Um grande número de combustíveis alternativos deverá surgir como opção ao petróleo caro, nas próximas décadas. Poucos, porém, deverão ser os escolhidos para ocupar, gradativamente, o lugar dominante hoje reservado aos derivados petrolíferos. Essa é a principal razão do engajamento apaixonado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha pelo biocombustível desenvolvido no país. Não é uma campanha nascida do entusiasmo do presidente com alguma palestra casual ouvida no Palácio do Planalto. É projeto de governo para além do segundo mandato de Lula e uma das prioridades do discreto Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, o NAE.
Foi gerada no NAE também a idéia aventada por Lula, em conversa com o líder oposicionista Arthur Virgílio (PSDB-AM), de um conselho de ex-presidentes, para discutir e atuar nas grandes questões nacionais. Só que, como explica o chefe do NAE, coronel Oswaldo Oliva Neto, a idéia acalentada pelo núcleo é a formação de um conselho com ex-presidentes dos três poderes e não para "assessorar" o presidente da República, como chegou a ser anunciado, mas para traçar projetos suprapartidários em torno das principais questões nacionais.
"O conselho seria autônomo e criaria projetos de Lei de Responsabilidade Estratégica, para orientar o rumo de políticas públicas nos governos federal, estaduais e municipais", explica Oliva Neto, que vê nesses projetos de políticas nacionais um modo de reduzir a dispersão de esforços e o desencontro de ações nos vários níveis de governo. Pesquisas de opinião realizadas pelo NAE constataram que a população vê a melhoria da educação básica como o principal problema a ser resolvido para fazer do Brasil um país desenvolvido nos próximos 15 anos. Bom assunto, portanto, para o conselho de ex-presidentes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Logo a seguir, outro problema é a definição da matriz de combustíveis nacional - quais produtos usar para fazer funcionar máquinas e meios de transporte no território brasileiro.
Esse último tema, o futuro da matriz energética brasileira, foi objeto de estudo patrocinado pelo NAE, com Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ e o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos do Ministério de Ciência e Tecnologia, que será apresentado hoje, em Brasília. "Temos de transformar nossa opção tecnológica pelo etanol, o biodiesel e o Hbio em padrão mundial, senão o aumento no preço de petróleo pode levar a encontrarem diferentes alternativas", comenta o coronel Oswaldo Oliva Neto.
O estudo da UFRJ, coordenado por Helder Queiroz Pinto Júnior, avalia que, até 2022, o petróleo e seus derivados continuarão a ser as principais fontes de energia usadas para diversas finalidades, do uso industrial aos transportes, mas que a estabilização dos preços do barril acima de US$ 40 deverá viabilizar alternativas para a matriz energética. "Existe um número elevado de alternativas (de produção de combustíveis) que passarão por um processo de seleção e convergência, ao final do qual algumas serão escolhidas em detrimento de outras", diz o estudo.
Um mundo possível, com o barril do petróleo cotado acima de US$ 80, poderá até exigir imposição de cotas de exportação para o etanol, prevê o estudo. Oliva sugere a criação de uma agência autônoma interministerial, vagamente parecida com a atual Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), para concentrar e coordenar as ações do governo nesse novo mundo dos biocombustíveis. Uma questão crítica será a definição dos impostos sobre os combustíveis, que ditarão os preços relativos do setor e conduzirão as preferências dos consumidores. A tributação terá de ter transparência e podem ser necessários subsídios para viabilizar combustíveis alternativos, diz o NAE.
Os indicadores mundiais mostram um crescimento dos preços do combustível fóssil, que tornará atrativas as alternativas em estudo - do etanol à célula de hidrogênio. Nesse cenário, recomendam os especialistas, o que importa é prever o preço dos combustíveis líquidos que irá acender o interesse pelas alternativas ao petróleo convencional (sabendo que o avanço dos preços e das tecnologias tende a tornar "convencional" o que antes parecia ficção científica).
O estudo mostra que, apesar das incertezas em relação ao fornecimento (como bem mostra a Bolívia nacionalista), não há como negar um papel importante ao gás natural na matriz energética brasileira. Na hipótese mais otimista, o país chegaria a 2022 consumindo 140 milhões de metros cúbicos só em gás natural para uso de veículos; no cenário mais pessimista, a demanda pelo produto seria de 65 milhões de metros cúbicos diários, cerca de uma vez e meia o consumo atual.
Em todos os cenários, o Brasil tem experiência, vantagens comparativas e competitivas para a produção e comercialização do etanol e biocmbustível - que, como apontam os especialistas, permitiria a liderança do Brasil não só na produção e exportação do combustível como na venda externa de serviços e soluções tecnológicas ligadas ao setor.
Há muitos desafios e incertezas ligados aos projetos de mudança da matriz energética nacional, com ênfase nos biocombustíveis. O mérito da iniciativa do NAE é mostrar que, por mais importante que sejam os sinais de mercado, o país tem de se preparar para ter parte ativa nas definições sobre o futuro do mercado de combustíveis, com decisões que terão de ser tomadas já no próximo ano e poderão determinar que país teremos no ano do bicentenário da Independência.
Sergio Leo
Foi gerada no NAE também a idéia aventada por Lula, em conversa com o líder oposicionista Arthur Virgílio (PSDB-AM), de um conselho de ex-presidentes, para discutir e atuar nas grandes questões nacionais. Só que, como explica o chefe do NAE, coronel Oswaldo Oliva Neto, a idéia acalentada pelo núcleo é a formação de um conselho com ex-presidentes dos três poderes e não para "assessorar" o presidente da República, como chegou a ser anunciado, mas para traçar projetos suprapartidários em torno das principais questões nacionais.
"O conselho seria autônomo e criaria projetos de Lei de Responsabilidade Estratégica, para orientar o rumo de políticas públicas nos governos federal, estaduais e municipais", explica Oliva Neto, que vê nesses projetos de políticas nacionais um modo de reduzir a dispersão de esforços e o desencontro de ações nos vários níveis de governo. Pesquisas de opinião realizadas pelo NAE constataram que a população vê a melhoria da educação básica como o principal problema a ser resolvido para fazer do Brasil um país desenvolvido nos próximos 15 anos. Bom assunto, portanto, para o conselho de ex-presidentes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Logo a seguir, outro problema é a definição da matriz de combustíveis nacional - quais produtos usar para fazer funcionar máquinas e meios de transporte no território brasileiro.
Esse último tema, o futuro da matriz energética brasileira, foi objeto de estudo patrocinado pelo NAE, com Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ e o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos do Ministério de Ciência e Tecnologia, que será apresentado hoje, em Brasília. "Temos de transformar nossa opção tecnológica pelo etanol, o biodiesel e o Hbio em padrão mundial, senão o aumento no preço de petróleo pode levar a encontrarem diferentes alternativas", comenta o coronel Oswaldo Oliva Neto.
O estudo da UFRJ, coordenado por Helder Queiroz Pinto Júnior, avalia que, até 2022, o petróleo e seus derivados continuarão a ser as principais fontes de energia usadas para diversas finalidades, do uso industrial aos transportes, mas que a estabilização dos preços do barril acima de US$ 40 deverá viabilizar alternativas para a matriz energética. "Existe um número elevado de alternativas (de produção de combustíveis) que passarão por um processo de seleção e convergência, ao final do qual algumas serão escolhidas em detrimento de outras", diz o estudo.
Preço deve viabilizar alternativas ao petróleo
No caso do Brasil, o estudo do NAE prevê a necessidade de maior coordenação no governo e intervenção estatal no setor de biocombustíveis, para evitar que a tentação do mercado externo ameace seriamente a segurança do abastecimento interno. Os especialistas recomendam também a criação de uma rede de pesquisadores, executivos e órgãos públicos vinculados à pesquisa e uso de biocombustíveis, a exemplo do que foi feito com o gás natural no projeto conhecido como Redegás.Um mundo possível, com o barril do petróleo cotado acima de US$ 80, poderá até exigir imposição de cotas de exportação para o etanol, prevê o estudo. Oliva sugere a criação de uma agência autônoma interministerial, vagamente parecida com a atual Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), para concentrar e coordenar as ações do governo nesse novo mundo dos biocombustíveis. Uma questão crítica será a definição dos impostos sobre os combustíveis, que ditarão os preços relativos do setor e conduzirão as preferências dos consumidores. A tributação terá de ter transparência e podem ser necessários subsídios para viabilizar combustíveis alternativos, diz o NAE.
Os indicadores mundiais mostram um crescimento dos preços do combustível fóssil, que tornará atrativas as alternativas em estudo - do etanol à célula de hidrogênio. Nesse cenário, recomendam os especialistas, o que importa é prever o preço dos combustíveis líquidos que irá acender o interesse pelas alternativas ao petróleo convencional (sabendo que o avanço dos preços e das tecnologias tende a tornar "convencional" o que antes parecia ficção científica).
O estudo mostra que, apesar das incertezas em relação ao fornecimento (como bem mostra a Bolívia nacionalista), não há como negar um papel importante ao gás natural na matriz energética brasileira. Na hipótese mais otimista, o país chegaria a 2022 consumindo 140 milhões de metros cúbicos só em gás natural para uso de veículos; no cenário mais pessimista, a demanda pelo produto seria de 65 milhões de metros cúbicos diários, cerca de uma vez e meia o consumo atual.
Em todos os cenários, o Brasil tem experiência, vantagens comparativas e competitivas para a produção e comercialização do etanol e biocmbustível - que, como apontam os especialistas, permitiria a liderança do Brasil não só na produção e exportação do combustível como na venda externa de serviços e soluções tecnológicas ligadas ao setor.
Há muitos desafios e incertezas ligados aos projetos de mudança da matriz energética nacional, com ênfase nos biocombustíveis. O mérito da iniciativa do NAE é mostrar que, por mais importante que sejam os sinais de mercado, o país tem de se preparar para ter parte ativa nas definições sobre o futuro do mercado de combustíveis, com decisões que terão de ser tomadas já no próximo ano e poderão determinar que país teremos no ano do bicentenário da Independência.
Sergio Leo