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[Vídeo] Produtores abandonam lavouras de pinhão-manso em Minas Gerais


Globo Rural - 21 mar 2011 - 06:21 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

A cultura foi apresentada como grande esperança para a produção de biodiesel no Brasil. Mas, os produtores da Zona da Mata, que iniciaram o cultivo há cinco anos, estão frustrados.

Um arbusto de quatro metros de altura tem folhas de cinco pontas e caules enrugados. Dos frutos pequenos e redondos é extraído um óleo amarelo-ouro, que pode ser transformado em biodiesel para a indústria automobilística.

O Sítio Paraíso, em Viçosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, vive da cafeicultura. Há cinco anos, o produtor Paulo Afonso acreditou que o pinhão manso seria uma boa opção para diversificar a atividade. Ele participou de uma reunião com outros produtores, organizada pela secretaria municipal de Agricultura.

“Foi dito que seria uma cultura de alto lucro para o produtor, para biodiesel. Este ano eu colhi em torno de 600 quilos e vou receber cerca de 360 reais”, diz Paulo Afonso, produtor.

A 50 quilômetros de distância, no município de Senador Firmino, o produtor Jorge Bianchi abandonou a área de plantio. O produtor esperava colher seis mil quilos a cada safra, mas este ano, em que a lavoura estaria em plena produção, só colheu 250 quilos.



“Eu investi em torno de dez mil reais”, afirma Jorge Bianchi, produtor. Desanimado, o produtor quis entregar a lavoura ao Cleber Silva, que é seu empregado. “Eu não quis porque não vale a pena, a produção é muito fraca, não paga o serviço. Eu disse que por mim eu arrancava tudo”, conta Cleber.

O produtor chegou a receber uma comitiva de produtores de pinhão manso do estado do Tocantins. “Eu disse que foi uma falsa promessa”, comenta.

A promessa veio da Refinaria Nacional de Petróleo Vegetal, que funciona desde 2007 em Barbacena, também na Zona da Mata mineira. A empresa estimulou o plantio em 16 municípios da região.

A refinaria vem comprando o pinhão manso, mas por enquanto só está moendo caroço de algodão e amendoim. O diretor da usina, que era secretário municipal de Agricultura de Viçosa, na época do incentivo, continua com o projeto de ampliar as lavouras de pinhão manso.

“Vamos através deste trabalho, recuperar a credibilidade do produtor junto à cultura do pinhão manso, recuperar as áreas e vamos bancar parte dos custos na recuperação destas áreas, para que a cultura do pinhão manso possa mostrar o seu potencial ao produtor da região e a partir do ano que vem começamos um trabalho de incentivo com, novas áreas de plantio, inclusive com novos cultivares que vão ser lançados este ano no Brasil, declara Luciano Piovesan .

Mas há pesquisadores que acham prematuro investir na cultura. É o caso do engenheiro florestal Marcelo Muller, da Embrapa de Coronel Pacheco em Minas Gerais. “Ainda é preciso fazer muitos experimentos para ter uma conclusão a respeito de como cultivar esta espécie”, afirma.

O biodiesel hoje no Brasil tem na soja a principal matéria prima, com 82% do total. Depois, vem o sebo, com 14%, e o caroço de algodão, com 2%.