Espera-se que a UE continue a proteger sua indústria e tente retardar as
importações para contentar o poderoso lobby de agricultores.
A entidade que representa a indústria de biodiesel da União Européia previu na terça-feira que a maior parte das necessidades do bloco pelo produto deverá ser atendida com matérias-primas produzidas localmente até 2020, com as importações respondendo por apenas 20 por cento.
Raffaello Garofalo, secretário-geral do European Biodiesel Board (EBB, na sigla em inglês), disse ao Reuters Global Biofuel Summit que a produção anual de biodiesel da UE crescerá para cerca de 24 a 26 milhões de toneladas até 2020 para atender à nova meta da UE.
Como parte de uma política mais ampla para combater as mudanças climáticas anunciada na semana passada, a Comissão Européia propôs uma meta de uso de 10 por cento de biocombustíveis --biodiesel e etanol-- até 2010.
A UE tem atualmente uma meta não-obrigatória de 5,75 por cento de mistura de biocombustível, produzido a partir de grãos e óleos vegetais até 2010.
"Uma nova meta lançará uma dinâmica muito positiva para todos os 27 Estados-membros, à medida que todos eles irão desenvolver um mercado de biocombustível", disse Garofalo.
A EBB inicialmente disse que estava desapontada com a meta porque os esboços dos planos do bloco indicavam um novo marco de 14 por cento, mas mais tarde houve uma mudança no número.
Segundo Garofalo, para conseguir atingir a meta, a indústria de biodiesel teria de aumentar a produção em 15 por cento ao ano, aumento que ele considerou que poderia ser obtido com o crescimento da produção doméstica de matérias-primas, como colza e óleo de sementes de girassol.
"Estou bem confiante no fato de a Europa ter esse potencial. Nós não estamos subestimando o potencial dos novos Estados-membros (Bulgária e Romênia, que se juntaram ao bloco em janeiro) para atender à meta", disse.
"Existe ainda mais espaço para importações, mas as matérias-primas da Europa vão permanecer como as principais, e o óleo de colza vai ser o principal insumo nos próximos anos."
A alta nos preços do petróleo e o crescente uso de diesel em carros na Europa tornaram a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais ainda mais atrativos no bloco. Alguns países da UE ainda dão incentivos extras para estimular a produção de combustíveis "verdes".
A maior parte do biodiesel produzido na Europa vem da produção doméstica da colza subsidiada. Mas a expansão da capacidade tem aumentado a competição com a indústria de alimentos por matéria-prima, cujos preços aumentaram acentuadamente e ampliaram espaço para importações mais baratas de óleos, como o de palma.
Analistas e autoridades da indústria, entretanto, esperam que a UE continue a proteger sua indústria e tente retardar as importações para contentar o poderoso lobby de agricultores.
ESPAÇO PARA IMPORTAÇÕES
Garofalo estimou que cerca de 20 por cento das necessidades para a produção de biodiesel serão atendidas com produtos importados em 2020, mas o foco permanecerá na produção doméstica de colza e de girassol.
Ele citou previsões da indústria de oleaginosas indicando que a produção de óleo de colza poderia ser impulsionada para 10-11 milhões de toneladas por ano, das quais 3 milhões seriam para atender a indústria de alimentos o restante destinado para a produção de biodiesel.
Mas outros analistas afirmam que isso poderia aumentar as despensas com grãos e criar um conflito com a indústria de alimentos.
A EBB estimou que a produção de biodiesel aumentou pelo menos 30 por cento no último ano, de 3,18 milhões de toneladas em 2005. Ele não quis fazer previsões para 2007.
A capacidade de produção de biodiesel da UE --que reponde por 80 por cento da produção mundial do combustível-- situou-se em 6 milhões de toneladas no ano passado, ele disse.
Por Anna Mudeva
Raffaello Garofalo, secretário-geral do European Biodiesel Board (EBB, na sigla em inglês), disse ao Reuters Global Biofuel Summit que a produção anual de biodiesel da UE crescerá para cerca de 24 a 26 milhões de toneladas até 2020 para atender à nova meta da UE.
Como parte de uma política mais ampla para combater as mudanças climáticas anunciada na semana passada, a Comissão Européia propôs uma meta de uso de 10 por cento de biocombustíveis --biodiesel e etanol-- até 2010.
A UE tem atualmente uma meta não-obrigatória de 5,75 por cento de mistura de biocombustível, produzido a partir de grãos e óleos vegetais até 2010.
"Uma nova meta lançará uma dinâmica muito positiva para todos os 27 Estados-membros, à medida que todos eles irão desenvolver um mercado de biocombustível", disse Garofalo.
A EBB inicialmente disse que estava desapontada com a meta porque os esboços dos planos do bloco indicavam um novo marco de 14 por cento, mas mais tarde houve uma mudança no número.
Segundo Garofalo, para conseguir atingir a meta, a indústria de biodiesel teria de aumentar a produção em 15 por cento ao ano, aumento que ele considerou que poderia ser obtido com o crescimento da produção doméstica de matérias-primas, como colza e óleo de sementes de girassol.
"Estou bem confiante no fato de a Europa ter esse potencial. Nós não estamos subestimando o potencial dos novos Estados-membros (Bulgária e Romênia, que se juntaram ao bloco em janeiro) para atender à meta", disse.
"Existe ainda mais espaço para importações, mas as matérias-primas da Europa vão permanecer como as principais, e o óleo de colza vai ser o principal insumo nos próximos anos."
A alta nos preços do petróleo e o crescente uso de diesel em carros na Europa tornaram a produção de biodiesel a partir de óleos vegetais ainda mais atrativos no bloco. Alguns países da UE ainda dão incentivos extras para estimular a produção de combustíveis "verdes".
A maior parte do biodiesel produzido na Europa vem da produção doméstica da colza subsidiada. Mas a expansão da capacidade tem aumentado a competição com a indústria de alimentos por matéria-prima, cujos preços aumentaram acentuadamente e ampliaram espaço para importações mais baratas de óleos, como o de palma.
Analistas e autoridades da indústria, entretanto, esperam que a UE continue a proteger sua indústria e tente retardar as importações para contentar o poderoso lobby de agricultores.
ESPAÇO PARA IMPORTAÇÕES
Garofalo estimou que cerca de 20 por cento das necessidades para a produção de biodiesel serão atendidas com produtos importados em 2020, mas o foco permanecerá na produção doméstica de colza e de girassol.
Ele citou previsões da indústria de oleaginosas indicando que a produção de óleo de colza poderia ser impulsionada para 10-11 milhões de toneladas por ano, das quais 3 milhões seriam para atender a indústria de alimentos o restante destinado para a produção de biodiesel.
Mas outros analistas afirmam que isso poderia aumentar as despensas com grãos e criar um conflito com a indústria de alimentos.
A EBB estimou que a produção de biodiesel aumentou pelo menos 30 por cento no último ano, de 3,18 milhões de toneladas em 2005. Ele não quis fazer previsões para 2007.
A capacidade de produção de biodiesel da UE --que reponde por 80 por cento da produção mundial do combustível-- situou-se em 6 milhões de toneladas no ano passado, ele disse.
Por Anna Mudeva