Como parte do plano de redução de dependência energética será introduzido óleo vegetal no processo de refino do diesel, gerando
um combustível de melhor qualidade, com menos enxofre e mais metano.
Os ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, anunciaram ontem três medidas que fazem parte do que o governo definiu como " plano de redução de dependência energética " : além da antecipação em dois anos da produção de gás da Bacia do Espírito Santo e a substituição do gás natural pelo álcool nas usinas termelétricas, o governo comemorou uma inovação, a introdução do óleo vegetal no processo de refino do diesel, gerando um combustível de melhor qualidade, com menos enxofre e mais metano
" Essas medidas fazem parte do pedido do presidente Lula para permitir ao Brasil tornar-se auto-suficiente em outras fontes de energia, além do petróleo " , declarou Silas Rondeau.
.
O anúncio das medidas foi feito após a 6ª reunião extraordinária da Câmara Nacional de Política Energética (CNPE), no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a utilização do óleo vegetal cria um novo paradigma na produção de combustíveis.
" Neste primeiro momento, três refinarias da Petrobras estão aptas para este processo: Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais " , explicou Gabrielli.
O óleo vegetal que será utilizado poderá ser extraído de qualquer oleaginosa: palma, dendê, girassol, algodão ou soja.
No caso da soja, Roberto Rodrigues estima que sejam necessários 1,2 milhão de toneladas ou aproximadamente 400 mil a 420 mil hectares do produto.
O ministro vislumbra novas oportunidades de emprego no campo, especialmente para os produtores de soja.
" Há 30 anos, o Brasil rompeu um paradigma na produção de combustíveis, como o Programa Pró-Álcool.
Hoje, temos vários países do mundo interessados na produção de etanol.
Mais uma vez, o Brasil inova ao apresentar uma nova alternativa ao diesel, somando o óleo vegetal ao processo normal " , destacou Rodrigues.
O novo diesel foi batizado de HBio.
A produção efetiva do novo combustível está prevista para o primeiro trimestre de 2007, o ano que vem.
" A estimativa é uma produção de 256 mil metros cúbicos/ano.
No biênio 2008/2009, essa produção poderá chegar a 425 mil metros cúbicos, quase o dobro " , completou Gabrielli.
O presidente da Petrobras garantiu que a inovação não vai alterar o programa de biodiesel.
E ainda poderá trazer ganhos econômicos para o país.
" Com um diesel de melhor qualidade, diminuiremos nossa dependência do diesel importado, o que vai alterar a relação de custo do produto no mercado interno.
" Gabrielli adiantou, contudo, que o produto final não sofrerá qualquer tipo de alteração.
" O diesel que chegará ao final da cadeia produtiva, com seus respectivos derivados, é o mesmo.
A única diferença é que 10% de óleo vegetal será introduzido numa das etapas da produção.
" Sobre a antecipação na produção de gás da Bacia do Espírito Santo, Gabrielli reconheceu que será necessária a construção de novos gasodutos para escoar a produção, sobretudo para as regiões Sul e Sudeste.
Os cálculos iniciais previam que a Bacia estaria pronta para produzir gás daqui a seis ou sete anos, mas a Petrobras conseguiu adiantar esse prazo para 2008.
" Isso não tem nada a ver com a crise vivida com a Bolívia.
Este anúncio faz parte de uma ordem do presidente Lula para que o Brasil obtenha sua auto-suficiência na produção de outras fontes de energia, além do petróleo " , afirmou Silas Rondeau.
A Bacia do Espírito Santo produzirá 24,6 milhões de metros cúbicos/dia, volume quase equivalente ao gás importado da Bolívia.
" Não vamos abrir mão do gás boliviano, temos contratos até 2019.
Trata-se de um suprimento extra de gás para consumo interno " , justificou Rondeau, lembrando que o gás da Bacia de Santos ainda não está sendo explorado.
Na mesma linha de independência energética, o governo anunciou ontem a possibilidade de substituir o gás natural pelo álcool nas usinas termelétricas.
