

Agora se sabe que o Ministério da Fazenda está impedindo seu avanço em razão de dúvidas sobre o impacto inflacionário do biodiesel. Esse posicionamento traz uma série de questionamentos que levam a uma conclusão um pouco diferente do que é oficialmente apresentado.

Agora se sabe que o Ministério da Fazenda está impedindo seu avanço em razão de dúvidas sobre o impacto inflacionário do biodiesel. Esse posicionamento traz uma série de questionamentos que levam a uma conclusão um pouco diferente do que é oficialmente apresentado.
O Ministério da Fazenda não faz parte da Ceib? E essas dúvidas não teriam que ter sido levantadas antes do trabalho ter sido finalizado? O setor ficou debatendo com o governo a questão da inflação por mais de um ano e alguns estudos foram feitos mostrando que o impacto beira a insignificância. A resistência da Ceib foi vencida com números. E só agora o Ministério da Fazenda se levanta para fazer perguntas. Estranho.
Mas o Ministério quer que acreditemos que eles têm dúvidas sobre o impacto inflacionário. Só que é difícil de acreditar que dentro do ministério não haja uma enorme planilha de preços para calcular a inflação. Alguém imagina o ministro Mantega querendo saber qual será o impacto inflacionário com o preço do tomate subindo de dois reais para quatro reais e tendo que esperar algumas semanas pela resposta? Ou seja, eles sabem muito bem o quanto o biodiesel impacta na inflação. Apresentar estudos nesse sentido para eles é como querer ensinar o padre a rezar missa.
Claramente existe outro motivo para que o marco não esteja andando. As informações que os ventos trazem de Brasília dizem que a questão é política. Mais precisamente eleitoral. A disputa presidencial já começou e todas as questões que podem ser apontadas como falhas do governo Dilma durante a campanha são consideradas críticas. A inflação é uma das principais.
Assim, na visão da cúpula governante, não importa o tamanho do benefício para o país que o biodiesel vá trazer se junto com ele vier uma inflação de 0,0001%. Não adianta discutir aqui o quão míope é essa visão do governo, pois ainda vivemos em uma país onde se julga o sucesso de um político pelo fato dele ser reeleito e não pela qualidade do seu mandato. Se as usinas quiserem que o aumento da mistura venha mais rápido, terão que pensar dentro dessa lógica.
O jogo mudou. Agora as usinas vão ter que trabalhar politicamente. Vão precisar mostrar que, em termos eleitorais, é melhor para o governo que haja o aumento da mistura de biodiesel. É uma partida do "impacto mínimo na inflação" versus "benefícios para o país, para o governo e para a permanência no poder". Ganha o jogo aquele que transmitir a sensação de que trará mais votos para a candidata à reeleição. Infelizmente.
Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com