O Brasil deu início à corrida pelo biocombustível. A tarefa, para os próximos anos, é levá-lo dos laboratórios para a indústria
LEI SOCIAL A partir de 2008, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel Dizem que quando existe talento natural, o universo conspira a favor. Quando os veículos flex entraram em cena em 2003, as montadoras apostavam no apelo de um energético que fosse social e ambientalmente correto, além de amigo do bolso: o etanol. Esse embrião dos biocombustíveis fez tanto sucesso entre os brasileiros que, hoje, a cada dez automóveis fabricados no País, sete são flex, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Agora, a aposta é maior. Com o advento do biodiesel, o Brasil, que já é o maior produtor e exportador do etanol no mundo, passou a aspirar à liderança global do setor dos combustíveis alternativos. Ousado? Nem um pouco. Além de o território nacional abrigar a maior floresta tropical do planeta, há abundância de recursos hídricos e de terra para plantio.
Existem pesquisas avançadas com espécies vegetais oleaginosas, profissionais preparados e, acima de tudo, existe procura. Muita procura. Surgem projetos, investe-se dinheiro e abrem-se as fronteiras agrícolas. Por tudo isso, o governo fecha 2006 com uma promessa: até o início do próximo ano, 3,5 mil postos venderão o biodiesel.
Foi o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há dois anos como uma oportunidade de inclusão social, que forçou o surgimento dessa demanda no mercado interno. Isso porque a Lei 11.097, de janeiro de 2005, tornou obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel comercializado a partir de 2008. Deflagrou-se entre empresas uma corrida pela introdução do biocombustível à matriz energética do País. “É uma grande oportunidade de negócio. O Brasil pode se tornar um importante produtor mundial”, afirma Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp. Um grupo que já garantiu seu lugar no filão é a Paludo Participações. Controladora da Vipal, a maior produtora de matéria-prima para reforma de pneumáticos do País, a holding comprou em novembro participação na BSBios, empresa gaúcha organizada em 2005 com capacidade para produzir 100 milhões de litros de biodiesel/ano. “Queremos acompanhar o desenvolvimento das tecnologias agora para ter uma posição confortável no futuro”, diz Renan Lima, diretor financeiro da Vipal.
Os projetos, pioneiros, estendem-se por todo o País, principalmente nas regiões onde é possível produzir óleos vegetais a partir de culturas pouco exigentes em termos de terras, água e insumos agrícolas.
O Nordeste ganhou destaque especial em 2006: tornou-se o maior produtor de matéria-prima para a fabricação de biodiesel no Brasil. Só da Bahia vem 90% da produção nacional de mamona. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia (Fetag-BA) comemora os resultados. “Apesar de recente, o programa já trouxe um impacto forte e visível”, diz Érico Sampaio, coordenador do Programa de Biodiesel da Fetag-BA. Segundo ele, há uma retomada da área do plantio e uma engrenagem para que a agricultura familiar volte a produzir a mamona, o dendê e o girassol, insumos para a produção do biodiesel. “Foi um ano importante para a valorização do produto”, festeja Sampaio.
No Sul e Sudeste, a aposta que vingou foi o H-Bio. Inventado pelo engenheiro químico Jefferson Roberto Gomes, o composto, patenteado pela Petrobras, agrega óleos vegetais ao diesel, reduzindo em 25% a demanda de importações do derivado pelo País, orçada em US$ 1 bilhão em 2005.
Apesar dos avanços em 2006, para o Brasil consolidar-se como líder mundial há muito chão pela frente. Os projetos anunciados pelas empresas brasileiras precisarão de R$ 700 milhões em investimentos. O biodiesel só será viável a partir de um programa de incentivos e estímulos governamentais que permitam o desenvolvimento tecnológico dos processos de conversão dos óleos vegetais. “Os bancos precisam participar com o crédito.
O governo precisa colocar capital na formação de agricultores, em assistência técnica, em material genético para melhorar a produtividade”, explica Sampaio. Outro problema: como o País se tornou o holofote do biocombustível no mundo, as multinacionais estão vindo com velocidade e comprando milhares de hectares de terra sem fiscalização federal. “A implementação dos biocombustíveis está mais relacionada a fatores políticos e de política agrícola do que técnicos”, conclui Peres, da Unicamp.
