deslealmente.

O problema seria principalmente a proposta de regionalizar a mistura. Esta é uma possibilidade presente no novo marco, permitindo que se adote misturas maiores em algumas regiões do país. Para exemplificar a situação, Hashimoto lembrou dos problemas causados pelo diferencial na alíquota do ICMS causado em postos de região de fronteira. “Conhecemos bem essa história, quando um estado decide aumentar ou baixar sua alíquota de ICMS para o diesel, os postos que estão do lado da fronteira com imposto maior perdem imediatamente competitividade”, reclamou.

“A gente sempre diz isso em nossas palestras: não temos nada contra o biodiesel. Mas como elemento final da cadeia a gente quer ter uma situação de segurança e conforto, como temos com outros produtos.”

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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