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Lula: biocombustível será tratado com soberania

"Não podemos brincar com isso, como aconteceu com a borracha", disse, acrescentando que o Brasil perdeu soberania e hegemonia da borracha porque não tinha uma estratégia.
Agência Estado 3 min de leitura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (17) que o programa do biocombustível será tratado com status de soberania nacional. "Não podemos brincar com isso, como aconteceu com a borracha", disse, acrescentando que o Brasil perdeu soberania e hegemonia da borracha porque não tinha uma estratégia.

O presidente afirmou que, com os biocombustíveis, não se pode perder esta oportunidade e alertou aos sindicalistas presentes no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que é preciso definir a relação capital/trabalho neste momento em que o programa ainda é novo.

Durante discurso no CDES, o presidente disse "que podem chorar ou falar as mentiras que quiserem do Brasil", mas os biocombustíveis serão uma realidade no país daqui a 20 anos.

O conselho implementou um grupo de trabalho para debater o programa de biocombustível, que começará a discussão no dia 16 de agosto. "Na coordenação deste grupo de trabalho é preciso que se junte o que há de melhor neste país porque o biocombustível será um acontecimento inexorável", disse o presidente.

 Petróleo

Lula lembrou que esteve recentemente na Europa para discutir o assunto e rebateu as críticas ao programa brasileiro. Segundo ele, o petróleo não vai acabar, mas os biocombustíveis serão a melhor forma para reduzir a emissão de CO2.

"Não tenho dúvida de que é a forma mais prudencial, mais economicamente viável e mais ambientalmente correta", disse.

O presidente rechaçou as críticas de que biocombustíveis provocarão falta de alimentos. Segundo ele, as 850 milhões de pessoas que passam fome no mundo não são resultado de falta de alimentos, mas de alta de renda para comprá-los.

Ele disse que o grupo de trabalho terá "um bom pepino nas mãos" e terá que discutir questões como o direito de propriedade no Brasil. "Teremos que discutir se essas terras poderão ser vendidas para estrangeiros ou se terão que ficar nas mãos de brasileiros", disse.

Lula acrescentou que é necessário ter uma estratégia correta para o programa de biocombustíveis, para ajudar o Brasil, os países em desenvolvimento e o planeta.

Ainda em relação às críticas ao programa, Lula disse que os portugueses foram tão inteligentes que trouxeram a cana para o Brasil e não a levaram para a Amazônia, porque lá não se produz cana.

Segundo ele, é preciso vivenciar os dois lados da moeda pra saber "quanta coisa a gente fala sem ter informação". O presidente disse que lembra da sua época de sindicato quando falava coisas porque estavam na moda, mas não tinham substância. "Porque no concreto, no pão pão, queijo queijo, a discussão não pode ser ideológica".

 Aperfeiçoamento

Lula disse que é preciso encontrar um denominador comum para aperfeiçoar o programa do álcool, que nasceu no sufoco em 1975. Ele Lula elogiou a criação do flexfuel.

Segundo Lula, esse foi um "filé mignon" importante para a base de desenvolvimento de um setor estratégico. E disse que a partir do ano que vem já haverá a mistura do biodiesel no óleo diesel, mas que esse porcentual não será maior porque a indústria automotiva teve medo e o governo ficou acanhado.

O presidente comentou que viajará a vários países para divulgar o programa. "Quem quiser falar comigo, agora, fale o que quiser, mas vai ouvir sobre os biocombustíveis. O Brasil não pode abrir mão de dominar porque país nenhum do mundo tem as condições para produzir, como o Brasil", disse o presidente.
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