LEI SOCIAL A partir de 2008, será obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel Dizem que quando existe talento natural, o universo conspira a favor. Quando os veículos flex entraram em cena em 2003, as montadoras apostavam no apelo de um energético que fosse social e ambientalmente correto, além de amigo do bolso: o etanol. Esse embrião dos biocombustíveis fez tanto sucesso entre os brasileiros que, hoje, a cada dez automóveis fabricados no País, sete são flex, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Agora, a aposta é maior. Com o advento do biodiesel, o Brasil, que já é o maior produtor e exportador do etanol no mundo, passou a aspirar à liderança global do setor dos combustíveis alternativos. Ousado? Nem um pouco. Além de o território nacional abrigar a maior floresta tropical do planeta, há abundância de recursos hídricos e de terra para plantio.
Existem pesquisas avançadas com espécies vegetais oleaginosas, profissionais preparados e, acima de tudo, existe procura. Muita procura. Surgem projetos, investe-se dinheiro e abrem-se as fronteiras agrícolas. Por tudo isso, o governo fecha 2006 com uma promessa: até o início do próximo ano, 3,5 mil postos venderão o biodiesel.
Foi o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há dois anos como uma oportunidade de inclusão social, que forçou o surgimento dessa demanda no mercado interno. Isso porque a Lei 11.097, de janeiro de 2005, tornou obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel comercializado a partir de 2008. Deflagrou-se entre empresas uma corrida pela introdução do biocombustível à matriz energética do País. “É uma grande oportunidade de negócio. O Brasil pode se tornar um importante produtor mundial”, afirma Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp. Um grupo que já garantiu seu lugar no filão é a Paludo Participações. Controladora da Vipal, a maior produtora de matéria-prima para reforma de pneumáticos do País, a holding comprou em novembro participação na BSBios, empresa gaúcha organizada em 2005 com capacidade para produzir 100 milhões de litros de biodiesel/ano. “Queremos acompanhar o desenvolvimento das tecnologias agora para ter uma posição confortável no futuro”, diz Renan Lima, diretor financeiro da Vipal.
R$ 700 MILHÕES
Será o investimento necessário para transformar em realidade os projetos já anunciados pelas empresas brasileiras.Os projetos, pioneiros, estendem-se por todo o País, principalmente nas regiões onde é possível produzir óleos vegetais a partir de culturas pouco exigentes em termos de terras, água e insumos agrícolas.
O Nordeste ganhou destaque especial em 2006: tornou-se o maior produtor de matéria-prima para a fabricação de biodiesel no Brasil. Só da Bahia vem 90% da produção nacional de mamona. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia (Fetag-BA) comemora os resultados. “Apesar de recente, o programa já trouxe um impacto forte e visível”, diz Érico Sampaio, coordenador do Programa de Biodiesel da Fetag-BA. Segundo ele, há uma retomada da área do plantio e uma engrenagem para que a agricultura familiar volte a produzir a mamona, o dendê e o girassol, insumos para a produção do biodiesel. “Foi um ano importante para a valorização do produto”, festeja Sampaio.
No Sul e Sudeste, a aposta que vingou foi o H-Bio. Inventado pelo engenheiro químico Jefferson Roberto Gomes, o composto, patenteado pela Petrobras, agrega óleos vegetais ao diesel, reduzindo em 25% a demanda de importações do derivado pelo País, orçada em US$ 1 bilhão em 2005.
Apesar dos avanços em 2006, para o Brasil consolidar-se como líder mundial há muito chão pela frente. Os projetos anunciados pelas empresas brasileiras precisarão de R$ 700 milhões em investimentos. O biodiesel só será viável a partir de um programa de incentivos e estímulos governamentais que permitam o desenvolvimento tecnológico dos processos de conversão dos óleos vegetais. “Os bancos precisam participar com o crédito.
O governo precisa colocar capital na formação de agricultores, em assistência técnica, em material genético para melhorar a produtividade”, explica Sampaio. Outro problema: como o País se tornou o holofote do biocombustível no mundo, as multinacionais estão vindo com velocidade e comprando milhares de hectares de terra sem fiscalização federal. “A implementação dos biocombustíveis está mais relacionada a fatores políticos e de política agrícola do que técnicos”, conclui Peres, da Unicamp.