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Carro híbrido é futuro da indústria

Os veículos híbridos, que combinam propulsão à combustão e à eletricidade, serão o “caminho até o futuro”, funcionando como um estágio intermediário até a maturação das células de hidrogênio.
Diário do Grande ABC 5 min de leitura
A tecnologia de célula de combustível, que reduz em 100% a emissão de poluentes se comparada ao motor de combustão interna, já que não usa petróleo, ainda está longe de alcançar viabilidade comercial, o que deve ocorrer somente daqui a 25 ou 30 anos. Até lá, os veículos híbridos, que combinam propulsão à combustão e à eletricidade, serão o “caminho até o futuro”, funcionando como um estágio intermediário até a maturação da nova tecnologia. Nesse sentido, o Brasil leva vantagem em relação a outros países, pois adotou o álcool em sua matriz energética e está próximo de fazer o mesmo com o biodiesel.

Essa é a opinião de Ed Kjaer, diretor de Transporte Elétrico da Southern California Edison, uma das maiores empresas de energia dos Estados Unidos, que falou ontem a especialistas durante o VE 2006 – 4º Seminário e Exposição de Veículos Elétricos, que termina hoje no Senai Mário Amato, em São Bernardo. A companhia americana mantém uma frota de 300 veículos híbridos do tipo plug-in, cuja bateria pode ser carregada na rede elétrica convencional e possibilita autonomia de até 40 milhas (cerca de 64 km), suficiente para dispensar o uso do motor de combustão interna em percursos urbanos.

“O veículo híbrido ainda é dependente do petróleo, mas vocês, do Brasil, levam larga vantagem porque dominam a tecnologia dos combustíveis renováveis. É possível desenvolver, por exemplo, um veículo híbrido que rode com álcool ou com biodiesel, que proporcionam grande redução na emissão de gases poluentes e diminuem a dependência do petróleo”, explica. O especialista acredita que a viabilidade comercial dessa tecnologia será mais rapidamente alcançada se o mercado mundial de petróleo seguir em trajetória ascendente. “Não se trata apenas de uma questão de mercado, mas também de segurança energética. Porém, com o barril na casa dos US$ 80, US$ 100, o que deve ocorrer em pouco tempo, o desenvolvimento de veículos elétricos tende a ser acelerado”, ressalta.

Para o especialista, o híbrido plug-in é, entre as alternativas de veículos elétricos, a mais interessante. Kjaer ressalta, entretanto, que a dificuldade enfrentada pelo Brasil para ampliar sua capacidade de geração de energia pode ser um obstáculo à adoção da tecnologia. “A saída é ligar o automóvel à rede elétrica à noite ou fora dos horários de pico”, afirma. Ele explica também que a hibridização pode ser vantajosa para as empresas de energia. “O governo, por exemplo, poderia oferecer créditos para a construção de novas usinas às companhias que eletrificassem sistemas de transporte”, sugere.
Kjaer acredita que a célula de combustível ainda terá de enfrentar grandes desafios, como os elevados custos de desenvolvimento e de infra-estrutura, e que a hibridização será a tecnologia dominante pelos próximos 20 anos. Mas ele ressalta que o desenvolvimento de veículos elétricos será alcançado apenas por meio de parcerias, que devem reunir governo, fabricantes e universidades. Ele cita ainda a importância de políticas públicas que induzam o desenvolvimento de novas tecnologias, como o aperto na legislação ambiental. “A emissão zero vigora em 12 estados americanos, onde parte dos veículos deve ser produzida com motores elétricos. Felizmente, a indústria atualmente consegue ser melhor do que a legislação”, revela.

Setor elétrico se antecipa às montadoras

Em países como Estados Unidos e Japão, a iniciativa de produção de veículos elétricos partiu da indústria automotiva, preocupada com o avanço do preço do petróleo. No mercado brasileiro, um grupo liderado pela Itaipu Binacional deve lançar o primeiro carro movido a eletricidade até o fim do ano. A demanda inicial é pequena e será destinada exclusivamente a frotas das próprias empresas de energia, como Eletrobrás e CPFL.

A Itaipu pretende agregar a sua frota 26 carros e a KWO, dona de usinas hidrelétricas na Suíça, pediu quatro unidades. Todas são parceiras no desenvolvimento do veículo elétrico. A Fiat também participa com o fornecimento do modelo Palio e assessoria técnica. “Entendemos que o setor elétrico brasileiro pode representar uma força grande de demanda”, diz o coordenador do projeto da Itaipu, Celso Novais. Também participam a Copel e a Cepel e há negociações com Furnas e Cemig.

O Palio Elétrico não será vendido para pessoas físicas. “O projeto implica em compromissos sociais, como geração de empregos.” O modelo custaria hoje entre US$ 20 mil e US$ 25 mil (R$ 44 mil a R$ 55 mil), mas os fabricantes esperam que, ao longo de cinco anos, os custos sejam reduzidos. A economia com combustível permite o retorno do investimento, além do benefício ambiental.

A empresa que montará dos veículos nas instalações da Itaipu, no Paraná, está em fase de seleção e deve ser do ramo de oficinas especializadas. Sozinha, a Itaipu vai investir US$ 750 mil no projeto. “É um salto importante para o Brasil a entrada das elétricas no projeto”, diz o diretor do Inee (Instituto Nacional de Eficiência Energética), Jayme Buarque de Hollanda.

Anderson Amaral
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