Miguel Angelo

Possibilidades para o 15º leilão


Miguel Angelo Vedana - 24 ago 2009 - 15:22 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:49

Esta semana teremos o leilão de biodiesel que definirá a ocupação das usinas nos últimos três meses do ano. Esse é o segundo e provavelmente último leilão para a compra de B4, já que o próximo deve ser para o B5. O volume a ser adquirido será igual ao do 14º leilão: 460 milhões de litros de biodiesel.

Mas não será só a demanda de biodiesel que continuará igual, o volume de biodiesel ofertado também deve ser quase o mesmo. Nos últimos três meses a única usina que obteve as autorizações necessárias para participar do leilão foi a SSIL (Sociedade Sales Indústria Ltda.), acrescentando menos de 400 mil litros a oferta total do leilão. O aumento na capacidade da ADM que era esperado não aconteceu. A mudança mais significativa ocorreu com a Granol de Anápolis, que teve sua licença ambiental ampliada, e agora pode produzir 220 milhões de litros por ano, e não só 190 milhões. Dessa forma, teremos uma oferta máxima de 727,3 milhões de litros, equivalente a 80% da capacidade trimestral de todas as usinas com os requisitos para participar do certame (909,1 milhões de litros).

Essa oferta, apesar de ser a efetivamente autorizada, não é real. Algumas usinas autorizadas não participarão do leilão. É o caso da Biolix, que nunca participou dos leilões depois da obrigatoriedade, e muito provavelmente da Araguassu e da Ouro Verde, que não participaram do último. Além delas, existem usinas que não tem a pretensão de vender toda sua capacidade de produção autorizada. A Biocapital, com permissão para vender até 54 milhões de litros no leilão passado ofereceu apenas 42. Outro exemplo é a Granol, que poderia ofertar 105 milhões de litros com suas duas usinas, mas ofereceu apenas 74 milhões de litros.

Dessa forma o volume realmente ofertado em um leilão fica sempre abaixo da capacidade autorizada pela ANP. No leilão 14 foram ofertados 562,3 milhões de litros no primeiro lote, um volume 15% menor do que poderia ser oferecido. O 15º leilão seguiria um caminho semelhante se não fosse pela época do ano que esse leilão ocorre.

A entrega do biodiesel do 15º leilão ocorrerá nos meses de outubro, novembro e dezembro, pico da entressafra brasileira. Nesse período o preço do óleo de soja no Brasil se descola de Chicago, ficando mais caro. Conseqüentemente, as usinas gastam muito mais nesse período para conseguir sua matéria-prima e por isso algumas podem preferir vender menos biodiesel no leilão para não precisarem despender um volume de dinheiro muito grande na compra e/ou fixação de preço da matéria-prima. Ainda há a possibilidade do óleo de soja subir muito no final do ano, fazendo que seu custo fique acima do preço de venda desse leilão.

Essa incerteza com o preço da soja pode fazer com que o volume ofertado diminua, mas algumas empresas em particular podem fazer com que a oferta aumente. A Brasil Ecodiesel é uma delas. No leilão passado a empresa ainda enfrentava dificuldades financeiras e mesmo assim ofereceu 115,1 milhões de litros de biodiesel na primeira rodada. A empresa resolveu os problemas de caixa e pode ser um pouco mais agressiva no leilão, oferecendo um volume maior de biodiesel. A Granol também apresenta capacidade instalada autorizada para fazer aumentar sua oferta.

Entre aumentos e diminuições, acredito que a oferta de biodiesel no primeiro lote do leilão deva subir um pouco e ficar próxima dos 590 milhões de litros. Mas esse aumento não trará diminuição grande no preço do biodiesel.

Mudanças nas regras
Foram feitas duas alterações nas regras que alteram a dinâmica do leilão. A primeira foi diminuição para apenas duas ofertas para cada usina com o objetivo de aumentar a competição. É provável que o deságio seja maior que no leilão anterior, mas o aumento não será muito significativo. Ao invés de darem uma oferta com preço baixo, uma com o preço intermediário e outra com o preço alto, as usinas darão uma com preço mais baixo e outra com o preço mais alto. A diferença no deságio será apenas pela retirada da oferta intermediaria.

A outra mudança do leilão é o critério de desempate dos lances que passam para a segunda rodada. Agora, se houver empate entre as ofertas que ficarem no limiar da classificação para a segunda rodada (30% a mais que o volume do lote), será classificada a oferta da usina que tiver menor média de preço entre suas ofertas. Dessa forma a oferta de menor valor passa a ter dupla função: classificar-se para a segunda fase e classificar a segunda oferta quando ela estiver empatada. Esse novo critério também deve diminuir um pouco os preços das ofertas.

Dois lotes: 50-50, 60-40, 70-30...?
Com apenas duas ofertas as usinas ficam mais limitadas em suas estratégias. Numa primeira análise a melhor estratégia parece ser a de dividir igualmente o volume de biodiesel entre as ofertas. Mas essa estratégia é boa para aqueles que querem vender todo seu biodiesel ou que se satisfazem vendo a metade do permitido. Isso porque esse 50-50 é na verdade um 40-40, já que as usinas podem oferecer apenas 80% de sua capacidade produtiva. Por isso, uma usina que vender apenas uma dessas ofertas ocupará apenas 40% de sua produção. É claro que a usina terá o segundo lote para vender mais biodiesel, mas é um lote bem menor, com apenas um quinto do volume do leilão. É mais provável que as usinas dividam seus volumes em lotes desiguais, um lote com volume maior e preço mais baixo e outro com volume menor e preço maior.

A análise acima é feita para o primeiro lote, pois o segundo é majoritariamente dependente do resultado da primeira etapa do pregão. Nenhuma outra condição influencia tanto.

Abaixo preparei uma tabela com as minhas apostas para o resultado do primeiro lote, com o volume de venda e a taxa de ocupação de cada usina. Obviamente o resultado pode ser completamente diferente e o cenário abaixo pode não acontecer.

apostas para o 15º Leilão

Miguel Angelo Vedana - diretor executivo da BiodieselBR

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