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Óleo das frigideiras pode ser convertido em biodiesel

Por falta de informação, boa parte da população ainda descarta na pia, no lixo comum ou mesmo no ralo o óleo utilizado na cozinha. O mesmo vale para restaurantes e indústrias.
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Por falta de informação, boa parte da população ainda descarta na pia, no lixo comum ou mesmo no ralo o óleo utilizado na cozinha. O mesmo vale para restaurantes e indústrias.

Por falta de informação, boa parte da população ainda descarta na pia, no lixo comum ou mesmo no ralo o óleo utilizado na cozinha. O mesmo vale para restaurantes e indústrias.

Com isso, perde-se uma boa oportunidade de diminuir o impacto ambiental de um resíduo que contribui para entupir a rede de esgotos e causa problemas no tratamento da água.

A boa notícia é que já existem algumas iniciativas incipientes de aproveitamento desse óleo como matéria-prima de biodiesel e na fabricação de sabão.

A iniciativa mais promissora fica em Ribeirão Preto (SP). É ali que se localiza a Biodiesel Brasil, empresa nascida na incubadora da Universidade de São Paulo, cujo diferencial é a tecnologia obtida no Laboratório de Desenvolvimento e Tecnologia Limpas (Ladtel), sob a coordenação de Miguel Dabdoub.

Uso obrigatório
Um dos pioneiros na pesquisa de biodiesel no Brasil, Dabdoub ajudou a elaborar a Lei 11.097, que determina a obrigatoriedade da mistura de biodiesel no diesel na proporção de 5%.

"Começamos pesquisando a viabilidade técnica e econômica de diversas matérias-primas, como soja, dendê, babaçu, além do óleo de fritura", conta Dabdoub. "Uma coisa leva a outra e, quando souberam do projeto, várias empresas nos procuraram oferecendo o óleo usado."

Grandes redes como Carrefour e McDonald's se ofereceram para colaborar com o óleo coletado por consumidores e clientes.

Há dez anos, o Ladtel tinha uma usina piloto com capacidade para processar 5 mil litros de biodiesel por dia. A usina ainda é a única existente, mas outra, em escala comercial, que será a maior do Brasil, está sendo construída e deverá ser inaugurada no segundo semestre deste ano.

A nova usina poderá processar 120 milhões de litros de biodiesel por ano, mais do que as refinarias de biodiesel da Petrobras.

Selo de certificação
O negócio se ampliou e hoje a Biodiesel trabalha em 30 municípios de São Paulo e sul de Minas Gerais.

Há oito meses, a empresa criou um novo serviço de certificação de qualidade desse material. Seus técnicos analisam o óleo descartado e verificam a quantidade de gordura trans, grau de degradação, presença de radicais livres, entre outros fatores.

"A existência do selo é uma garantia de que o estabelecimento utiliza óleo de qualidade", explica Dabloub.

Ganham todos os lados. Restaurantes e lanchonetes têm o selo para mostrar a seus clientes e as indústrias que participam do ISO 14 000 demonstram que dão descarte adequado ao lixo.

As organizações de catadores que se encarregam de coletar o óleo têm uma fonte de renda e a Biodiesel garante matéria-prima de boa qualidade.

Qualidade, aliás, é o nó desse negócio. Hoje, várias empresas, como a Dajac, em São Paulo, realizam a limpeza, retirada de água, secagem e filtragem do material coletado em garrafas PET e encaminhado aos pontos de entrega de reciclagem por organizações de catadores.

Só então, o produto é levado parte para as usinas e parte para fabricantes de sabão pastoso. A tradicional fabricante gaúcha Bertolini, por exemplo, produz o sabão sustentável comercializado na rede Walmart.

"Se tivéssemos mais matéria-prima, poderíamos produzir muito mais", garante Moisés Bertolini, responsável pela empresa.

Martha San Juan França - Brasil Econômico
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