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Embraer faz voo teste com bioquerosene


Folha de S. Paulo - 02 set 2011 - 06:24 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:17
À base de camelina, o bioQAV é o primeiro querosene renovável certificado para a aviação comercial no mundo. Com produção ainda limitada, o novo combustível custa três a quatro vezes mais que o normal

Operadoras de jatos da Embraer poderão, em poucos meses, voar com a consciência ambiental mais limpa.

A empresa fez, em agosto, o primeiro voo teste no Brasil com o bioquerosene de aviação desenvolvido pela Caafi (Iniciativa da Aviação Comercial para Combustíveis Alternativos, na sigla em inglês).

À base de camelina, o bioQAV é o primeiro querosene renovável certificado para a aviação comercial no mundo.

Sua fórmula foi certificada em 1º de julho por organizações de normas técnicas e autoridades aeronáuticas da Europa e dos EUA.

O bioQAV pode ser usado pela aviação comercial em uma mistura de até 50% com o QAV normal.

Responsável por 2% das emissões, a aviação tem investido pesadamente para se livrar da imagem de poluente. Globalmente, o setor se comprometeu a reduzir em 50% as emissões de CO2, tendo como referência 2005.

O processo de fabricação do bioQAV é similar ao do biodiesel. Ele pode ser produzido com qualquer oleaginosa ou mesmo gordura animal. A TAM, por exemplo, está testando o pinhão manso.

Há outras iniciativas. A própria Embraer, em parceria com a Amyris e a Azul, pesquisa um combustível de biomassa de cana. No entanto, a certificação desse combustível não deve acontecer antes de 2013 ou 2015.

Guilherme Freire, diretor de estratégia de ambiente da Embraer, explica que o objetivo global do setor é que a produção seja descentralizada e que não haja dependência de uma única espécie vegetal.

Com produção ainda limitada, o bioQAV de camelina custa três a quatro vezes mais que o QAV normal. A expectativa é que o preço caia com o aumento da produção e da demanda.

O bioQAV já voa comercialmente nos jatos de Boeing e Airbus. As primeiras a "voar verde" foram Lufthansa, KLM e Aeroméxico.

Os testes da Embraer foram realizados em parceria com a GE. "O avião respondeu de forma esperada, não há qualquer diferença no desempenho", disse Freire.

O próximo passo é obter certificações nas agências nacionais do petróleo (ANP) e da aviação civil (Anac).

MARIANA BARBOSA