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Unicamp transfere à iniciativa privada tecnologia de obtenção de biodiesel

O primeiro contrato será firmado com a empresa BioCamp, de Mato Grosso, para uma produção inicial de 10 mil litros por dia.
Agência Brasil 3 min de leitura
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) firma hoje (16), às 16 horas, contrato de licenciamento para transferência à iniciativa privada de uma nova tecnologia para obtenção de biodiesel. Trata-se de um catalisador de capaz de transformar gordura animal e óleos vegetais em biodiesel.

O primeiro contrato será firmado com a empresa BioCamp, de Mato Grosso, para uma produção inicial de 10 mil litros por dia. A tecnologia foi desenvolvida em laboratório da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), com a participação de pesquisadores de outras unidades da Unicamp.

Unicamp inova em tecnologia para produzir biodiesel

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) licenciou a patente de um catalisador de terceira geração, capaz de transformar gordura animal e óleos vegetais em biodiesel, com vantagens sobre os atuais reagentes utilizados nos processos. O licenciamento foi feito nesta segunda para a BioCamp Indústria e Comércio de Biodiesel Ltda, de Campo Grande (Mato Grosso) que começará a produzir biodiesel com tecnologia da Unicamp a partir do final desse mês.

O sócio-proprietário da empresa, Luís Fernando Cabrino informou que estão sendo investidos R$ 10 milhões na implantação da planta de produção e que, assim que começar a produzir, irá gerar 120 empregos diretos. O presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) vai inaugurar a empresa dia 7 de maio.

O biodiesel será produzido a partir de caroço de algodão, pinhão manso, girassol e soja que serão fornecidos por 700 famílias da região que integram o programa de agricultura familiar comandado pela Prefeitura local e pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). A planta industrial tem capacidade de produção de 60 milhões de litros anuais e deve começar com uma produção de 10 mil litros por dia. A planta industrial também foi desenvolvida pela universidade.

O catalisador foi obtido pelo pesquisador Osvaldo Cândido Lopes da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri). O catalisador, ou reagente, é essencial no processo de transformação do óleo vegetal em óleo combustível. O pesquisador explica que o biocombustível é resultado de uma reação química, chamada de transeterificação, entre um ácido graxo e um álcool (ou um etanol obtido de cana ou o metanol, de cereais e madeira). A reação química produz glicerina e diesel. A glicerina é separada para outras utilidades (por exemplo, fabricar sabão) e o biodiesel, que pode ser obtido de qualquer óleo, inclusive banha de porco pode ser utilizado como combustível puro, na forma de mistura como complemento ao diesel extraído de petróleo, ou em baixas proporções como aditivo. O biodisel é chamado de "combustível social" uma vez que promove a inclusão social e o desenvolvimento sustentável de agricultores familiares. A legislação atual determina que o diesel deve ter uma adição de 2% de óleo vegetal ou animal e em 2010 será obrigatória a adição de 5%.

Maria Teresa Costa / Agência Anhangüera
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