A BiodieselBR.com ouviu durante os dois dias dos leilões a opinião de usineiros e do governo sobre o resultado e o preço médio dos leilões.
Confira a seguir o que o mercado achou dos leilões.
A concorrência acirrada e a ansiedade da indústria para vender sua produção de biodiesel provocaram a derrubada dos preços negociados nos 6º e 7º leilões de biodiesel, realizados ontem (14) e hoje pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Esta é a opinião de usinas ouvidas, nos dois dias, pela Biodieselbr.com, sondagem que revelou também surpresa e incredulidade do mercado com os resultados do leilão. “Estamos perplexos com o que está acontecendo”, desabafa Erasmo Carlos Battistella, diretor de operações da BSBios, de Passo Fundo (RS), que considera o resultado “vergonhoso” diante do fato de a indústria ter encaminhado ao governo e à ANP solicitações pedindo um preço maior no leilão. “O próprio mercado está indo contra tudo o que foi dito”, afirma.
O preço médio dos dois leilões fechou em R$ 1,865 com deságio de 22,3%. O valor ficou abaixo do custo da principal matéria-prima usada para fabricação de biodiesel no País. O preço do óleo de soja, por exemplo, chega R$ 2,20 por litro em São Paulo e o sebo bovino é vendido entre R$ 1.650 e R$ 1.720 a tonelada. “O preço é inviável, está abaixo do preço do óleo de soja. A Granol é uma esmagadora e para nós não compensa”, afirmou, ontem, Paula Cadette Ferreira, diretora-financeira da Granol. Mesmo assim, a empresa vendeu 45 milhões de litros no leilão de ontem, com preço médio de R$ 1,93, e outros 20 milhões no de hoje, a R$ 1,87.
Outras empresas que também disputaram lotes – mesmo contrariadas –, foram a Oleoplan, de Veranópolis (RS), e a Fiagril, de Lucas do Rio Verde (MT). “Esse preço é inconcebível. Está quase no nível do quarto leilão, no ano passado, e o óleo praticamente duplicou de preço”, diz Irineu Boff, diretor da Oleoplan, que vendeu 10 milhões de litros no 6º leilão a R$ 1,83. “É uma coisa muito difícil de executar”, afirma.
Para Francisco Flores, gerente-administrativo da Fiagril, houve grande ansiedade das empresas participantes. “Há um consenso entre as empresas de que abaixo do custo não se deve trabalhar. Acho que foi o desespero”, opina Flores, que antes do leilão esperava que o preço ficasse entre R$ 2,10 e R$ 2,15. “Mas esse [o desespero] não foi o nosso caso. Vendemos porque precisamos testar a fábrica”, justificou Flores, que admite que a usina, programada para entrar em operação no final do mês, vai trabalhar no vermelho. “Vamos botar a fábrica pra funcionar e ver se a gente consegue um preço melhor no próximo leilão”, espera. A Fiagril vendeu 13 milhões no 6º leilão, a R$ 1,84 em média, e 10 milhões no 7º leilão, a R$ 1,86.
O deságio não foi exatamente uma surpresa para o governo, que já esperava a diferença por causa do número de empresas participantes (27, segundo a ANP) e da capacidade de oferta. “As empresas vão operar com uma margem certamente apertada”, avalia Ricardo Dornelles, diretor do departamento de combustíveis renováveis da ANP. “Mas se o produtor deu o lance dessa forma é porque ele tinha uma estratégia. O programa não é um programa que começa e acaba neste ano, é de longo prazo, e as empresas certamente devem contar com isso na sua estratégia.”
Dornelles fez uma avaliação positiva dos leilões. “Vendemos toda a demanda, com uma competição grande ao longo dos dois dias, tivemos um deságio que mostra que as empresas estão brigando neste mercado, as empresas com selo social tiveram uma participação bastante significativa e houve uma distribuição regional bem equilibrada. Então sobre todos os aspectos foi muito bom.”
Segundo a ANP, nos dois leilões foram negociados R$ 708 milhões. Do volume de 380 milhões de litros vendidos, 27,4% vieram do Nordeste; 27,4% do Centro-Oeste; 21,6% da região Sul; 14,5% do Sudeste e 9,2% da região Norte.
