A superintendente de Qualidade de Produtos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Maria Antonieta Souza, deixou o seminário "Biodiesel - Combustível Limpo" que está sendo realizado no American Business Center, da Câmara de Comércio Americana do Rio (Amcham-Rio), sem fazer sua apresentação em protesto a declarações de Dora Zanin, da família Zanin, dona da empresa Seara Produtos Agropecuários, sediada no Paraná, mas que tem negócios em outros estados também como de soja em Mato Grosso do Sul.
Para Dora, é um erro o governo brasileiro incentivar a agricultura familiar no programa de biodiesel, que considera eleitoreiro, e também a produção do combustível a partir da mamona. "O pessoal da agricultura familiar não tem vocação para o plantio. O MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) reúne gente de área urbana e 80% dos assentados vendem a terra e vão achacar os produtores rurais".
No entanto, Dora foi contestada por vários palestrantes. "Discordo quando falam que a agricultura familiar não é viável porque é possível fazer consórcio ou cooperativa", disse a coordenadora adjunta do programa estadual de Biodiesel do Rio de Janeiro, Vera Bini. O subsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Alexandre Baratta, considera que o incentivo dado a agricultura familiar evita o êxodo rural e a violência urbana.
Para o presidente da Brasil EcoDiesel, Cláudio Silveira, há uma disputa no mundo entre os óleos vegetais para alimentação e para energia combustível. Por isso, acredita que a agricultura familiar e a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais produzidos em áreas não ocupadas pela agricultura intensiva e que não são alimentícios como os de mamona e palma são fundamentais para a participação do Brasil no mercado mundial de biodiesel.
O superintendente de Abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Roberto Ardenghy, concorda. Em entrevista à Agência Estado, Ardenghy disse que isso pode, inclusive, ter repercussões futuramente no comércio mundial deste produto, em que o Brasil tem um grande potencial, se forem colocadas barreiras sociais à importação por alguns países. Ardenghy lembra que no início deste mês, o gerente de Tecnologia de Combustíveis para Ásia e Pacífico da Shell, Eric Holthusen, disse que a empresa considera "moralmente inadequado" o uso para o biodiesel de produtos agrícolas que podem servir para alimentação e que a empresa está desenvolvendo biodiesel a partir de lascas de madeira e resíduos vegetais.
O economista da Petrobras Fábio Rosa de Carvalho considera que o Brasil tem a vantagem de sua grande extensão territorial. "No caso do Brasil, uma coisa não exclui a outra. Podemos produzir agricultura para alimentação e para energia", disse Carvalho. De acordo com ele, a produção de biodiesel no Brasil seria inviável se fosse feita apenas com a agricultura familiar.
Para Dora, é um erro o governo brasileiro incentivar a agricultura familiar no programa de biodiesel, que considera eleitoreiro, e também a produção do combustível a partir da mamona. "O pessoal da agricultura familiar não tem vocação para o plantio. O MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) reúne gente de área urbana e 80% dos assentados vendem a terra e vão achacar os produtores rurais".
No entanto, Dora foi contestada por vários palestrantes. "Discordo quando falam que a agricultura familiar não é viável porque é possível fazer consórcio ou cooperativa", disse a coordenadora adjunta do programa estadual de Biodiesel do Rio de Janeiro, Vera Bini. O subsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Alexandre Baratta, considera que o incentivo dado a agricultura familiar evita o êxodo rural e a violência urbana.
Empresas defendem produção do biodiesel com agricultura familiar
O papel do agronegócio e da agricultura familiar no biodiesel é motivo de um debate mais amplo do que o que levou à saída da superintendente de Qualidade de Produtos da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Maria Antonieta Souza, do seminário "Biodiesel - Combustível Limpo", promovido pela Câmara de Comércio Americana, no Rio de Janeiro.Para o presidente da Brasil EcoDiesel, Cláudio Silveira, há uma disputa no mundo entre os óleos vegetais para alimentação e para energia combustível. Por isso, acredita que a agricultura familiar e a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais produzidos em áreas não ocupadas pela agricultura intensiva e que não são alimentícios como os de mamona e palma são fundamentais para a participação do Brasil no mercado mundial de biodiesel.
O superintendente de Abastecimento da Agência Nacional do Petróleo, Roberto Ardenghy, concorda. Em entrevista à Agência Estado, Ardenghy disse que isso pode, inclusive, ter repercussões futuramente no comércio mundial deste produto, em que o Brasil tem um grande potencial, se forem colocadas barreiras sociais à importação por alguns países. Ardenghy lembra que no início deste mês, o gerente de Tecnologia de Combustíveis para Ásia e Pacífico da Shell, Eric Holthusen, disse que a empresa considera "moralmente inadequado" o uso para o biodiesel de produtos agrícolas que podem servir para alimentação e que a empresa está desenvolvendo biodiesel a partir de lascas de madeira e resíduos vegetais.
O economista da Petrobras Fábio Rosa de Carvalho considera que o Brasil tem a vantagem de sua grande extensão territorial. "No caso do Brasil, uma coisa não exclui a outra. Podemos produzir agricultura para alimentação e para energia", disse Carvalho. De acordo com ele, a produção de biodiesel no Brasil seria inviável se fosse feita apenas com a agricultura familiar.