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Agrishow: Biocombustível é o astro em feira de agronegócio

As indústrias de máquinas estão apostando em linhas preparadas para trabalhar com misturas cada vez maiores
G1 3 min de leitura
Na maior feira do agronegócio nacional, a Agrishow, que acontece até o fim de semana em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, os biocombustíveis estão no centro das atenções. De olho nos gordos lucros proporcionados pela produção de álcool e biodiesel, usinas de produção de combustível, produtores rurais, indústrias de maquinários e os maiores bancos do país estão tentando garantir uma fatia do lucro gerado pelo recente "boom" dos biocombustíveis no país.

Até em setores em que os lucros com o biocombustível serão vistos no longo prazo, como no segmento de máquinas agrícolas, há euforia e os lançamentos se proliferam: as indústrias de máquinas estão apostando em linhas preparadas para trabalhar com misturas cada vez maiores de combustíveis alternativos ao diesel, embora a legislação brasileira só obrigue a adição de 2% de biodiesel ao derivado do petróleo a partir de abril de 2008.

Até 100% de 'combustível limpo'

Na busca de uma gorda fatia do mercado de tratores movidos a biodiesel, a Valtra apostou alto: liberou a mistura para até 20% de combustível limpo para uma máquina que já está à venda. Na Agrishow, a fabricante exibe a versão de motor totalmente movido a biodiesel, que passa por testes em usinas no Mato Grosso e deve chegar ao mercado em setembro do ano que vem. Só em pesquisa, a companhia investiu R$ 600 mil desde 2001.

Entretanto, a maioria dos fabricantes segue a demanda imediata e lança equipamentos que suportam concentração de até 5% do combustível limpo, caso da Agrale e da Massey Ferguson. Para a linha 2007, os fabricantes garantem que os equipamentos estão prontos para funcionar sem qualquer "efeito colateral". “É um mercado importante porque o cliente quer sempre o produto ecologicamente correto”, diz o gerente de marketing da companhia, Pedro Soares.

Os bancos estão apostando alto no aumento nas vendas de equipamentos agrícolas - que já superam em 30% maior as do ano passado - e investindo pesado na divulgação de linhas de empréstimos para produtores. Na feira de Ribeirão Preto, é difícil ver um equipamento à venda sem pelo menos dois cartazes de banco oferecendo dinheiro.

O Banco do Brasil abriu uma linha de crédito mirando o pequeno produtor rural, embora a maioria das instituições ainda mire os grandes produtores. Mas até o BB tem tido dificuldade em atender os agricultores de pequeno porte. Até agora, segundo a assessoria de imprensa do banco, são os produtores com rendimento acima de R$ 150 mil que têm procurado o financiamento do estado de São Paulo.
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