O selo no pára-brisa dos veículos da Volkswagen Caminhões e Ônibus assegura: "Apto para mistura B2". O aviso indica que os tanques de combustível daqueles veículos já podem receber adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel convencional. Em breve, o alerta será substituído por "B5", isto é, a autorização é ampliada para 5%. A adição de 2% do biodiesel ao combustível comum será obrigatória em 2008, com o percentual de 5% obrigatório a partir de 2013.
A Volkswagen realizou testes em frotas de caminhões e concluiu pela inexistência de qualquer problema com o uso do novo combustível adicionado. A decisão da montadora deverá antecipar algumas iniciativas relacionadas ao Programa Nacional de Biodiesel. O primeiro alvo deste programa é a redução das importações anuais de óleo. A tecnologia batizada de H-Bio garantirá a redução inicial de US$ 100 milhões na importação de diesel convencional. O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, estima em 10% a redução das compras do produto, que atingiram dois milhões de toneladas no ano passado, com desembolso de US$ 1 bilhão.
Diferente do biodiesel, que é fabricado por produtores independentes a partir do óleo de mamona ou palma, misturado ao álcool, o H-Bio será processado pelas refinarias da Petrobras a partir de óleos vegetais de diferentes origens. A empresa estima consumo anual inicial de 256 milhões de litros só de óleo de soja e já antecipa os ganhos financeiros para os produtores do grão com a nova demanda. A pressão sobre os preços da commodity será, obviamente, significativa. A diretoria da estatal garante que a tecnologia não representará qualquer concorrência com os produtores independentes de biodiesel. A conferir.
A questão do preço das oleaginosas passa a ser, evidentemente, básica para este programa. Em junho, publicação especializada em custo de energia (Oilworld) antecipou que a demanda mundial por oleaginosas (de dendê a soja) deve superar o aumento da produção já neste ano. Em 2006, o aumento do consumo será de 17 milhões de toneladas, atingindo 317 milhões de toneladas globais. Porém, a produção aumentará apenas 6 milhões de toneladas, atingindo 392 milhões de toneladas. O biodiesel pode ser produzido por esmagamento de dendê, semente de canola, soja ou gordura animal. O etanol pode ser obtido a partir de cereais, da beterraba ou da cana-de-açúcar.
O mundo está interessado na contenção do uso de combustíveis fósseis, substituídos por biocombustíveis. Os prazos são até exíguos: a União Européia já decidiu pela mistura de 5,75% dos biocombustíveis na gasolina e óleo diesel em 2010. O óleo de soja já subiu 20% neste ano, mas os contratos futuros de farelo de soja recuaram 11% na Bolsa de Chicago, também neste ano, pelo crescimento da oferta. São os primeiros sinais de movimento do mercado mundial dessas commodities.
O impacto na estrutura agrária brasileira do biodiesel poderá ser bem relevante. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba já iniciou capacitação de pequenos produtores de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Maranhão e Goiás para estruturar cadeia produtiva que gere preço competitivo para suas commodities. A Petrobras instalou duas plataformas de recepção em Montes Claros (MG) e Candeias (BA) para recepção das oleaginosas. Os investimentos para esmagamento não são altos e a estatal tem financiado as iniciativas locais.
O programa brasileiro de biodiesel, com dois anos de existência, já atraiu fortes investidores externos, apesar das dificuldades de logística de distribuição e transporte. A Ipiranga e a Shell, ao lado da BR Distribuidora, manifestaram interesse direto nessa distribuição de biodiesel. Essas empresas já adiantaram que a primeira adição de 2% no diesel deve ocorrer já a partir de 2007, desde que "haja disponibilidade de oferta".
Em julho, o primeiro leilão de 600 milhões litros de biocombustíveis, feito pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foi destinado e comprado pela Petrobras e em dezembro serão outros 800 milhões de litros. É sinal claro do rumo definido para o promissor programa.
A Volkswagen realizou testes em frotas de caminhões e concluiu pela inexistência de qualquer problema com o uso do novo combustível adicionado. A decisão da montadora deverá antecipar algumas iniciativas relacionadas ao Programa Nacional de Biodiesel. O primeiro alvo deste programa é a redução das importações anuais de óleo. A tecnologia batizada de H-Bio garantirá a redução inicial de US$ 100 milhões na importação de diesel convencional. O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, estima em 10% a redução das compras do produto, que atingiram dois milhões de toneladas no ano passado, com desembolso de US$ 1 bilhão.
Diferente do biodiesel, que é fabricado por produtores independentes a partir do óleo de mamona ou palma, misturado ao álcool, o H-Bio será processado pelas refinarias da Petrobras a partir de óleos vegetais de diferentes origens. A empresa estima consumo anual inicial de 256 milhões de litros só de óleo de soja e já antecipa os ganhos financeiros para os produtores do grão com a nova demanda. A pressão sobre os preços da commodity será, obviamente, significativa. A diretoria da estatal garante que a tecnologia não representará qualquer concorrência com os produtores independentes de biodiesel. A conferir.
Mundo quer contenção no uso de combustíveis fósseis, substituídos por biocombustíveis. O preço das commodities deve reagir à nova demanda
A questão do preço das oleaginosas passa a ser, evidentemente, básica para este programa. Em junho, publicação especializada em custo de energia (Oilworld) antecipou que a demanda mundial por oleaginosas (de dendê a soja) deve superar o aumento da produção já neste ano. Em 2006, o aumento do consumo será de 17 milhões de toneladas, atingindo 317 milhões de toneladas globais. Porém, a produção aumentará apenas 6 milhões de toneladas, atingindo 392 milhões de toneladas. O biodiesel pode ser produzido por esmagamento de dendê, semente de canola, soja ou gordura animal. O etanol pode ser obtido a partir de cereais, da beterraba ou da cana-de-açúcar.
O mundo está interessado na contenção do uso de combustíveis fósseis, substituídos por biocombustíveis. Os prazos são até exíguos: a União Européia já decidiu pela mistura de 5,75% dos biocombustíveis na gasolina e óleo diesel em 2010. O óleo de soja já subiu 20% neste ano, mas os contratos futuros de farelo de soja recuaram 11% na Bolsa de Chicago, também neste ano, pelo crescimento da oferta. São os primeiros sinais de movimento do mercado mundial dessas commodities.
O impacto na estrutura agrária brasileira do biodiesel poderá ser bem relevante. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba já iniciou capacitação de pequenos produtores de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Maranhão e Goiás para estruturar cadeia produtiva que gere preço competitivo para suas commodities. A Petrobras instalou duas plataformas de recepção em Montes Claros (MG) e Candeias (BA) para recepção das oleaginosas. Os investimentos para esmagamento não são altos e a estatal tem financiado as iniciativas locais.
O programa brasileiro de biodiesel, com dois anos de existência, já atraiu fortes investidores externos, apesar das dificuldades de logística de distribuição e transporte. A Ipiranga e a Shell, ao lado da BR Distribuidora, manifestaram interesse direto nessa distribuição de biodiesel. Essas empresas já adiantaram que a primeira adição de 2% no diesel deve ocorrer já a partir de 2007, desde que "haja disponibilidade de oferta".
Em julho, o primeiro leilão de 600 milhões litros de biocombustíveis, feito pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foi destinado e comprado pela Petrobras e em dezembro serão outros 800 milhões de litros. É sinal claro do rumo definido para o promissor programa.