Expansão do setor pode ser limitada por oferta restrita de matéria-prima, dizem especialistas. A produção de biodiesel de sebo no Brasil está atraindo o interesse das indústrias, principalmente frigoríficos. A Fertibom Indústrias Ltda, fabricante de adubos, puxou a fila, com início da produção em janeiro desde ano. A Biocapital aguarda licença da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para começar a fabricar biodiesel. As operações da planta de biodiesel do Grupo Bertin podem começar em novembro, e notícias de mercado dão conta de que o Frigorífico Marfrig está de olho no setor.
Embora a produção de biodiesel de sebo seja considerada viável economicamente, seu crescimento deve ser limitado pela oferta da matéria-prima, segundo especialistas. "Se houver quatro fábricas com capacidade produtiva de 100 mil toneladas cada, não haverá matéria-prima suficiente, pois o sebo já tem outras aplicações", diz o coordenador do Projeto Biodiesel Brasil, Miguel Dabdoub. Segundo a Scot Consultoria, a produção anual de sebo no Brasil é de cerca de 500 mil toneladas/ano.
"Outra preocupação de quem produz biodiesel de sebo ou pretende produzir é com a possibilidade de aumento do preço da matéria-prima, em caso de excesso de demanda, pois a concentração do mercado de frigoríficos é muito grande", conta a coordenadora de biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna Carmelio. Ela destaca que o Bertin tem a vantagem competitiva de ter o sebo como "sub-produto de seu processo produtivo".
O coordenador do projeto de biodiesel da Fertibom, Heitor Barbosa, não divulga o custo de produção do biodiesel de sebo, mas afirma tratar-se da matéria-prima mais barata, no momento, para a fabricação do biocombustível. "Se o óleo vegetal for oferecido a um custo mais baixo, podemos migrar de matéria-prima, pois temos uma planta flexível", diz Barbosa. A unidade situa-se em Catanduva (SP).
Atraso na unidade do Bertin
A unidade de biodiesel do Bertin, em Lins (SP) terá capacidade para produzir até 100 mil de toneladas anuais de biodiesel. Segundo o vice-presidente de operações da Dedini SA Indústrias de Base, José Luiz Olivério, a montagem da usina deve ser concluída até o fim de outubro. Em outubro do ano passado, o Bertin anunciou que a planta começaria a operar em junho de 2006. "O atraso deveu-se à demora do financiamento via Finame (linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES -, para a aquisição de máquinas e equipamentos)", afirma Olivério. Segundo fonte do mercado, para que as operações tivessem início em junho, o Bertin precisaria receber o financiamento solicitado ao BNDES até meados de fevereiro, o que não teria ocorrido.
A terraplanagem e as fundações da planta já foram feitas, de acordo com Olivério. "A estrutura metálica começou a ser montada e a maior parte dos equipamentos está na obra. No fim de outubro, completaremos a entrega. As operações devem começar em novembro", diz. Segundo a prefeitura de Lins, o Bertin ainda não solicitou o alvará para a construção da planta. Procurado pela Gazeta Mercantil, o Bertin informou em nota que "não conferem as informações de que não teria dado entrada ao processo na prefeitura". O Bertin não detalhou o motivo do atraso das obras. "Não foi paralisado o andamento da obra da usina de biodiesel, em Lins. O que ocorreu foi um atraso normal, como o esperado em obras de grande porte. A nova indústria deve ser inaugurada no segundo semestre de 2006 e será a maior já instalada no Brasil", disse o Bertin, em nota.
Também na nota, o Bertin informou que "o investimento que havia sido previsto desde que se anunciou o empreendimento permanece inalterado, da ordem de R$ 20 a R$ 40 milhões". Segundo fonte do mercado, o investimento necessário na unidade é de R$ 28 milhões, em vez dos R$ 40 milhões anunciados pelo Bertin em outubro de 2005.
Chiara Quintão
Embora a produção de biodiesel de sebo seja considerada viável economicamente, seu crescimento deve ser limitado pela oferta da matéria-prima, segundo especialistas. "Se houver quatro fábricas com capacidade produtiva de 100 mil toneladas cada, não haverá matéria-prima suficiente, pois o sebo já tem outras aplicações", diz o coordenador do Projeto Biodiesel Brasil, Miguel Dabdoub. Segundo a Scot Consultoria, a produção anual de sebo no Brasil é de cerca de 500 mil toneladas/ano.
"Outra preocupação de quem produz biodiesel de sebo ou pretende produzir é com a possibilidade de aumento do preço da matéria-prima, em caso de excesso de demanda, pois a concentração do mercado de frigoríficos é muito grande", conta a coordenadora de biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Edna Carmelio. Ela destaca que o Bertin tem a vantagem competitiva de ter o sebo como "sub-produto de seu processo produtivo".
O coordenador do projeto de biodiesel da Fertibom, Heitor Barbosa, não divulga o custo de produção do biodiesel de sebo, mas afirma tratar-se da matéria-prima mais barata, no momento, para a fabricação do biocombustível. "Se o óleo vegetal for oferecido a um custo mais baixo, podemos migrar de matéria-prima, pois temos uma planta flexível", diz Barbosa. A unidade situa-se em Catanduva (SP).
Atraso na unidade do Bertin
A unidade de biodiesel do Bertin, em Lins (SP) terá capacidade para produzir até 100 mil de toneladas anuais de biodiesel. Segundo o vice-presidente de operações da Dedini SA Indústrias de Base, José Luiz Olivério, a montagem da usina deve ser concluída até o fim de outubro. Em outubro do ano passado, o Bertin anunciou que a planta começaria a operar em junho de 2006. "O atraso deveu-se à demora do financiamento via Finame (linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES -, para a aquisição de máquinas e equipamentos)", afirma Olivério. Segundo fonte do mercado, para que as operações tivessem início em junho, o Bertin precisaria receber o financiamento solicitado ao BNDES até meados de fevereiro, o que não teria ocorrido.
A terraplanagem e as fundações da planta já foram feitas, de acordo com Olivério. "A estrutura metálica começou a ser montada e a maior parte dos equipamentos está na obra. No fim de outubro, completaremos a entrega. As operações devem começar em novembro", diz. Segundo a prefeitura de Lins, o Bertin ainda não solicitou o alvará para a construção da planta. Procurado pela Gazeta Mercantil, o Bertin informou em nota que "não conferem as informações de que não teria dado entrada ao processo na prefeitura". O Bertin não detalhou o motivo do atraso das obras. "Não foi paralisado o andamento da obra da usina de biodiesel, em Lins. O que ocorreu foi um atraso normal, como o esperado em obras de grande porte. A nova indústria deve ser inaugurada no segundo semestre de 2006 e será a maior já instalada no Brasil", disse o Bertin, em nota.
Também na nota, o Bertin informou que "o investimento que havia sido previsto desde que se anunciou o empreendimento permanece inalterado, da ordem de R$ 20 a R$ 40 milhões". Segundo fonte do mercado, o investimento necessário na unidade é de R$ 28 milhões, em vez dos R$ 40 milhões anunciados pelo Bertin em outubro de 2005.
Chiara Quintão