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Já se imagina um mar de soja

A perspectiva agora para a nova safra da soja é que o resultado será melhor que o dos dois últimos anos, mas ainda ficará muito longe do que se conseguiu até bem pouco tempo.
Jornal A Cidade 4 min de leitura
A perspectiva agora para a nova safra da soja é que o resultado será melhor que o dos dois últimos anos, mas ainda ficará muito longe do que se conseguiu até bem pouco tempo. O melhor mesmo será a partir de 2008, quando a remuneração do produtor passará a ter a influência do programa energético e, por conta disso, até já se fala que o Brasil será um mar de soja daqui alguns anos.

Este comentário de Moacir Bocalon, produtor rural de Nuporanga, é uma síntese do que acontece em relação à soja. Quando do início da comercialização da safra do ano 2003/04, o preço do produto chegou a mais de 50 reais.
Depois, despencou, chegou a 23 reais, um pouco devido às circunstâncias do mercado externo e muito mais por causa da desvalorização do dólar frente ao real.

Os sojicultores falaram em prejuízo e sua maior reclamação é que, nos dois últimos anos, foram comercializar a safra quando o dólar valia bem menos do que quando tiveram de comprar os insumos (calcário, sementes, fertilizantes e defensivos) para plantar e fazer a produção.

Para este ano não existe o descompasso cambial, a não ser que o dólar venha a cair ainda mais.

Os insumos estão sendo adquiridos, este ano, a preços, em geral, 30% inferiores aos do ano passado.

Com a moeda norte-americana permanecendo no patamar de R$ 2,15 a R$ 2,20, a soja não deve chegar ao resultado excepcional do início de 2004, mas será uma cultura lucrativa na nova safra, segundo a conclusão a que se chegou nos últimos fóruns de debates, em diferentes regiões brasileiras, sobre o novo ano agrícola.

Fins energéticos
Mas o melhor virá depois. A partir de 2008, o preço da soja deve melhorar consideravelmente, segundo os analistas, que se referem à utilização do produto para fins energéticos, visando suprir boa parte do programa brasileiro de biodiesel e atender ao programa do hbio, com o qual a Petrobras prevê adicionar óleo vegetal bruto no petróleo bruto.

O coordenador de Economia da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal), Marco Nappo, afirma que “a agricultura energética, ou seja, o uso de matérias-primas produzidas pela agricultura para fins energéticos, veio para ficar” e deve ser vista como um elemento importante na solução de outros problemas contemporâneos, como a redução da poluição atmosférica e a redução do êxodo rural, com a geração de emprego e renda no campo.

PREVISÃO
Óleo vai ser alavanca do biodiesel

Para Marco Nappa, da Abiove, o óleo de soja deverá ser a alavanca do programa de biodiesel no Brasil no estágio inicial. A médio prazo é que, segundo ele, outras culturas poderão ser utilizadas, como a palma, o girassol, a mamona, o pinhão manso e outras.

Nappo lembra que o Brasil deve exportar este ano mais de 25 milhões de toneladas de soja in natura, que, se fossem processadas internamente, gerariam uma produção adicional de cerca de 4,7 milhões de toneladas de óleo, volume mais de quatro vezes maior do que o necessário, em janeiro de 2008, para o programa B2, que deve atingir 1 bilhão de litros de biodiesel por ano.

Assim, a expectativa: tal como aconteceu com a cana, o uso da soja para fins energéticos deve estimular sua expansão no Brasil. E até se fala no “mar de soja” que deve surgir em regiões brasileiras, da mesma forma que existe o “mar de cana” na região de Ribeirão Preto.

CARLOS ALBERTO NONINO
Riberão Preto
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