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Biodiesel: Mercado deve se consolidar em três anos

O mercado brasileiro de biodiesel começará a se consolidar em três anos, quando deverão se destacar as empresas que possuem fornecimento integrado de matéria-prima - soja, mamona ou sebo.
Gazeta Mercantil 3 min de leitura
O mercado brasileiro de biodiesel começará a se consolidar em três anos, quando deverão se destacar as empresas que possuem fornecimento integrado de matéria-prima - soja, mamona ou sebo. A avaliação é do sócio-diretor da Brasilpar, assessoria financeira em fusões e aquisições, Tom Waslander. "O jogo está apenas começando. Ainda não está muito claro quem serão os vencedores e os perdedores, mas os vencedores comprarão os perdedores. Terá mais chance de sobreviver quem tem acesso à matéria-prima", explica.

A produção do biocombustível terá de disputar matéria-prima com outros setores - indústria de alimentos, no caso do biodiesel de soja, e higiene e limpeza, no caso do sebo -, o que pode provocar problemas de abastecimento. A tendência é que as unidades maiores e integradas adquiram as empresas menores e mais dependentes do fornecimento de matéria-prima pelo mercado. Terão destaque grandes esmagadoras de soja, como a Archer Daniels Midland Company ADM, produtoras integradas de mamona, como o Brasil Ecodiesel e frigoríficos, como o Grupo Bertin.

Segundo Waslander, a capacidade instalada total dos projetos anunciados de plantas de biodiesel será de 850 milhões de litros até o fim do ano, superando os 800 milhões de litros necessários para os 2% de mistura obrigatória ao diesel a partir de 2008. "Mas uma parcela dos projetos não sairá do papel por problemas de acesso a recursos e matéria-prima. No fim do ano, a capacidade deve ser de 500 milhões de litros, ante os 120 milhões de litros atuais", diz. A capacidade para 2007 com base nos projetos anunciados é de R$ 2 bilhões.

De olho no potencial do mercado, a Brasilpar está buscando parceiros - fornecedores de matéria-prima, empresas de logística e investidores - para montar uma unidade produtora do biocombustível. A expectativa é que a fábrica tenha capacidade de produzir 100 milhões de litros/ ano de biodiesel de soja a partir de 2008 e seja instalada próxima a uma esmagadora. "Com os preços atuais do petróleo e do óleo de soja, o biodiesel se torna muito interessante", afirma. Waslander estima que a montagem da unidade demandará recursos entre R$ 40 milhões e R$ 45 milhões, incluindo capital de giro inicial.

A região onde serão feitos os aportes ainda não foi definida, o que vai depender da combinação entre os benefícios tributários e a facilidade de acesso à matéria-prima. A alíquota de PIS/Cofins incidente sobre litro do biodiesel varia de zero a R$ 0,218, de acordo com a matéria-prima utilizada, o local e o sistema produtivo. "Queremos chegar a um valor o mais próximo possível de zero, mas a rentabilidade não pode depender disso", diz Waslander.

A entrada da Brasilpar no setor de biodiesel representa o retorno da empresa ao segmento de capital de risco, do qual deixou de participar na década de 90. A Brasilpar será um investidor de venture capital na empresa de biodiesel, captando recursos, participando da administração e se retirando do negócio após retorno do investimento.

Resíduos

A Agropalma, maior fabricante de óleo de palma da América Latina, investiu no ano passado R$ 3 milhões em sua usina de biocombustíveis no Pará. A empresa encontrou dentro de seu parque industrial a matéria-prima: um ácido graxo obtido como resíduo na produção. "Estamos ainda no começo, mas a idéia é crescer", disse o diretor da empresa, Marcelo Britto.

Chiara Quintão e Juan Velásquez
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