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[BiodieselBR 2013] As perspectivas do mercado global

BiodieselBR2013 CarlosEggers_071113O vice-presidente da divisão de químicos industriais da Basf, Carlos Eggers, trouxe as perspectivas do mercado na Conferência BiodieselBR 2013.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O vice-presidente da divisão de químicos industriais da Basf, Carlos Eggers, trouxe as perspectivas do mercado na Conferência BiodieselBR 2013.

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As “Perspectivas do mercado de biodiesel” foi o tema da palestra que coube ao vice-presidente da divisão de químicos industriais da Basf, Carlos Eggers, no primeiro dia da Conferência BiodieselBR 2013. Nela, o executivo analisou os movimentos e tendências mais recentes para o mercado de biodiesel tanto na América do Sul quanto no mundo. A Basf é uma das maiores fornecedoras mundiais de catalisadores para a produção de biodiesel tendo inaugurado uma fábrica de metilato de sódio no Brasil há cerca de dois anos.

A produção de biodiesel na Argentina e no Brasil, que concentram mais de 90% da produção, já não apresenta mais o ritmo de crescimento exuberante registrado entre 2007 e 2011. “Houve um crescimento fantástico em pouco menos de cinco anos”, disse apontando que a produção saltou de 600 milhões para 5,4 bilhões de litros. Desde 2011, no entanto, a produção na região vem permanecendo relativamente estável e até deverá cair um pouco este ano em função do mal momento vivido pela indústria da Argentina.

Apesar disso, a Basf espera uma retomada do crescimento para os próximos anos. Mesmo nas projeções mais conservadoras, a produção até 2020 deverá praticamente dobrar de tamanho chegando a 10 bilhões de litros. “Isso considerando que o Brasil implante o B10 e a Argentina continue com o B7 e mantenha o mesmo patamar de exportações”, ressaltou. Mas caso as metas de mistura obrigatória sejam mais ousadas, B20 no Brasil e B10 na Argentina, a produção poderia chegar a 19 bilhões de litros no mesmo período.

“Seja qual for o cenário que se concretizar, as perspectivas de aumento da produção na região são muito positivas”, animou-se.

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Mundo 
O mercado global de biodiesel está em transição. Globalmente, o crescimento do mercado deverá entrar numa fase de estabilidade.

Em anos anteriores, os países desenvolvidos, Europa e Estados Unidos, foram os polos de maior dinamização na demanda pelo combustível renovável, mas isso tem mudado. Tanto por causa do ciclo de crise financeira mundial iniciado em 2008, quanto por crescentes dúvidas a respeito dos benefícios ambientais dos biocombustíveis em alguns mercados.

Embora mantenha sua posição como maior mercado do mundo em volume consumido (8,7 milhões de toneladas), a Europa vive um momento de relativa estabilidade. Já nos Estados Unidos a evolução do mercado depende de decisões políticas complexas. 

Enquanto isso, no Sudeste da Ásia, o consumo do biodiesel vem recebendo um novo ímpeto através da expansão das misturas obrigatórias. Segundo o palestrante, nada menos que quatro países da região anunciaram ampliações de suas misturas obrigatórias – Indonésia com B10, Malásia, Filipinas e Tailândia adotaram o B5.  

Importações 
O grande fiel da balança continua sendo a União Europeia. Além da maior região produtora, com 5,9 milhões de toneladas, ela também é a maior importadora do mundo com compras externas de 2,8 milhões de toneladas. 

Até o momento, os maiores vendedores para o mercado europeu foram a Argentina e a Indonésia. Esses dois países, contudo, acabam de ter suas exportações tarifadas como resultado de um processo antidumping movido na Comissão Europeia por uma das maiores entidades representativas dos fabricantes europeus, o Conselho Europeu de Biodiesel (EBB). “Essas taxas possivelmente vão colocar um freio nas exportações da Argentina e da Indonésia e isso poderia abrir espaço para que outros países participem da atividade de exportação de biodiesel para a Europa”, disse. 

A Europa também deverá aumentar sua própria produção de biodiesel o que reduzirá o tamanho do mercado exportador potencial. Até porque a Europa vem discutindo a implantação de limites aos biocombustíveis de 1ª geração a fim de estabelecer incentivos maiores aos biocombustíveis de 2ª geração fabricados a partir de óleos e gorduras residuais (OGRs).

Mesmo com essas modificações do mercado, o Brasil pode vir a ser um dos principais ganhadores nesse rearranjo do mercado global. Nesse sentido, o palestrante ressalta as ações do Plano Brasil Maior que quer ampliar o potencial exportador da indústria nacional de biodiesel. Os Estados Unidos também tem poderá ganhar mercado. O país – outro a já ter suas exportações taxadas pela UE por causa de um processo antidumping similar ao que atualmente pesa contra Argentina e Indonésia – poderá voltar ao mercado de exportação no ano que vem quando expira a tributação imposta pela Comissão Europeia.

Metilato
Em operação há pouco mais de dois anos, a planta de metilato de sódio da Basf em Guaratinguetá, interior de São Paulo, tem garantido o abastecimento do mercado brasileiro de biodiesel, inclusive, se houver aumento da mistura obrigatória.

“Ainda têm muitos bons motivos para otimismo com os aumentos da mistura”, finalizou. 

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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