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Diversificação de insumo na produção de biodiesel beneficia agricultura familiar

A diversificação de matérias-prima para a produção do biodiesel, para não depender apenas da soja, é a tendência atual no setor.
Secom - MT 5 min de leitura
A diversificação de matérias-prima para a produção do biodiesel, para não depender apenas da soja, é a tendência atual no setor. Esta característica é necessária e foi relatada pelo diretor comercial da Tecbio, de Fortaleza (CE), engenheiro químico Adolfo Kalergis Viana, na palestra principal de abertura da 1ª Feira de Negócios Sustentáveis do Pequeno Produtor, promovida pelo Sebrae-MT e Governo do Estado.

O engenheiro classifica o andamento de empreendimentos dos biocombustíveis fundamentados na produção agrícola, extração de óleos vegetais e na produção do biodiesel. A Tecbio, detém desde 1977 a primeira patente de fabricação do produto, por meio do professor e proprietário, Expedito Parente. A empresa fornece tecnologia para processamento do combustível.

"É importante a diversificação de matéria-prima para evitar dependência da soja, commoditie que sofre influência do mercado internacional", diz. Em termos de produtividade, Viana, afirma que o óleo de dendê tem ganho de 5 mil quilos por hectare enquanto que a soja tem patamar de retorno de 380 quilos na mesma medida. Ele diz haver necessidade de inverter a hegemonia da soja como fonte de óleo vegetal, correspondente à 89,2% do total, segundo dados da OilWorld Annual 2005.

O potencial de desenvolvimento do biodiesel está em dois exemplos apresentados pelo engenheiro da Tecbio: "O Brasil é o segundo maior consumidor do diesel do mundo, com 40 bilhões de toneladas ao ano", afirma. "O Brasil tem como substituir 60% do diesel pelo biodiesel no mundo".

Ao destacar as vantagens do biodiesel, Viana listou a inserção da agricultura familiar e consequente geração de renda, a inclusão social e a arrecadação de divisas como os principais resultados dos empreendimentos. "Mato Grosso tem posição estratégica e logística fomentada pela soja. Vocês têm matéria-prima como a soja, algodão e girassol. A falta de matéria-prima é um problema para a produção de biodiesel", disse. Ele falou ainda que o desenvolvimento na pecuária possibilita a produção de sebo bovino, outro insumo para a produção do combustível.

Novas fontes

O desenvolvimento científico e tecnológico apontará no futuro maior percentual de extração de óleo de plantas, aponta. "Teremos com o avanço nas pesquisas um percentual de produção maior em óleo que no atual momento", calcula o engenheiro. O grão de girassol, informa, tem produtividade de até 48% de óleo. Atualmente há 100 tipos de plantas oleaginosas para a produção do biocombustível, afirma.

Viana comentou que grandes projetos iniciados têm como meta a busca de novas matérias-primas, como a mamona, o pinhão manso e outras. "Para iniciar o programa de biodiesel, é importante a mamona, o girassol e a soja", diz o engenheiro químico Adolfo Viana.

O representante da Tecbio disse que a empresa forneceu equipamentos em Mato Grosso à Usina Guariba, em Colniza (1.065 Km a Noroeste de Cuiabá), um projeto conjunto com a Universidade Federal de Mato Grosso e Eletronorte. A capacidade é de 2 mil litros por dia e a matéria-prima é fornecida por pequenos produtores.

Em todo o Brasil, a empresa fornece tecnologia de produção para a Brasil Ecodiesel nos Estados do Piauí (matriz em Floriano), Maranhão, Tocantins, Rio Grande do Sul, Ceará e Bahia. Em todos os Estados, as usinas são de capacidade de 300 toneladas/dia,  com exceção do Piauí que é 100 toneladas/dia. "Foram escolhidas pela empresa regiões sem grande produção agrícola e com agricultura familiar, por meio de incentivo", compara.

Além do pioneirismo nacional na produção e tecnologia do biocombustível, Viana enumerou a vanguarda da Tecbio no primeiro vôo, entre São José dos Campos e Brasília, em 1984, com uso de bioquerosene, substituto da querosene de aviação.

Ele disse que no final dos anos 1980 houve "aborto da idéia do biodiesel no Brasil", o que foi retomado no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004. Houve avanço na legislação e marco regulatório nesse sentido. Até este ano há autorização legal para a mistura de 2% do biodiesel no diesel, sendo obrigatório no período de 2008 até 2012 e a partir de 2013 haverá índice obrigatório de 5% na mistura.

"Há previsão em estudo para se chegar em alguns anos até 20%", diz.

Ganhos e vantagens

O engenheiro da Tecbio diz que há incentivo por parte empresa e empreendedores para a produção do biodiesel e consumo devido à melhoria dos aspectos ambiental, como a diminuição das emissões de gases do efeito estufa, grande preocupação de governos, estudiosos ambientalistas e sociedade em geral; social, pela geração de emprego e renda e inclusão social; e estratégico, na medida em que há transição do mundo para o combustível pós-petróleo e devido ao custo de três ou quatro vezes mais para sse transportar diesel para regiões como a Amazônica.

"Há vantagens, como o biodiesel ser combustível renovável, pois temos o balanço positivo de gás carbônico, que reduz dependência do diesel, promove o desenvolvimento da agricultura", afirma. "Para cada tonelada de biodiesel, você diminui 2,6% de gás carbônico", diz Viana.

Ele citou ainda os ganhos que podem ser obtidos com o subproduto glicerina da produção de biodiesel . "Há o uso da glicerina como ingrediente de alimentos, outros insumos agropecuários e polímeros. O Brasil absorve 40% da glicerina gerada na produção do biodiesel", indica potencial de crescimento para o excedente. "Há incentivo tecnológico para produzir e transformar a glicerina", afirma.

JONAS SILVA
Assessoria/Feipeq
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