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Programa de biodiesel do Brasil parece ter encontrado um rumo certo

Há menos de um ano, analistas diziam que o programa de biodiesel do governo brasileiro baseado na produção de óleo de mamona para beneficiar famílias agrícolas pobres era uma idéia caridosa, mas inviável.
Reuters e Agência Brasil 4 min de leitura
Há menos de um ano, analistas diziam que o programa de biodiesel do governo brasileiro baseado na produção de óleo de mamona para beneficiar famílias agrícolas pobres era uma idéia caridosa, mas inviável.

O pequeno componente agrícola de mamona ainda parece inadequado para as demandas planejadas, mas a entrada de grandes players como a estatal Petrobras fez com que os analistas mudassem suas previsões.

O aparecimento das novas usinas de biodiesel e pontos de revenda pelo braço de distribuição de Petrobras parecem ter colocado o Brasil em condições de satisfazer a demanda prevista para 2008, quando uma mistura de 2 por cento de biodiesel se tornará obrigatória para todo o diesel vendido.

A Petrobras já usa o biodiesel em 500 de seus postos de abastecimento e planeja vendê-lo em 7.000 postos até 2007.

"O Brasil deve precisar de 800 milhões de litros de biodiesel até janeiro de 2008 e, ao que parece até o momento, a produção irá atingir e ultrapassar isso com bastante folga", disse à Reuters o especialista de biocombustíveis Miguel Biegai, da Safras & Mercados.

E a grande mas fragmentada indústria brasileira de óleos vegetais pode acabar sendo a beneficiário direto do programa.

"Isso pode ajudar a dar sustentação à indústria de moagem de soja, especialmente no Centro-Oeste, que é o único produtor de óleo em escala suficiente para se equiparar ao programa nacional de biodiesel", disse Norberto Freund, especialista de biodiesel da Vision Grain.

A indústria de soja do Brasil, que tem desativado usinas e se mudado para a Argentina devido às condições mais favoráveis do mercado, pode se beneficiar a curto prazo. Mas analistas dizem que safras de óleo com maior rendimento como palma, semente de girassol e canola poderiam eventualmente substituir a soja.

Em um esforço pré-eleitoral para inaugurar obras públicas antes de anunciar sua candidatura nos próximos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na usina Repar em Araucária, no Paraná. A Repar testou nesta terça-feira o processo de refino de para diesel de alta qualidade utilizando 10 por cento de óleo vegetal, para o qual a Petrobras submeteu patente.

"No desenvolvimento desta tecnologia, estamos permitindo um bom avanço na independência de energia do Brasil, e também na área de diesel", disse o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli durante a produção teste do chamado diesel H-Bio.

A Petrobras diz que o H-Bio é mais barato para produzir do que o diesel de petróleo de alta qualidade, porque o óleo vegetal é misturado ao petróleo no processo de refinamento.

Anualmente, o Brasil consome 40 bilhões de litros de diesel de petróleo, cuja boa parte ainda é importada ao que se considera um alto custo. A qualidade do diesel doméstico produzido é vista como pobre, com impacto no meio-ambiente.

O H-Bio, que ainda não é produzido comercialmente e está em um estado incipiente, não deve ser confundido com a produção de biodiesel convencional paralelo do Brasil que já existe por mais de um ano.

A Petrobras disse que o programa H-Bio irá permitir ao Brasil que pare de importar 250 milhões de litros de diesel em 2006 e reduzir as importações de 2007 em 470 milhões de litros.

Lula diz que programa do biodiesel será maior do que o Proálcool

O biodiesel será um programa maior do que o Proálcool, da década de 80, afirmou hoje (20) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o presidente, o Proálcool foi muito criticado, mas, atualmente, a produção de álcool no país é responsável pela geração de dois milhões de empregos e faturamento de R$ 2 bilhões com exportação.

"Todos nós aqui, da nossa geração, em algum momento fomos contra o Proálcool", disse Lula. "Estamos quase convencendo o mundo inteiro de que o etanol pode ser uma alternativa extraordinária para que os carros transitem pelo mundo afora", acrescentou o presidente, ao participar, em Passo Fundo (RS), do lançamento da pedra fundamental da primeira usina de biodiesel financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O presidente lembrou que o Proálcool foi muito criticado, mas ressaltou que a produção de álcool no país é atualmente responsável pela geração de dois milhões de empregos e faturamento de R$ 2 bilhões com exportação.
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