O governo do Paraná tem o objetivo de estimular o utilização do óleo por parte de pequenos agricultores para agregar valor à produção.
O Instituto de Tecnologia do Paraná em agosto, deverá colocar uma usina piloto de biodiesel, que vai proporcionar...
De olho no potencial paranaense, alguns fábricas já começaram a virar realidade...
Na região norte do Paraná, foram investidos R$ 3,5 milhões em uma usina, que iniciou a produção...
Outra usina, também no norte paranaense, que deve entrar em operação no início de 2007, prepara-se para utilizar, o óleo de soja e a gordura animal para produzir biodiesel. A fábrica, deve produzir...
Segundo maior produtor de soja do País e com grande participação no cultivo de algodão e girassol, o Paraná começa a atrair um pólo de produção de biodiesel. “O Paraná produz hoje 9,5 milhões de toneladas de soja a cada ano, a única oleaginosa atualmente com escala para atender à demanda de biodiesel no País, e tem grande potencial para produção de outras culturas com vocação para a produção do combustível. Ao mesmo tempo, o estado possui canal de escoamento de subprodutos, como o farelo”, diz Richardson Souza, coordenador do programa de bioenergia da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab).
De acordo com ele, o governo paranaense estuda inclusive a concessão de incentivos fiscais para incentivar a instalação de empresas, a exemplo de um projeto já apresentado na Assembléia Legislativa do Paraná. O objetivo é estimular o processamento de óleo por parte de pequenos agricultores como uma forma de agregar valor à produção.
Até o final deste ano, a Secretaria de Agricultura do Paraná deve apresentar resultados de uma pesquisa sobre as culturas com potencial de produção de óleo vegetal que pode ser utilizado nos motores a diesel. “Hoje, sabe-se que a soja e o algodão são culturas com tecnologia já definida para a produção do biodiesel. Mas existem outros, como girassóis, nabo forrageiro, amendoim, pinhão manso, canola, mamona, também com potencial de produção. A pesquisa está identificando as variedades que podem ser adaptadas às condições do clima e solo do Paraná”, afirma.
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) coloca em operação em agosto uma usina piloto de biodiesel, que vai elaborar pesquisas sobre a utilização do combustível e o melhor aproveitamento de matéria-prima. A usina, fruto de um investimento de R$ 1 milhão, vai testar a produção de biodiesel a partir de óleos como de soja, nabo forrageiro e girassol.
A intenção é produzir mil litros de biodiesel por dia, segundo Bill Costa, gerente da divisão de biocombustíveis e coordenador do Centro Brasileiro de Referência de Biocombustíveis (Cerbio). O instituto, que hoje já é referência na área de testes de conformidade de laboratório para o biodiesel que já está sendo vendido no mercado, quer desenvolver estudos também para a criação de miniusinas comunitárias junto de comunidades agrícolas.
“O Brasil, pelos projetos já em andamento, deve atender com antecipação os volumes previstos no programa nacional de biodiesel”, acredita Bill Costa. O mercado de biodiesel deve se consolidar a partir de 2008, quando a adição de 2% do combustível ao diesel comum se tornará obrigatória e exigirá uma produção de mais de 800 milhões de litros de biodiesel ao ano, de acordo com o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), lançado em dezembro de 2004. Este percentual subirá para 5% até 2013, equivalente a 2,5 bilhões de litros anuais.
De olho nesse potencial, alguns projetos já começaram a sair do papel. A Biolix Indústria de Biocombustíveis Ltda., de Rolândia, no norte pioneiro do Paraná, investiu R$ 3,5 milhões para colocar em operação sua usina, que começou a produzir em 2004. Depois de testar os óleos de soja e de girassol, a empresa optou pelo o nabo forrageiro, planta usada hoje na rotação de culturas e como alimentação animal, como matéria-prima para a produção do combustível.
“O nabo forrageiro gera 40% de óleo, enquanto a soja produz apenas 20% e precisa de uma logística de escoamento para o farelo que provém do esmagamento”, diz Alexandre Pereira Félix, proprietário da empresa, que começou a produzir em 2004.
Segundo ele, a meta é reduzir o custo de produção por litro, hoje em R$ 1,60, sem impostos, para até R$ 1. “Ainda não sabemos como será o comportamento de preços do mercado e precisamos ser competitivos para viabilizar o negócio”, afirma.
A empresa diz que faz o mapeamento da produção de nabo forrageiro no Paraná para garantir o atendimento da sua demanda. “Estamos colocando até anúncios em jornais para divulgar que a empresa está disposta a comprar o produto”, informa. Atualmente a Biolix, além de comprar do Paraná, é obrigada a buscar matéria-prima em Mato Grosso, São Paulo e Goiás para atender a sua necessidade de consumo, de 16 mil toneladas por ano. Até 2008, a Biolix quer chegar a uma produção de 100 milhões de litros por ano e já há estudos para a construção de mais duas usinas, uma em Santa Catarina e outra no Rio Grande do Sul.
