Miguel Angelo

Fechamento das usinas da Ecodiesel: motivos e impressões


Miguel Angelo Vedana - 16 dez 2009 - 15:22 - Última atualização em: 07 mar 2012 - 18:46

A Brasil Ecodiesel oficializou ontem a desativação das usinas de Crateús e Floriano. Trata-se de uma ato formal, já que na prática a usina de Crateús está parada desde abril e a de Floriano desde maio deste ano. Como a empresa está na iminência de lançar seu plano estratégico (que sairá até o final de janeiro), o anúncio agora dessas desativações, depois de tanto tempo sem produzir, é uma surpresa.

Visualizo dois motivos que podem ter levado a empresa a antecipar esse anúncio. O primeiro seria contábil. A empresa prefere registrar a desativação dessas usinas no ano fiscal de 2009, para que em 2010 seu resultado anual não seja afetado por essa decisão. O segundo seria o selo social. É sabido que ela está com quatro usinas na fase final de um processo administrativo no MDA para a perda do selo. A intenção do MDA era que no começo de novembro as quatro usinas já estivessem sem o selo, mas empresa recorreu, postergando a decisão.

Como o MDA não fala sobre o assunto, não é possível saber quando será concluído o processo. Contudo, o anúncio da desativação das usinas pode ser um sinal de que o resultado do processo administrativo está prestes a sair. Isso porque se o resultado da perda saísse com as usinas em atividades, o dano a imagem da empresa seria muito maior. Dessa forma, anteciparam parte dos planos para evitar um prejuízo maior.

Qualquer que seja a razão, o fechamento das usinas pode ser vista como uma boa notícia para a empresa. Obviamente seria muito melhor se as usinas tivessem sido vendidas ou arrendadas, mas eram opções difíceis de se concretizarem tendo em vista os problemas das unidades. O caminho da Ecodiesel para alcançar a competitividade passará por decisões duras e inicialmente negativas como o fechamento de usinas, mas no longo prazo é um fato positivo.

Miguel Angelo Vedana é diretor executivo da BiodieselBR