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Por que, realmente, o governo não aumenta a mistura de biodiesel

Dilma MantegaO governo está preocupado com a inflação, mas não é sobre inflação que ele quer conversar.
Miguel Angelo Vedana 4 min de leitura
Dilma MantegaO trabalho técnico do novo marco regulatório do biodiesel está terminado. Foi mais ou menos essas palavras ditas tanto pelo presidente da CEIB (Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel) Rodrigo Rodrigues, quanto pelo diretor do departamento de combustíveis renováveis do ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, no final de outubro na Conferência BiodieselBR 2013. Se esperava que até o final de 2013 o novo marco já tivesse sido aprovado. Não foi.

Agora se sabe que o Ministério da Fazenda está impedindo seu avanço em razão de dúvidas sobre o impacto inflacionário do biodiesel. Esse posicionamento traz uma série de questionamentos que levam a uma conclusão um pouco diferente do que é oficialmente apresentado.

Dilma MantegaO trabalho técnico do novo marco regulatório do biodiesel está terminado. Foi mais ou menos essas palavras ditas tanto pelo presidente da CEIB (Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel) Rodrigo Rodrigues, quanto pelo diretor do departamento de combustíveis renováveis do ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, no final de outubro na Conferência BiodieselBR 2013. Se esperava que até o final de 2013 o novo marco já tivesse sido aprovado. Não foi.

Agora se sabe que o Ministério da Fazenda está impedindo seu avanço em razão de dúvidas sobre o impacto inflacionário do biodiesel. Esse posicionamento traz uma série de questionamentos que levam a uma conclusão um pouco diferente do que é oficialmente apresentado.

O Ministério da Fazenda não faz parte da Ceib? E essas dúvidas não teriam que ter sido levantadas antes do trabalho ter sido finalizado? O setor ficou debatendo com o governo a questão da inflação por mais de um ano e alguns estudos foram feitos mostrando que o impacto beira a insignificância. A resistência da Ceib foi vencida com números. E só agora o Ministério da Fazenda se levanta para fazer perguntas. Estranho.

Mas o Ministério quer que acreditemos que eles têm dúvidas sobre o impacto inflacionário. Só que é difícil de acreditar que dentro do ministério não haja uma enorme planilha de preços para calcular a inflação. Alguém imagina o ministro Mantega querendo saber qual será o impacto inflacionário com o preço do tomate subindo de dois reais para quatro reais e tendo que esperar algumas semanas pela resposta? Ou seja, eles sabem muito bem o quanto o biodiesel impacta na inflação. Apresentar estudos nesse sentido para eles é como querer ensinar o padre a rezar missa.

Claramente existe outro motivo para que o marco não esteja andando. As informações que os ventos trazem de Brasília dizem que a questão é política. Mais precisamente eleitoral. A disputa presidencial já começou e todas as questões que podem ser apontadas como falhas do governo Dilma durante a campanha são consideradas críticas. A inflação é uma das principais.

Assim, na visão da cúpula governante, não importa o tamanho do benefício para o país que o biodiesel vá trazer se junto com ele vier uma inflação de 0,0001%. Não adianta discutir aqui o quão míope é essa visão do governo, pois ainda vivemos em uma país onde se julga o sucesso de um político pelo fato dele ser reeleito e não pela qualidade do seu mandato. Se as usinas quiserem que o aumento da mistura venha mais rápido, terão que pensar dentro dessa lógica.

O jogo mudou. Agora as usinas vão ter que trabalhar politicamente. Vão precisar mostrar que, em termos eleitorais, é melhor para o governo que haja o aumento da mistura de biodiesel. É uma partida do "impacto mínimo na inflação" versus "benefícios para o país, para o governo e para a permanência no poder". Ganha o jogo aquele que transmitir a sensação de que trará mais votos para a candidata à reeleição. Infelizmente.

Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com
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