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O Programa de Biodiesel do Ceará

As instituições financeiras apressam-se para oferecer linhas de crédito para os elos da cadeia produtiva do biodiesel.
Jornal O POVO - CE 5 min de leitura
FINANCIAMENTO AO PRODUTOR
O Banco do Nordeste do Estado vai atender aos agricultores através do Programa Nacional da Agricultura Familiar. Estão disponíveis financiamentos entre R$ 1.500 e R$ 32 mil.


INCENTIVO AO PLANTIO
O Governo do Estado vai dar 100% de subsídio às sementes de mamona. Para estimular a plantação de 40 mil hectares de terra plantados até o final do ano, o Estado irá dar R$ 150 para cada hectare plantado.


CONSTRUÇÃO DE MINIUSINAS
O Governo federal vai investir R$ 7,5 milhões em 15 miniusinas a serem construídas em municípios próximos às unidades da Petrobras. Cada unidade deve custar R$ 500 mil. Na miniusina, os agricultores irão esmagar a mamona e retirar o óleo para vender às indústrias.


PRODUÇÃO DE BIODIESEL
Em Crateús, a Brasil Ecodiesel deve gerar 300 empregos diretos, produzindo 360 mil litros de combustível por dia. Em Quixadá, até o final do ano deve iniciar a operação de uma unidade da Petrobras. A lei n° 11.097, de janeiro de 2005, determina que a partir de 2008 será obrigada a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel destinado ao consumidor. A partir de 2013, esse percentual passa para 5%. O Governo federal estuda antecipar esse percentual para 2010.


Crédito já está disponível a produtores cearenses

As instituições financeiras apressam-se para oferecer linhas de crédito para os elos da cadeia produtiva do biodiesel. O BNB acredita financia o cultivo de 10 mil hectares

A luta pelo biodiesel parece ser encampada pelos mais distintos setores envolvidos no agronegócio. Enquanto os governos fazem seus investimentos, os bancos lançam suas linhas de financiamento. O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco do Brasil já estão com créditos prontos para serem pegos pelos agricultores. O superintendente estadual do Ceará do BNB, Isidro Moraes de Siqueira, acredita que o Estado dê este ano um grande salto no tema.

O BNB está disponibilizando recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) para o agricultor através das linhas do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). "O banco está com todas as agências orientadas a atender os pronafianos", ressalta o superintendente. Sem limite de crédito para ser emprestado, o banco assinou parceria com Governo do Estado e outras instituições envolvidas para financiar o plantio da mamona e outras oleaginosas. A previsão é que este ano o BNB financie o cultivo de 10 mil hectares no Estado, o que necessitaria, em média, de R$ 5 milhões. "O apoio é integral, quem vai dizer é a demanda", enfatiza.

Para ter acesso ao dinheiro, o produtor precisa do plano de negócios elaborado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ematerce). O dinheiro a ser ofertado vai depender da faixa de renda do agricultor e varia de R$ 1.500 a R$ 32 mil, para agricultores cuja renda anual varie entre R$ 2 mil e R$ 60 mil, além dos assentados rurais. A previsão, segundo Siqueira, é que o empréstimo seja pago em duas parcelas anuais, a partir de 18 meses após a contração da dívida. "A idéia é que só com a colheita do feijão, ele (o agricultor) pague o banco. A mamona deve ser a sobra, o lucro dele", observa.

No Banco do Brasil, a crença no projeto levou à criação do BB Biodiesel. O gerente executivo da diretoria de agronegócios, Rogério Pio, afirma que, desde 2005, quando o programa foi lançado, foram disponibilizados cerca de R$ 80 milhões e mais de R$ 200 milhões em propostas já estão aprovados. "É um programa que visa dar apoio ao funcionamento de todos os elos da cadeia produtiva", define. Assim, estão contemplados pelo programa produtores rurais, empresas que vão processar e as que vão comercializar o óleo.

Sem dados regionais, Pio esclarece que no Nordeste cerca de 50% dos financiamentos são voltados para a agricultura familiar. As linhas dependem do perfil do tomador. Para o agricultor familiar, por exemplo, as taxas de juro variam entre 3% e 4%. Para o empréstimo empresarial, as taxas podem chegar a 15,16%. Os prazos para pagamento também variam e chegam a 12 anos. "O importante é que o empresário vá ao banco e apresente sua proposta", ressalta Pio. Segundo o gerente, o Banco do Brasil também não tem um valor estipulado para quanto será emprestado. "Estamos em um processo em evolução. Havendo demanda, estaremos atendendo", destaca.

Camille Soares

Linha do Pronaf
Quem pode pegar
Quanto pode pegar
 A  Assentados da reforma agrária  R$ 18 mil
 B  Produtor rural cuja renda anual não ultrapasse R$ 2 mil  R$ 1.500
 C  Produtor rural cuja renda anual esteja entre R$ 2 mil e R$ 14 mil  R$ 6 mil
 D  Produtor rural cuja renda anual esteja entre R$ 14 mil e R$ 40 mil  R$ 18 mil
 E  Produtor rural cuja renda anual esteja entre R$ 40 mil e R$ 60 mil  R$ 32 mil

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