Quarta-feira, o ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, fez o balanço do ano com festejos à virada do agronegócio.
As últimas projeções da Conab indicam uma excelente safra de grãos, de 120,2 milhões de toneladas - a maior desde 2002/2003. Mas o salto não se limita à quantidade. Sobem também os preços, a alegria do produtor.
O milho, por exemplo, vai emplacando uma alta na Bolsa de Chicago de 52,8% desde setembro. A soja segue um pouco atrás, com valorização de 19,7%. E tem o café, com avanço de 18,6%.
À essa alta segue-se outra: a dos preços das terras, por efeito do aumento da procura. O limite para essa alta é o retorno proporcionado pelos preços do produto, como lembra José Carlos Hauscknecht, da MB Associados. Isso deve ajudar na expansão da fronteira agrícola, principalmente no Centro-Oeste, onde os resultados ruins das duas últimas safras haviam levado à redução dos investimentos.
Ainda não se nota o avanço nos preços da terra porque o plantio de primavera no Centro-Sul praticamente terminou. Quem plantou, plantou; por ora não precisa de mais terra. Além disso, a massa dos produtores ainda não pôs a mão no resultado e, no momento, não pode pagar. “Dentro de uns seis meses, a valorização das terras ficará mais clara”, prevê José Vicente Ferraz, diretor-técnico do Instituto FNP.
Um dos mais renomados especialistas em Economia Agrícola, o professor Fernando Homem de Melo, da USP, acrescenta que esse efeito é certo por outra razão: as novidades vêm para ficar. Devem-se, é verdade, a um efeito momentâneo, mas, além dele, a mais dois outros, estruturais.
O fator conjuntural foi a quebra da produção de trigo na Austrália e na Argentina, que já em setembro puxou para cima os preços da soja e do milho.
O primeiro fator estrutural é o forte aumento do consumo de alimentos e matérias-primas nos países asiáticos. O Brasil é um dos poucos países que podem aumentar a área plantada e, assim, tirar proveito extra da nova demanda. O outro fator estrutural é o desenvolvimento da bioenergia. A soja e o milho são cada vez mais usados como fontes para produção, respectivamente, de biodiesel e etanol. E a soja vem suprindo o espaço deixado pelo milho americano no mercado mundial de rações animais.
Um dos efeitos disso para o Brasil fica claro nas projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que prevê para 2007 receita de exportações de óleo de soja recorde, de US$ 10,058 bilhões, e alta de 10% no consumo interno. O professor Homem de Melo observa que nos Estados Unidos serão usados neste ano 53 milhões de toneladas de milho para produção de etanol, ou 22% da produção. A previsão para 2007 é de uso de 88 milhões de toneladas.
E não são apenas os preços dos grãos que vêm cavalgando. Os baixos estoques já sugeriam a reação dos preços do café. Agora que os grãos já estão formados nos cafezais brasileiros, sabe-se que haverá quebra de cerca de 25% em relação à produção anterior. Para quem não conhece, café é assim: num ano dá muito e no outro dá menos, porque o cafezal precisa de se recuperar.
Milho, soja, café e cana-de-açúcar em boa fase não pode mesmo dar outra: os preços da terra têm tudo para bombar.
As últimas projeções da Conab indicam uma excelente safra de grãos, de 120,2 milhões de toneladas - a maior desde 2002/2003. Mas o salto não se limita à quantidade. Sobem também os preços, a alegria do produtor.
O milho, por exemplo, vai emplacando uma alta na Bolsa de Chicago de 52,8% desde setembro. A soja segue um pouco atrás, com valorização de 19,7%. E tem o café, com avanço de 18,6%.
À essa alta segue-se outra: a dos preços das terras, por efeito do aumento da procura. O limite para essa alta é o retorno proporcionado pelos preços do produto, como lembra José Carlos Hauscknecht, da MB Associados. Isso deve ajudar na expansão da fronteira agrícola, principalmente no Centro-Oeste, onde os resultados ruins das duas últimas safras haviam levado à redução dos investimentos.
Ainda não se nota o avanço nos preços da terra porque o plantio de primavera no Centro-Sul praticamente terminou. Quem plantou, plantou; por ora não precisa de mais terra. Além disso, a massa dos produtores ainda não pôs a mão no resultado e, no momento, não pode pagar. “Dentro de uns seis meses, a valorização das terras ficará mais clara”, prevê José Vicente Ferraz, diretor-técnico do Instituto FNP.
Um dos mais renomados especialistas em Economia Agrícola, o professor Fernando Homem de Melo, da USP, acrescenta que esse efeito é certo por outra razão: as novidades vêm para ficar. Devem-se, é verdade, a um efeito momentâneo, mas, além dele, a mais dois outros, estruturais.
O fator conjuntural foi a quebra da produção de trigo na Austrália e na Argentina, que já em setembro puxou para cima os preços da soja e do milho.
O primeiro fator estrutural é o forte aumento do consumo de alimentos e matérias-primas nos países asiáticos. O Brasil é um dos poucos países que podem aumentar a área plantada e, assim, tirar proveito extra da nova demanda. O outro fator estrutural é o desenvolvimento da bioenergia. A soja e o milho são cada vez mais usados como fontes para produção, respectivamente, de biodiesel e etanol. E a soja vem suprindo o espaço deixado pelo milho americano no mercado mundial de rações animais.
Um dos efeitos disso para o Brasil fica claro nas projeções da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que prevê para 2007 receita de exportações de óleo de soja recorde, de US$ 10,058 bilhões, e alta de 10% no consumo interno. O professor Homem de Melo observa que nos Estados Unidos serão usados neste ano 53 milhões de toneladas de milho para produção de etanol, ou 22% da produção. A previsão para 2007 é de uso de 88 milhões de toneladas.
E não são apenas os preços dos grãos que vêm cavalgando. Os baixos estoques já sugeriam a reação dos preços do café. Agora que os grãos já estão formados nos cafezais brasileiros, sabe-se que haverá quebra de cerca de 25% em relação à produção anterior. Para quem não conhece, café é assim: num ano dá muito e no outro dá menos, porque o cafezal precisa de se recuperar.
Milho, soja, café e cana-de-açúcar em boa fase não pode mesmo dar outra: os preços da terra têm tudo para bombar.