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Setor quer antecipar programa de biodiesel para elevar preço da soja

Com a crise vivida pelo setor agrícola brasileiro, a saída apontada pelo setor é antecipar o B5, programa de biocombustíveis previsto para 2013 e que prevê a mistura de 5% de biodiesel de soja ao óleo diesel.
Folha de S. Paulo 2 min de leitura
Com a crise vivida pelo setor agrícola brasileiro, a saída apontada pelo setor é antecipar o B5, programa de biocombustíveis previsto para 2013 e que prevê a mistura de 5% de biodiesel de soja ao óleo diesel.

A afirmação foi feita por Sérgio Magalhães, presidente da Agrishow, e Rubens Dias de Morais, vice-presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

A medida consumiria 15% da produção de soja brasileira -o equivalente a 5% da produção mundial, de acordo com a Agrishow- e faria com que os preços da soja no mercado subissem, já que a oferta seria enxugada, causando um equilíbrio em todo o sistema agrícola.

A safra brasileira de soja é estimada em 54 milhões a 55 milhões de toneladas para este ano.

Medida é para "hoje"

"O programa tiraria 15% da soja do mercado, que não tem para quem vender. É preciso encontrar uma solução, e essa é uma boa medida para amenizar o impacto dessa crise", disse Magalhães.

Ontem, na abertura da feira no Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste, enquanto o presidente da feira fazia o pedido ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, Morais interrompeu-o no momento e afirmou que a medida tinha de ser aplicada "hoje". "Acreditamos que essa medida pode dar sustentabilidade para a soja", disse o presidente da feira.

Rodrigues afirmou que o plano de safra do Ministério da Agricultura para o ano que vem será lançado até o final deste mês e que o programa estrutural da pasta contemplará o biodiesel de soja.

Em entrevista após a abertura da feira, Rodrigues não deu detalhes sobre o programa, mas representantes de associações do setor disseram acreditar que a medida será adotada pelo governo.

"Nós não podemos esperar mais, já que o setor está doente e precisando de remédios. Não podemos esperar que ele morra", afirmou Morais.

Questionado se, em uma eventual subida dos preços da soja no mercado o setor deixaria de destinar os 5% para a produção de biodiesel, o vice-presidente da Abimaq disse que isso não acontecerá.
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