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Leilões e abertura de postos com biodiesel consolidam o combustível

Com a proximidade do terceiro leilão de biodiesel, cuja previsão é de ocorrer no final de maio ou no início de junho, o Governo Federal tem demonstrado que o seu uso já é, na prática, uma das formas de diversificação da matriz energética.
MDA 5 min de leitura
Com a proximidade do terceiro leilão de biodiesel, cuja previsão é de ocorrer no final de maio ou no início de junho, o Governo Federal tem demonstrado que o seu uso já é, na prática, uma das formas de diversificação da matriz energética, assim como o gás natural, o álcool e a energia eólica. Exemplo disso são os 240 milhões de litros adquiridos no primeiro e no segundo leilões de biodiesel. A expectativa é atingir 500 milhões de litros na terceira rodada, envolvendo até o final deste ano cerca de 100 mil famílias de agricultores familiares.

Para esses produtores, o Programa Nacional de Biodiesel representa uma nova alternativa de geração de emprego e renda, com a produção de oleaginosas como mamona, dendê, girassol, soja e nabo forrageiro, utilizadas pelas indústrias processadoras. Para o coordenador de Agregação de Valor e Renda da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA, Arnoldo de Campos, o momento vivido hoje pelo Programa é de consolidação da cadeia produtiva do biodiesel.

“Há cerca de oito meses, estávamos na fase de estruturação. Com a política de aquisição de biodiesel desenvolvida pelo Governo Federal, realizada por meio de leilões, já estamos na etapa de produzir oleaginosas, transformar o óleo, produzir o biodiesel e, daí, chegar até os postos de combustível”, explica.

Aumento dos pontos de venda

O biodiesel já é encontrado em pelo menos 100 postos da distribuidora mineira ALE Combustíveis, que foi a pioneira, em março de 2005, na comercialização do biocombustível no Brasil e espera chegar ao final deste ano com 350 postos comercializando o produto. Segundo o diretor-superintendente da empresa, Cláudio Zattar, o número de revendedores adeptos à idéia tem crescido. Até o final de maio, 150 deles deverão estar vendendo o diesel misturado com 2% de biodiesel.

Para atingir essas metas, a empresa já investiu neste ano R$ 10 milhões e deverá destinar mais R$ 5 milhões até o final de 2006. “Além de ser um combustível mais ecológico, o biodiesel tem gerado fidelização dos clientes dos postos e aumento médio de vendas de 20%”, destaca Zattar.

Dos 100 postos que já oferecem o biodiesel, 48 estão em Minas Gerais, 16 no Rio de Janeiro, 24 em São Paulo e 12 em Goiás e no Distrito Federal. Cada um deles comercializa, em média, 50 mil litros de biodiesel por mês. Nos últimos 12 meses, a ALE distribuidora comercializou 20,5 milhões de litros de biodiesel.

Milhares de famílias envolvidas

Segundo Paulo Sérgio Donato, gerente da filial Anápolis (GO) da Granol, uma das indústrias de produção do biodiesel, a empresa acreditou desde o início na importância estratégica, ambiental e, principalmente, no alcance social que trará ao País um projeto como esse, no qual milhares de famílias serão incluídas de uma forma sustentável na cadeia produtiva. “É extremamente gratificante e nos leva a crer que estamos cumprindo nosso papel enquanto empresa com responsabilidade social, porque estamos participando do desenvolvimento e crescimento do Brasil”, avalia Donato.

Hoje, a Granol trabalha com cerca de mil famílias apenas para atender a produção já vendida nos dois primeiros leilões. Como a empresa pretende vender mais biodiesel nos próximos leilões, está ampliando as instalações já existentes e construindo novas unidades de produção. Com isso, espera envolver na cadeia produtiva mais de 5 mil famílias de agricultores produzindo oleaginosas somente para atender a demanda da Granol.

“Nossa expectativa é de que esta será a grande alavanca, talvez a maior oportunidade para o desenvolvimento do País neste século. E a prova maior disso é que estamos investindo mais de R$ 100 milhões em instalações e ampliações de fábricas de biodiesel em diversas regiões do Brasil”, destaca o gerente.

Mistura será obrigatória em 2008

A principal utilização do biodiesel é em mistura com o diesel que, a partir de janeiro de 2008, será obrigatória. Todo diesel brasileiro terá pelo menos 2% de biodiesel. Além de ser um combustível renovável, ele emite um teor menor de enxofre na atmosfera - a cada ponto percentual de biodiesel adicionado, há diminuição de também um ponto percentual no teor de enxofre.

Ou seja, além de melhorar a lubricidade do diesel, poderá diminuir parcialmente os custos com a retirada de enxofre e, assim, reduzir a poluição causadora do efeito estufa e de problemas respiratórios. “Na medida em que o biodiesel for aumentando sua participação na mistura, teremos uma redução desses problemas, principalmente nos centros urbanos, traduzindo-se em qualidade de vida”, diz Campos.

Os próximos passos

Com a implantação e ampliação do Programa Nacional de Biodiesel, aumentam as responsabilidades e os desafios para a agricultura familiar no sentido de organizar sua produção agrícola e sua participação na cadeia produtiva. A entrega até o final de 2007 de mais de 700 milhões de litros de biodiesel implica na ampliação da área plantada e do número de famílias envolvidas, na necessidade de um financiamento agrícola maior, de logística e armazenagem. “Isso vai exigir um planejamento bastante detalhado e abrangente, visando o cumprimento das entregas de biodiesel já que, em cada litro desse combustível, há a participação da agricultura familiar no cultivo das oleaginosas ou até mesmo na produção do óleo”, avalia Campos.

Hoje, cerca de 35 mil famílias participam da cadeia produtiva do biodiesel, mas até o final do ano deverão ser 100 mil para que as metas possam ser cumpridas. Segundo o coordenador da SAF/MDA, até final de 2006 é preciso que o agricultor já tenha plantado a oleaginosa para que se tenha a quantidade suficiente de entrega até o final de 2007. Campos explica que cada empresa tem uma meta a cumprir sobre o número de agricultores familiares envolvidos na cadeia e na área plantada. Para participar dos leilões, as empresas precisam garantir uma quantidade mínima de compra de matéria-prima junto aos agricultores familiares.
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