A Biopetro Indústria e Comércio de Óleo Vegetal e Biodiesel, de Ibiporã, no norte do Paraná, prepara-se para usar, além do óleo de soja, sebo bovino na produção de biodiesel. A usina, prevista para entrar em operação em 2007, deve produzir 150 mil litros por dia. Linemaier Duarte, sócio-gerente, vê grandes possibilidades de exportação do produto, principalmente para a Europa. “Pelo menos 70% da produção deve ser dedicada para outros estados e para exportação”, prevê.
O mercado de biodiesel promete se transformar em um negócio também para as cooperativas agropecuárias, que já processam em larga escala óleos vegetais. A primeira a dar a largada nesse movimento foi a Cocamar Agroindustrial, de Maringá (PR), que está investindo R$ 5 milhões na construção de uma usina própria com capacidade para 12 mil metros cúbicos por ano e que deve entrar em operação em janeiro de 2007. O projeto deve aproveitar a produção de soja de comunidades familiares que fazem parte do universo de 7 mil cooperados da Cocamar.
Celso Carlos dos Santos Júnior, superintendente comercial e industrial da cooperativa, diz que a idéia inicial é usar o biodiesel no transporte de produtos da própria cooperativa e depois investir na venda no mercado. Santos Júnior, no entanto, disse que a empresa quer esperar para ver como o setor vai se consolidar.
“É um segmento promissor, mas que ainda representa um alto grau de risco. Não sabemos, por exemplo, se com o desenvolvimento do H-Bio (que mistura petróleo e óleo vegetal) pela Petrobras vai transformar a estatal em uma grande compradora de óleo no mercado, o que poderia inviabilizar as usinas de biodiesel”, diz. Segundo ele, o potencial real de exportação de biodiesel e o comportamento do preço da soja no mercado internacional também serão determinantes para o crescimento ou não da indústria de biodiesel no País.
O certo, porém, é que a produção de óleo vegetal de soja para o mercado local deve ganhar fôlego. Hoje o Brasil exporta cerca de 40% da sua produção, de 5,7 milhões de toneladas na safra passada. “Provavelmente teremos uma diminuição desse volume para atender o aumento da demanda no mercado brasileiro”, afirma.
Balanço Setorial Energia - Gazeta Mercantil
O Instituto de Tecnologia do Paraná em agosto, deverá colocar uma usina piloto de biodiesel, que vai proporcionar...
De olho no potencial paranaense, alguns fábricas já começaram a virar realidade...
Na região norte do Paraná, foram investidos R$ 3,5 milhões em uma usina, que iniciou a produção...
Outra usina, também no norte paranaense, que deve entrar em operação no início de 2007, prepara-se para utilizar, o óleo de soja e a gordura animal para produzir biodiesel. A fábrica, deve produzir...
Segundo maior produtor de soja do País e com grande participação no cultivo de algodão e girassol, o Paraná começa a atrair um pólo de produção de biodiesel. “O Paraná produz hoje 9,5 milhões de toneladas de soja a cada ano, a única oleaginosa atualmente com escala para atender à demanda de biodiesel no País, e tem grande potencial para produção de outras culturas com vocação para a produção do combustível. Ao mesmo tempo, o estado possui canal de escoamento de subprodutos, como o farelo”, diz Richardson Souza, coordenador do programa de bioenergia da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab).
De acordo com ele, o governo paranaense estuda inclusive a concessão de incentivos fiscais para incentivar a instalação de empresas, a exemplo de um projeto já apresentado na Assembléia Legislativa do Paraná. O objetivo é estimular o processamento de óleo por parte de pequenos agricultores como uma forma de agregar valor à produção.
Até o final deste ano, a Secretaria de Agricultura do Paraná deve apresentar resultados de uma pesquisa sobre as culturas com potencial de produção de óleo vegetal que pode ser utilizado nos motores a diesel. “Hoje, sabe-se que a soja e o algodão são culturas com tecnologia já definida para a produção do biodiesel. Mas existem outros, como girassóis, nabo forrageiro, amendoim, pinhão manso, canola, mamona, também com potencial de produção. A pesquisa está identificando as variedades que podem ser adaptadas às condições do clima e solo do Paraná”, afirma.
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) coloca em operação em agosto uma usina piloto de biodiesel, que vai elaborar pesquisas sobre a utilização do combustível e o melhor aproveitamento de matéria-prima. A usina, fruto de um investimento de R$ 1 milhão, vai testar a produção de biodiesel a partir de óleos como de soja, nabo forrageiro e girassol.
