A União Européia concluiu nesta quinta-feira seu primeiro dia de cúpula em Bruxelas, sem chegar a um acordo sobre uma meta mínima de energias renováveis, embora a chanceler alemã, Angel Merkel, esperasse alcançar esse compromisso na sexta-feira como bandeira mundial contra a mudança climática.
"Ainda não há acordo. Todos temos de mostrar um pouco de paciência. É necessário continuar discutindo", admitiu Merkel, cujo país exerce a presidência da UE, na coletiva de imprensa ao final dos primeiros debates entre os 27 chefes de Estado e de Governo europeus sobre os compromissos a adotar para combater o aquecimento global.
A prudência da chanceler alemã, que defende uma cota obrigatória de desenvolvimento das energias renováveis na UE, foi um balde de água fria no anúncio de um princípio de acordo formulado antes pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.
A questão é definir o caráter vinculatório ou não do percentual de 20% de energia renovável (eólica, hidráulica, geotérmica, solar ou proveniente da biomassa), que se pretende impor no consumo total do bloco europeu até 2020, em vez dos atuais 7%, assim como o papel da energia nuclear.
Alguns Estados-membros reticentes, como França e Finlândia, aceitaram a proposta da meta dos 20% obrigatórios, sob a condição de que a futura distribuição do esforço deste percentual leve em conta as especificidades energéticas - entre elas, o peso da energia nuclear.
O presidente francês, Jacques Chirac, pediu que "a divisão do esforço sobre as (energias) renováveis leve em conta o lugar das outras energias de baixa emissão de dióxido de carbono - nuclear e carvão limpo - nas eleições energéticas nacionais".
De qualquer modo, Merkel se negou a pôr em pé de igualdade as energias "limpas" e a nuclear. "A energia nuclear não é energia renovável, não pode ser classificada como renovável", disse, ao rejeitar a proposta francesa sobre um conjunto de fontes energéticas "de baixo conteúdo de carbono".
Esta iniciativa da França se chocava com a oposição taxativa de Áustria, Irlanda e Itália.
"Seria absurdo dizer que a energia nuclear é uma energia 'verde'. Seria um mau sinal da Europa. O nuclear não é a boa resposta para a crise climática", advertiu o chanceler austríaco, Alfred Gusenbauer, lembrando dos problemas de segurança e do tratamento dos dejetos.
No momento, a exploração das energias renováveis (fontes de eletricidade, combustíveis, ou calefação com baixa emissão de dióxido de carbono) é efetuada por um punhado de países, através das energias eólica, solar, geotérmica, hidrelétrica, além da biomassa, da instalação de estações de tratamento de esgoto, de sistemas de biogás e biocombustível.
Apesar das boas intenções, a promessa corre o risco de não ser cumprida, como ocorreu com uma estratégia para o mesmo setor lançada há uma década pela UE.
A Europa, campeã mundial das energias renováveis, tinha fixado em seu primeiro objetivo global estabelecer 12% de energias renováveis dentro do consumo total da União Européia em 2010.
Segundo especialistas da Comissão, porém, essa parte não chegou a ultrapassar os 10%. Esta falta de dinamismo é explicada pelo "elevado custo" dos investimentos, além da "complexidade, da novidade e do caráter descentralizado" das energias renováveis.
A Comissão ressalta que os progressos registrados "são, em grande parte, o resultado dos esforços de alguns Estados-membros que demonstraram determinação".
Cada Estado-membro fixou em 2001 um objetivo nacional para sua parte de consumo de eletricidade produzida a partir de fontes de energia renovável em 2010. Esta cota deveria alcançar 21% do consumo total de eletricidade da UE.
Embora o setor tenha registrado avanços consideráveis e a UE tenha obtido cerca de 19% de eletricidade gerada por energias "limpas", somente nove países cumpriram a meta nacional imposta: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Hungria, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Suécia.
O setor dos biocombustíveis (únicos substitutos em larga escala da gasolina e do óleo combustível nos transportes) ainda se encontra em estado embrionário.
