Segundo professor da USP, investimentos públicos em alternativas como biodiesel e energia eólica ainda são pífios
Para reverter o equivoco histórico e diminuir a dependência da Bolívia, estudiosos defendem a diversificação da matriz energética brasileira, por meio do... desenvolvimento de campos gasíferos em território nacional, além de investimento em fontes alternativas de energia, como como biomassa (gerada pela queima de produtos orgânicos), eólica (gerada por vento) e solar.
"Temos a alternativa da biomassa, que é energia direto do sol. Em dois meses, o girassol transforma a energia solar em biodiesel, enquanto o petróleo leva 400 milhões de anos para se formar. O investimento em gás é válido, mas devemos lembrar que ele é um recurso finito", salienta o físico e engenheiro José Bautista Vida. "Então, para que vamos buscar energia fora do nosso território nacional correndo todo tipo de risco?" questiona. O problema é que, apesar de o Brasil ser "a grande potência energética do planeta, ainda não está capacitados a responder por essa vocação. "O quadro é melancólico", lamenta.
Que a diversificação da matriz energética é saída para o país, não há dúvidas. Mas, a curto prazo, é difícil ter bons resultados, explicam. Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP) Célio Bermann, a substituição do gás importado da Bolívia por energia doméstica requer investimentos pesados e demanda tempo. "Temos um enorme potencial solar, eólico de produção de energia a partir dos ventos, das fontes de biomassa como bagaço de cana de açúcar e resíduos de arroz. Todavia, enfrentamos um problema de custos, que ainda são altos". Hoje, a participação incipiente dessas fontes ainda é incipiente, não passa de 3,5% de toda a produção de energia gerada no país.
Já a longo prazo, a tendência é dos custos reduzirem, afirma o professor da USP. Porém, isso depende de um incentivo feito por meio de políticas públicas voltadas para as energias renováveis, avalia Bermann. Na sua opinião, o Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), criado em novembro de 2003 pelo governo Lula, ainda é muito tímido em relação ao potencial do Brasil. O objetivo principal do Programa é financiar, com suporte do BNDES, projetos de geração de energias a partir dos ventos, pequenas centrais hidrelétricas e bagaço da cana, casca de arroz, cavaco de madeira e biogás de lixo (biomassa).
Fonte: Tatiana Merlino - Brasil de Fato
Para reverter o equivoco histórico e diminuir a dependência da Bolívia, estudiosos defendem a diversificação da matriz energética brasileira, por meio do... desenvolvimento de campos gasíferos em território nacional, além de investimento em fontes alternativas de energia, como como biomassa (gerada pela queima de produtos orgânicos), eólica (gerada por vento) e solar.
"Temos a alternativa da biomassa, que é energia direto do sol. Em dois meses, o girassol transforma a energia solar em biodiesel, enquanto o petróleo leva 400 milhões de anos para se formar. O investimento em gás é válido, mas devemos lembrar que ele é um recurso finito", salienta o físico e engenheiro José Bautista Vida. "Então, para que vamos buscar energia fora do nosso território nacional correndo todo tipo de risco?" questiona. O problema é que, apesar de o Brasil ser "a grande potência energética do planeta, ainda não está capacitados a responder por essa vocação. "O quadro é melancólico", lamenta.
Que a diversificação da matriz energética é saída para o país, não há dúvidas. Mas, a curto prazo, é difícil ter bons resultados, explicam. Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP) Célio Bermann, a substituição do gás importado da Bolívia por energia doméstica requer investimentos pesados e demanda tempo. "Temos um enorme potencial solar, eólico de produção de energia a partir dos ventos, das fontes de biomassa como bagaço de cana de açúcar e resíduos de arroz. Todavia, enfrentamos um problema de custos, que ainda são altos". Hoje, a participação incipiente dessas fontes ainda é incipiente, não passa de 3,5% de toda a produção de energia gerada no país.
Questão de tempo
A substituição do gás importado da Bolívia por energia doméstica também demanda tempo. Segundo Bermann, desde o investimento para a recuperação do campo gasífero de Santos, por exemplo, até sua viabilidade econômica seriam necessários de 5 a 6 anos. Para se reduzir a dependência do gás boliviano a partir das energias renováveis, o tempo estimado é ainda maior, afirma. "Levaria de 20 a 30 anos para que a participação das fontes fosse significativa".Já a longo prazo, a tendência é dos custos reduzirem, afirma o professor da USP. Porém, isso depende de um incentivo feito por meio de políticas públicas voltadas para as energias renováveis, avalia Bermann. Na sua opinião, o Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), criado em novembro de 2003 pelo governo Lula, ainda é muito tímido em relação ao potencial do Brasil. O objetivo principal do Programa é financiar, com suporte do BNDES, projetos de geração de energias a partir dos ventos, pequenas centrais hidrelétricas e bagaço da cana, casca de arroz, cavaco de madeira e biogás de lixo (biomassa).
Fonte: Tatiana Merlino - Brasil de Fato