A intenção é produzir mil litros de biodiesel por dia, segundo Bill Costa, gerente da divisão de biocombustíveis e coordenador do Centro Brasileiro de Referência de Biocombustíveis (Cerbio). O instituto, que hoje já é referência na área de testes de conformidade de laboratório para o biodiesel que já está sendo vendido no mercado, quer desenvolver estudos também para a criação de miniusinas comunitárias junto de comunidades agrícolas.
“O Brasil, pelos projetos já em andamento, deve atender com antecipação os volumes previstos no programa nacional de biodiesel”, acredita Bill Costa. O mercado de biodiesel deve se consolidar a partir de 2008, quando a adição de 2% do combustível ao diesel comum se tornará obrigatória e exigirá uma produção de mais de 800 milhões de litros de biodiesel ao ano, de acordo com o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), lançado em dezembro de 2004. Este percentual subirá para 5% até 2013, equivalente a 2,5 bilhões de litros anuais.
De olho nesse potencial, alguns projetos já começaram a sair do papel. A Biolix Indústria de Biocombustíveis Ltda., de Rolândia, no norte pioneiro do Paraná, investiu R$ 3,5 milhões para colocar em operação sua usina, que começou a produzir em 2004. Depois de testar os óleos de soja e de girassol, a empresa optou pelo o nabo forrageiro, planta usada hoje na rotação de culturas e como alimentação animal, como matéria-prima para a produção do combustível.
“O nabo forrageiro gera 40% de óleo, enquanto a soja produz apenas 20% e precisa de uma logística de escoamento para o farelo que provém do esmagamento”, diz Alexandre Pereira Félix, proprietário da empresa, que começou a produzir em 2004.
Segundo ele, a meta é reduzir o custo de produção por litro, hoje em R$ 1,60, sem impostos, para até R$ 1. “Ainda não sabemos como será o comportamento de preços do mercado e precisamos ser competitivos para viabilizar o negócio”, afirma.
A empresa diz que faz o mapeamento da produção de nabo forrageiro no Paraná para garantir o atendimento da sua demanda. “Estamos colocando até anúncios em jornais para divulgar que a empresa está disposta a comprar o produto”, informa. Atualmente a Biolix, além de comprar do Paraná, é obrigada a buscar matéria-prima em Mato Grosso, São Paulo e Goiás para atender a sua necessidade de consumo, de 16 mil toneladas por ano. Até 2008, a Biolix quer chegar a uma produção de 100 milhões de litros por ano e já há estudos para a construção de mais duas usinas, uma em Santa Catarina e outra no Rio Grande do Sul.
A Biopetro Indústria e Comércio de Óleo Vegetal e Biodiesel, de Ibiporã, no norte do Paraná, prepara-se para usar, além do óleo de soja, sebo bovino na produção de biodiesel. A usina, prevista para entrar em operação em 2007, deve produzir 150 mil litros por dia. Linemaier Duarte, sócio-gerente, vê grandes possibilidades de exportação do produto, principalmente para a Europa. “Pelo menos 70% da produção deve ser dedicada para outros estados e para exportação”, prevê.
O mercado de biodiesel promete se transformar em um negócio também para as cooperativas agropecuárias, que já processam em larga escala óleos vegetais. A primeira a dar a largada nesse movimento foi a Cocamar Agroindustrial, de Maringá (PR), que está investindo R$ 5 milhões na construção de uma usina própria com capacidade para 12 mil metros cúbicos por ano e que deve entrar em operação em janeiro de 2007. O projeto deve aproveitar a produção de soja de comunidades familiares que fazem parte do universo de 7 mil cooperados da Cocamar.
Celso Carlos dos Santos Júnior, superintendente comercial e industrial da cooperativa, diz que a idéia inicial é usar o biodiesel no transporte de produtos da própria cooperativa e depois investir na venda no mercado. Santos Júnior, no entanto, disse que a empresa quer esperar para ver como o setor vai se consolidar.
“É um segmento promissor, mas que ainda representa um alto grau de risco. Não sabemos, por exemplo, se com o desenvolvimento do H-Bio (que mistura petróleo e óleo vegetal) pela Petrobras vai transformar a estatal em uma grande compradora de óleo no mercado, o que poderia inviabilizar as usinas de biodiesel”, diz. Segundo ele, o potencial real de exportação de biodiesel e o comportamento do preço da soja no mercado internacional também serão determinantes para o crescimento ou não da indústria de biodiesel no País.
O certo, porém, é que a produção de óleo vegetal de soja para o mercado local deve ganhar fôlego. Hoje o Brasil exporta cerca de 40% da sua produção, de 5,7 milhões de toneladas na safra passada. “Provavelmente teremos uma diminuição desse volume para atender o aumento da demanda no mercado brasileiro”, afirma.
Balanço Setorial Energia - Gazeta Mercantil
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