BiodieselBR
Publicidade

Matéria-prima do biodiesel precisa ser mais pesquisada

O novo combustível ganha mercado e milhares de hectares estão sendo cobertos pelas mais variadas culturas (pinhão manso, soja, algodão, girassol e principalmente mamona)
Gazeta Mercantil 3 min de leitura
Embrapa alerta que não há estudos sobre a viabilidade econômica de algumas culturas. Todos os dias, uma nova usina de biodiesel entra em atividade no Brasil. Segundo expectativa da Petrobras, a meta é atingir 2 bilhões de litros até 2012. O novo combustível ganha mercado e milhares de hectares estão sendo cobertos pelas mais variadas culturas (pinhão manso, soja, algodão, girassol e principalmente mamona), que servem como matéria-prima. Porém, ainda existem dúvidas sobre qual delas pode ser considerada a melhor para produzir o óleo que será misturado ao diesel.

Esta questão foi discutida pelo professor Napoleão Beltrão, chefe adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), durante a Conferência Biocombustíveis no Brasil, promovida pelo Internacional Business Communications (IBC), ontem em São Paulo. Para o professor, é preciso que sejam intensificadas pesquisas e que haja mais seriedade de alguns segmentos. Um exemplo mencionado pelo pesquisador é a produção de culturas ainda sem estudo sobre a viabilidade e sem sistema de produção definido, no caso, o pinhão manso, o algodão e a mamona.

"É preciso levar a sério as pesquisas. Muito se tem falado no pinhão manso, por exemplo, mas, por enquanto essa cultura é uma incógnita. São diversas variedades mas que não produzem grandes quantidades de óleo", afirmou Beltrão, que alertou também para a necessidade de uma atenção redobrada na utilização da mamona, por serem, venenosas. "Em momento de euforia, as sementes foram vendidas por até R$ 18,00 o kg, muita gente lucrou com isso", disse. Já em relação ao algodão, segundo ele, é preciso manter a qualidade da fibra para aumentar a produtividade e efetuar também um controle mais rigoroso de pragas, principalmente o bicudo.

Para resolver a questão da matéria-prima do biodiesel, o professor garante que a Embrapa é capaz de desenvolver uma mamona própria para ser utilizada no biodiesel. "Sabemos que são mais de 200 espécies que podem produzir óleo de qualidade. Se não desenvolvermos o mais rápido as pesquisas, na proporção que cresce o número de usinas pelo País, seremos obrigados a importar mamona, quem sabe a China", argumentou.

Citando o Nordeste, Beltrão afirmou que 14% da região é árida e não há pratica de conservação de solo. Atualmente, existem unidades naquela região que podem produzir até 350 mil litros/dia de biodiesel, porém, um dos grandes problemas é o tamanho das propriedades da agricultura familiar.

Para Frederique Rosa e Abreu, coordenador geral de agroenergia do Ministério da Agricultura, é preciso fomentar a cadeia produtiva. "É necessário que seja elaborado um programa novo e com mais fiscalização", disse. Segundo ele, no Mato Grosso, a cada dia surge uma nova usina de biodiesel e, pelo menos dez não estão dentro das normas da ANP, nem da Receita Federal. "A maior preocupação por lá é com a questão econômica, com a potência de motores sem a mínima preocupação com o meio ambiente", criticou.

Sobre a tecnologia, os participantes da Conferência foram unânimes. As usinas podem trabalhar com várias culturas, é só uma questão de adaptação. Chamaram a atenção para o dendê que pode produzir até 15 toneladas por hectare, o gergelim que contém 60% de óleo e a canola, a mais usada na Europa.

Ivonéte Dainese
Compartilhar: