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País terá diesel menos poluente, com óleo vegetal

Como parte do plano de redução de dependência energética será introduzido óleo vegetal no processo de refino do diesel, gerando um combustível de melhor qualidade, com menos enxofre e mais metano.
Valor Econômico 4 min de leitura
Os ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, anunciaram ontem três medidas que fazem parte do que o governo definiu como " plano de redução de dependência energética " : além da antecipação em dois anos da produção de gás da Bacia do Espírito Santo e a substituição do gás natural pelo álcool nas usinas termelétricas, o governo comemorou uma inovação, a introdução do óleo vegetal no processo de refino do diesel, gerando um combustível de melhor qualidade, com menos enxofre e mais metano

" Essas medidas fazem parte do pedido do presidente Lula para permitir ao Brasil tornar-se auto-suficiente em outras fontes de energia, além do petróleo " , declarou Silas Rondeau.
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O anúncio das medidas foi feito após a 6ª reunião extraordinária da Câmara Nacional de Política Energética (CNPE), no Palácio do Planalto, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, a utilização do óleo vegetal cria um novo paradigma na produção de combustíveis.

" Neste primeiro momento, três refinarias da Petrobras estão aptas para este processo: Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais " , explicou Gabrielli.

O óleo vegetal que será utilizado poderá ser extraído de qualquer oleaginosa: palma, dendê, girassol, algodão ou soja.

No caso da soja, Roberto Rodrigues estima que sejam necessários 1,2 milhão de toneladas ou aproximadamente 400 mil a 420 mil hectares do produto.

O ministro vislumbra novas oportunidades de emprego no campo, especialmente para os produtores de soja.

" Há 30 anos, o Brasil rompeu um paradigma na produção de combustíveis, como o Programa Pró-Álcool.

Hoje, temos vários países do mundo interessados na produção de etanol.

Mais uma vez, o Brasil inova ao apresentar uma nova alternativa ao diesel, somando o óleo vegetal ao processo normal " , destacou Rodrigues.

O novo diesel foi batizado de HBio.

A produção efetiva do novo combustível está prevista para o primeiro trimestre de 2007, o ano que vem.

" A estimativa é uma produção de 256 mil metros cúbicos/ano.

No biênio 2008/2009, essa produção poderá chegar a 425 mil metros cúbicos, quase o dobro " , completou Gabrielli.

O presidente da Petrobras garantiu que a inovação não vai alterar o programa de biodiesel.

E ainda poderá trazer ganhos econômicos para o país.

" Com um diesel de melhor qualidade, diminuiremos nossa dependência do diesel importado, o que vai alterar a relação de custo do produto no mercado interno.

" Gabrielli adiantou, contudo, que o produto final não sofrerá qualquer tipo de alteração.

" O diesel que chegará ao final da cadeia produtiva, com seus respectivos derivados, é o mesmo.

A única diferença é que 10% de óleo vegetal será introduzido numa das etapas da produção.

" Sobre a antecipação na produção de gás da Bacia do Espírito Santo, Gabrielli reconheceu que será necessária a construção de novos gasodutos para escoar a produção, sobretudo para as regiões Sul e Sudeste.

Os cálculos iniciais previam que a Bacia estaria pronta para produzir gás daqui a seis ou sete anos, mas a Petrobras conseguiu adiantar esse prazo para 2008.

" Isso não tem nada a ver com a crise vivida com a Bolívia.

Este anúncio faz parte de uma ordem do presidente Lula para que o Brasil obtenha sua auto-suficiência na produção de outras fontes de energia, além do petróleo " , afirmou Silas Rondeau.

A Bacia do Espírito Santo produzirá 24,6 milhões de metros cúbicos/dia, volume quase equivalente ao gás importado da Bolívia.

" Não vamos abrir mão do gás boliviano, temos contratos até 2019.

Trata-se de um suprimento extra de gás para consumo interno " , justificou Rondeau, lembrando que o gás da Bacia de Santos ainda não está sendo explorado.

Na mesma linha de independência energética, o governo anunciou ontem a possibilidade de substituir o gás natural pelo álcool nas usinas termelétricas.

Rodrigues respondeu às reclamações dos produtores de que temem que a produção de álcool não seja suficiente para suprir a nova demanda.

" Não estamos dizendo que a substituição será obrigatória.

É apenas mais uma alternativa " , explicou o ministro da Agricultura.

Paulo de Tarso Lyra
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