Rodrigues respondeu às reclamações dos produtores de que temem que a produção de álcool não seja suficiente para suprir a nova demanda.
" Não estamos dizendo que a substituição será obrigatória.
É apenas mais uma alternativa " , explicou o ministro da Agricultura.
Paulo de Tarso Lyra
" Essas medidas fazem parte do pedido do presidente Lula para permitir ao Brasil tornar-se auto-suficiente em outras fontes de energia, além do petróleo " , declarou Silas Rondeau.
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O anúncio das medidas foi feito após a 6ª reunião extraordinária da Câmara Nacional de Política Energética (CNPE), no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a utilização do óleo vegetal cria um novo paradigma na produção de combustíveis.
" Neste primeiro momento, três refinarias da Petrobras estão aptas para este processo: Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais " , explicou Gabrielli.
O óleo vegetal que será utilizado poderá ser extraído de qualquer oleaginosa: palma, dendê, girassol, algodão ou soja.
No caso da soja, Roberto Rodrigues estima que sejam necessários 1,2 milhão de toneladas ou aproximadamente 400 mil a 420 mil hectares do produto.
O ministro vislumbra novas oportunidades de emprego no campo, especialmente para os produtores de soja.
" Há 30 anos, o Brasil rompeu um paradigma na produção de combustíveis, como o Programa Pró-Álcool.
Hoje, temos vários países do mundo interessados na produção de etanol.
Mais uma vez, o Brasil inova ao apresentar uma nova alternativa ao diesel, somando o óleo vegetal ao processo normal " , destacou Rodrigues.
O novo diesel foi batizado de HBio.
A produção efetiva do novo combustível está prevista para o primeiro trimestre de 2007, o ano que vem.
" A estimativa é uma produção de 256 mil metros cúbicos/ano.
No biênio 2008/2009, essa produção poderá chegar a 425 mil metros cúbicos, quase o dobro " , completou Gabrielli.
O presidente da Petrobras garantiu que a inovação não vai alterar o programa de biodiesel.
E ainda poderá trazer ganhos econômicos para o país.
" Com um diesel de melhor qualidade, diminuiremos nossa dependência do diesel importado, o que vai alterar a relação de custo do produto no mercado interno.
" Gabrielli adiantou, contudo, que o produto final não sofrerá qualquer tipo de alteração.
" O diesel que chegará ao final da cadeia produtiva, com seus respectivos derivados, é o mesmo.
A única diferença é que 10% de óleo vegetal será introduzido numa das etapas da produção.
" Sobre a antecipação na produção de gás da Bacia do Espírito Santo, Gabrielli reconheceu que será necessária a construção de novos gasodutos para escoar a produção, sobretudo para as regiões Sul e Sudeste.
Os cálculos iniciais previam que a Bacia estaria pronta para produzir gás daqui a seis ou sete anos, mas a Petrobras conseguiu adiantar esse prazo para 2008.
" Isso não tem nada a ver com a crise vivida com a Bolívia.
Este anúncio faz parte de uma ordem do presidente Lula para que o Brasil obtenha sua auto-suficiência na produção de outras fontes de energia, além do petróleo " , afirmou Silas Rondeau.
A Bacia do Espírito Santo produzirá 24,6 milhões de metros cúbicos/dia, volume quase equivalente ao gás importado da Bolívia.
" Não vamos abrir mão do gás boliviano, temos contratos até 2019.
Trata-se de um suprimento extra de gás para consumo interno " , justificou Rondeau, lembrando que o gás da Bacia de Santos ainda não está sendo explorado.
Na mesma linha de independência energética, o governo anunciou ontem a possibilidade de substituir o gás natural pelo álcool nas usinas termelétricas.
Rodrigues respondeu às reclamações dos produtores de que temem que a produção de álcool não seja suficiente para suprir a nova demanda.
" Não estamos dizendo que a substituição será obrigatória.
É apenas mais uma alternativa " , explicou o ministro da Agricultura.
Paulo de Tarso Lyra