Apenas França, Suécia e Alemanha utilizam mais de 1% de "bios" em seu consumo total de combustíveis.
"Ainda não há acordo. Todos temos de mostrar um pouco de paciência. É necessário continuar discutindo", admitiu Merkel, cujo país exerce a presidência da UE, na coletiva de imprensa ao final dos primeiros debates entre os 27 chefes de Estado e de Governo europeus sobre os compromissos a adotar para combater o aquecimento global.
A prudência da chanceler alemã, que defende uma cota obrigatória de desenvolvimento das energias renováveis na UE, foi um balde de água fria no anúncio de um princípio de acordo formulado antes pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.
A questão é definir o caráter vinculatório ou não do percentual de 20% de energia renovável (eólica, hidráulica, geotérmica, solar ou proveniente da biomassa), que se pretende impor no consumo total do bloco europeu até 2020, em vez dos atuais 7%, assim como o papel da energia nuclear.
Alguns Estados-membros reticentes, como França e Finlândia, aceitaram a proposta da meta dos 20% obrigatórios, sob a condição de que a futura distribuição do esforço deste percentual leve em conta as especificidades energéticas - entre elas, o peso da energia nuclear.
O presidente francês, Jacques Chirac, pediu que "a divisão do esforço sobre as (energias) renováveis leve em conta o lugar das outras energias de baixa emissão de dióxido de carbono - nuclear e carvão limpo - nas eleições energéticas nacionais".
De qualquer modo, Merkel se negou a pôr em pé de igualdade as energias "limpas" e a nuclear. "A energia nuclear não é energia renovável, não pode ser classificada como renovável", disse, ao rejeitar a proposta francesa sobre um conjunto de fontes energéticas "de baixo conteúdo de carbono".
Esta iniciativa da França se chocava com a oposição taxativa de Áustria, Irlanda e Itália.
"Seria absurdo dizer que a energia nuclear é uma energia 'verde'. Seria um mau sinal da Europa. O nuclear não é a boa resposta para a crise climática", advertiu o chanceler austríaco, Alfred Gusenbauer, lembrando dos problemas de segurança e do tratamento dos dejetos.
No momento, a exploração das energias renováveis (fontes de eletricidade, combustíveis, ou calefação com baixa emissão de dióxido de carbono) é efetuada por um punhado de países, através das energias eólica, solar, geotérmica, hidrelétrica, além da biomassa, da instalação de estações de tratamento de esgoto, de sistemas de biogás e biocombustível.
Apesar das boas intenções, a promessa corre o risco de não ser cumprida, como ocorreu com uma estratégia para o mesmo setor lançada há uma década pela UE.
A Europa, campeã mundial das energias renováveis, tinha fixado em seu primeiro objetivo global estabelecer 12% de energias renováveis dentro do consumo total da União Européia em 2010.
Segundo especialistas da Comissão, porém, essa parte não chegou a ultrapassar os 10%. Esta falta de dinamismo é explicada pelo "elevado custo" dos investimentos, além da "complexidade, da novidade e do caráter descentralizado" das energias renováveis.
A Comissão ressalta que os progressos registrados "são, em grande parte, o resultado dos esforços de alguns Estados-membros que demonstraram determinação".
Cada Estado-membro fixou em 2001 um objetivo nacional para sua parte de consumo de eletricidade produzida a partir de fontes de energia renovável em 2010. Esta cota deveria alcançar 21% do consumo total de eletricidade da UE.
Embora o setor tenha registrado avanços consideráveis e a UE tenha obtido cerca de 19% de eletricidade gerada por energias "limpas", somente nove países cumpriram a meta nacional imposta: Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Hungria, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Suécia.
O setor dos biocombustíveis (únicos substitutos em larga escala da gasolina e do óleo combustível nos transportes) ainda se encontra em estado embrionário.
Apenas França, Suécia e Alemanha utilizam mais de 1% de "bios" em seu consumo total de combustíveis.