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Brasil estuda reduzir impostos ao biodiesel do Centro-Oeste

 Por causa da crise no setor de grãos, o governo brasileiro estuda uma redução de impostos para a produção de biodiesel a partir da soja no Centro-Oeste.
Reuters 3 min de leitura
 Por causa da crise no setor de grãos, o governo brasileiro estuda uma redução de impostos para a produção de biodiesel a partir da soja no Centro-Oeste, com o objetivo de enxugar o mercado e elevar os preços, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

"Estamos trabalhando também, por causa da crise agrícola, com o tema de abrir uma atenção fiscal para o produtor de soja do Centro-Oeste para produzir biodiesel já," afirmou ele, após discursar no 1o Encontro Interamericano de Biocombustíveis.

Rodrigues lembrou que, por causa dos altos custos do diesel na região, onde os preços são mais elevados por causa do frete, alguns produtores rurais já "estão inclusive misturando óleo vegetal nas máquinas agrícolas."

Ele salientou que ainda não está definido como será essa redução fiscal. "Mas queremos aproveitar a crise, e a idéia é tirar soja do mercado para fazer biodiesel para consumo local. A análise de quanto custa isso está sendo feita atualmente por técnicos da Agricultura e do Ministério da Fazenda."

De acordo com o ministro, essa seria uma medida de emergência para reduzir a pressão negativa dos preços da soja, mas já permitiria uma estruturação do programa de biodiesel a partir da soja.

Alguns especialistas afirmam que a soja não é, no entanto, a matéria-prima mais viável para a produção de biodiesel.

Em entrevista, o ministro afirmou que, devido a uma expectativa de produção maior de biodiesel nos próximos anos, o governo também estuda "flexibilizar" o modelo que prevê a adição obrigatória de no mínimo 2 por cento do biocombustível ao diesel.

"A lei estabelece que em 2008 2 por cento do óleo diesel seja de biodiesel. Isso implicaria em uma produção de 1 bilhão de litros de biodiesel, e as indústrias já instaladas já permitem uma produção de 30 a 40 por cento a mais já para 2008, fora o que vem vindo de instalação," explicou ele.

"Sem dúvida, o horizonte que tínhamos de trabalhar em 2008 com 2 por cento de mistura já está claramente alcançado com chance de ser muito maior do que isso."

"A idéia é de que seja flexibilizado esse modelo, permitido que quem queira fazer mais, faça mais", acrescentou.

FUNDO PARA PESQUISAS


Rodrigues salientou que o evento em São Paulo marcou o lançamento de um consórcio que vai gerar um fundo para investimentos de agentes públicos e privados em programas de bioenergia no Brasil e no mundo, com o objetivo de fomentar o que ele chamou de "commoditização" dos biocombustíveis.

Do consórcio, participam a Itaipu Binacional, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Banco do Brasil, além de universidades, empresas e vários ministérios.

Rodrigues lembrou que o governo brasileiro vai investir 10 milhões de reais na criação de um centro de pesquisas em agroenergia da Embrapa, visando ampliar a disseminação de tecnologia.
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