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Brasil Ecodiesel arremata 70% do biodiesel de leilões estatais

De acordo com a ANP, 29 empresas participaram, mas apenas 16 foram vencedoras. No cálculo da ANP, porém, as seis plantas da Brasil Ecodiesel são contabilizadas individualmente.
DCI 4 min de leitura
A Brasil Ecodiesel foi o grande destaque dos terceiro e quarto leilões de biodiesel promovidos ontem pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). A empresa vendeu 428 milhões de litros, 70% dos 600 milhões de litros comprados pela Petrobras e pela Refinaria Alberto Pasqualine (Refap). Em valores, os R$ 740 milhões vendidos pela empresa responderam por 77% dos R$ 960 milhões comprados. Os leilões tiveram um deságio médio de 8%. O preço de referência estabelecido pela ANP foi de R$ 1,9 e os preços médios foram de R$ 1,753 e R$ 1,746 por litro em cada uma das concorrências.

De acordo com a ANP, 29 empresas participaram, mas apenas 16 foram vencedoras. No cálculo da ANP, porém, as seis plantas da Brasil Ecodiesel são contabilizadas individualmente. Se considerarmos as plantas pertencentes a uma única empresa, o número de companhias participantes cai para 24 e o de empresas vencedoras, para 11. Além da Brasil Ecodiesel, destacam-se a BSbio (RS), que vendeu 70 milhões de litros, e a Caramuru Alimentos (GO), que vendeu 30 milhões de litros. Empresas que ainda não haviam participado dos dois leilões anteriores, como a mato-grossense Barrálcool e a gaúcha Óleoplan, debutaram nas licitações oferecendo volumes mais modestos. A primeira vendeu 16,6 milhões de litros e a segunda, 10 milhões de litros.

A participação de novas empresas foi possível porque a ANP permitiu que as companhias que ainda não tinham autorização da agência para produzir biodiesel fizessem lances no quarto leilão. De acordo com o superintendente de abastecimento da ANP, Roberto Ardenghy, essas empresas estão em processo de obtenção da autorização. Hoje, apenas oito companhias do Brasil têm certificado da agência. A procura por empresas sem tradição neste mercado surpreendeu o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima. “A oferta foi quase o dobro do volume que estabelecemos para compra”, diz. No total, foi ofertado 1,1 bilhão de litros e comprados apenas 600 milhões de litros. A ANP ainda avalia a possibilidade de um novo leilão.

Os estados que concentrarão a produção serão o Rio Grande do Sul, com 26,6% do total do volume vendido nos dois leilões, o Ceará, com 14,6% do total e a Bahia, com 13% do volume ofertado. As culturas ofertadas foram basicamente mamona e soja. A produção deverá ser entregue até dezembro de 2007. Com os quatro leilões já realizados, a agência acredita que 150 mil famílias rurais serão beneficiadas.

Atualmente, a adição de biodiesel ao diesel é opcional. A partir de janeiro de 2007, será obrigatória a adição de 2% e, a partir de janeiro de 2008, uma adição de 5%. O volume de biodiesel necessário para atender essas demandas, considerando o consumo atual de diesel é de 800 milhões de litros por ano e 2 bilhões de litros por ano.

Empresas de grãos
Nos leilões, houve forte presença de empresas produtoras e comercializadoras de soja, como Fiagril, AgroSoja , Caramuru Alimentos e Granol. Juntas, essas companhias venderam 77.3 milhões de litros.

Para atender a demanda, a Granol, sediada em São Paulo, está investindo 20 milhões na reativação e expansão de uma planta industrial da Centralsul, em Cachoeira do Sul (RS), para produzir o biodiesel a partir da soja. Nesta semana, o governo do Rio Grande do Sul aprovou a concessão à empresa do uso do terreno de 30 hectares, em poder do estado.

No município de Lucas do Rio Verde (MT), a Fiagril está injetando 27 milhões de reais em uma usina de biodiesel que deve entrar em operação em março de 2007, com capacidade para produzir 50 milhões de litros do óleo por ano. A matéria-prima virá tanto da soja, como de sementes de girassol e sebo bovino. “Se trabalharmos somente com soja, teremos capacidade para processar 240 mil toneladas anuais do grão”, diz o sócio-diretor da Fiagril, Miguel Vaz Ribeiro. O grupo atua no norte do Mato Grosso desde 1988, basicamente na comercialização de soja e milho e no financiamento de insumos.
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