Raquel Marçal
BiodieselBR.com
Confira a seguir o que o mercado achou dos leilões.
A concorrência acirrada e a ansiedade da indústria para vender sua produção de biodiesel provocaram a derrubada dos preços negociados nos 6º e 7º leilões de biodiesel, realizados ontem (14) e hoje pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Esta é a opinião de usinas ouvidas, nos dois dias, pela Biodieselbr.com, sondagem que revelou também surpresa e incredulidade do mercado com os resultados do leilão. “Estamos perplexos com o que está acontecendo”, desabafa Erasmo Carlos Battistella, diretor de operações da BSBios, de Passo Fundo (RS), que considera o resultado “vergonhoso” diante do fato de a indústria ter encaminhado ao governo e à ANP solicitações pedindo um preço maior no leilão. “O próprio mercado está indo contra tudo o que foi dito”, afirma.
O preço médio dos dois leilões fechou em R$ 1,865 com deságio de 22,3%. O valor ficou abaixo do custo da principal matéria-prima usada para fabricação de biodiesel no País. O preço do óleo de soja, por exemplo, chega R$ 2,20 por litro em São Paulo e o sebo bovino é vendido entre R$ 1.650 e R$ 1.720 a tonelada. “O preço é inviável, está abaixo do preço do óleo de soja. A Granol é uma esmagadora e para nós não compensa”, afirmou, ontem, Paula Cadette Ferreira, diretora-financeira da Granol. Mesmo assim, a empresa vendeu 45 milhões de litros no leilão de ontem, com preço médio de R$ 1,93, e outros 20 milhões no de hoje, a R$ 1,87.
“Esse preço é inconcebível. Está quase no nível do quarto leilão, no
ano passado, e o óleo praticamente duplicou de preço”
Outras empresas que também disputaram lotes – mesmo contrariadas –, foram a Oleoplan, de Veranópolis (RS), e a Fiagril, de Lucas do Rio Verde (MT). “Esse preço é inconcebível. Está quase no nível do quarto leilão, no ano passado, e o óleo praticamente duplicou de preço”, diz Irineu Boff, diretor da Oleoplan, que vendeu 10 milhões de litros no 6º leilão a R$ 1,83. “É uma coisa muito difícil de executar”, afirma.
Para Francisco Flores, gerente-administrativo da Fiagril, houve grande ansiedade das empresas participantes. “Há um consenso entre as empresas de que abaixo do custo não se deve trabalhar. Acho que foi o desespero”, opina Flores, que antes do leilão esperava que o preço ficasse entre R$ 2,10 e R$ 2,15. “Mas esse [o desespero] não foi o nosso caso. Vendemos porque precisamos testar a fábrica”, justificou Flores, que admite que a usina, programada para entrar em operação no final do mês, vai trabalhar no vermelho. “Vamos botar a fábrica pra funcionar e ver se a gente consegue um preço melhor no próximo leilão”, espera. A Fiagril vendeu 13 milhões no 6º leilão, a R$ 1,84 em média, e 10 milhões no 7º leilão, a R$ 1,86.
O deságio não foi exatamente uma surpresa para o governo, que já esperava a diferença por causa do número de empresas participantes (27, segundo a ANP) e da capacidade de oferta. “As empresas vão operar com uma margem certamente apertada”, avalia Ricardo Dornelles, diretor do departamento de combustíveis renováveis da ANP. “Mas se o produtor deu o lance dessa forma é porque ele tinha uma estratégia. O programa não é um programa que começa e acaba neste ano, é de longo prazo, e as empresas certamente devem contar com isso na sua estratégia.”
Dornelles fez uma avaliação positiva dos leilões. “Vendemos toda a demanda, com uma competição grande ao longo dos dois dias, tivemos um deságio que mostra que as empresas estão brigando neste mercado, as empresas com selo social tiveram uma participação bastante significativa e houve uma distribuição regional bem equilibrada. Então sobre todos os aspectos foi muito bom.”
Segundo a ANP, nos dois leilões foram negociados R$ 708 milhões. Do volume de 380 milhões de litros vendidos, 27,4% vieram do Nordeste; 27,4% do Centro-Oeste; 21,6% da região Sul; 14,5% do Sudeste e 9,2% da região Norte.
Raquel Marçal
BiodieselBR.com
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