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O fim do sonho do biodiesel

Empresário desiste de usina que produziria biodiesel no Vale do Aço e coloca a venda usina inacabada
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Empresário desiste de usina que produziria biodiesel no Vale do Aço e coloca a venda usina inacabada

IPATINGA (MG) – Há quase três anos, a notícia de que o Vale do Aço teria uma usina de biodiesel correu o Brasil. A montagem da unidade da JR Biogerais começou em 2005 às margens da BR-458, na saída de Ipatinga para Caratinga, e as obras avançaram de tal forma que, em 2006, reportagem reproduzida pelo site “BiodieselBR.com”, portal especializado no assunto, previa que até o fim daquele ano a unidade estaria a produzir 2 milhões de litros de óleo por mês. Seriam, então, gerados 60 empregos diretos e um número incalculável de empregos na produção regional da matéria-prima para abastecer a linha de produção de biodiesel.

Sonho
Mas não foi o que aconteceu. Hoje, a unidade está à venda, com 60% de sua montagem concluída. Fabricar biodiesel era o sonho do empresário José Alvino Filho, que esperava atingir a marca de 24 milhões de litros por ano, além de adubo orgânico com subprodutos da extração de biodiesel.

A mamona e o pinhão manso produzidos em Caratinga, além do sebo bovino, seriam as matérias- primas da JR Biogerais. O empresário disse que a ideia de montar a usina no Vale do Aço surgiu quando participou de um congresso em 2002.

Ele já trabalhava com subproduto bovino, oriundo de graxaria, e viu a possibilidade de utilizar também o sebo no processo. “Fui incentivado pelo governo que, naquela época, garantiu que havia crédito facilitado para empreendimentos dessa natureza”, garantiu o empresário.

Confiança
Em seu apartamento no bairro Cidade Nobre, em Ipatinga, onde recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO, Alvino lamentou ter confiado demais na promessa do governo. Embora alertado de que não seria fácil o empreendimento, não contava com as dificuldades que encontraria pela frente.

Em 2005, quando Alvino iniciava o empreendimento, escasseou o dinheiro para o projeto que era assessorado pela Universidade de Campinas (Unicamp) e, numa tentativa de salvar a usina, o empresário decidiu buscar recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Investimentos
Para levar a usina de biodiesel de Ipatinga ao estágio em que parou em 2006, José Alvino Filho disse ter gasto aproximadamente R$ 6 milhões, incluindo R$ 1,08 milhão que conseguiu emprestado no BNDES. Desse financiamento Alvino acredita que já tenha quitado a maior parte, mas desistiu de investir mais na unidade. “O fato é que o BNDES tem dinheiro para especular e não para fazer funcionar projetos sólidos, mas pequenos como esse”, criticou.

Alvino esperava contar com a agilidade na liberação dos recursos. Ele solicitou o financiamento de R$ 1,8 milhão junto ao BNDES. Sua proposta tramitou de um lado para outro e, um ano depois, foi liberado um valor abaixo do que era necessário.

O empresário disse ter a impressão de que os analistas do BNDES não entendem nada de comércio, porque as potencialidades do negócio são inegáveis. “Mas também acredito que tenha havido restrições porque estou com 73 anos. Talvez eles achem que o sujeito, após os 60 anos, não pode trabalhar”, concluiu.

Alvino e uma garrafa do biodiesel que queria produzir: “Confiei demais no governo”
Alvino - JR biogerais

Empresário quer vender imóvel: R$ 3,2 milhões

Em 2008, com recursos insuficientes e sem conseguir levar o projeto adiante, o empresário José Alvino Filho colocou a usina parcialmente montada à venda e espera até hoje que algum grupo se interesse pelo projeto. Como isso demora, decidiu vender só a propriedade, sem o maquinário. Ele confirma que já recebeu algumas propostas, mas de interessados apenas em alugar o galpão.

Ele pretende insistir na venda do imóvel, pelo qual pede R$ 3,2 milhões. Segundo o empresário, o que for arrecadado na venda será destinado à conclusão da modernização de sua graxaria em Campos (RJ). Empreendedor, ele não descarta a possibilidade de investir na produção de sal mineral no Vale do Aço, utilizando como principal matéria-prima o osso bovino calcinado. “Mas isso só com recursos próprios. Pegar dinheiro em banco? Nunca mais”, finalizou Alvino.

Usina fechada: fim do sonho do biodiesel “made in” Vale do Aço
Jr Biogerais - Ipatinga MG

Reportagem e fotos: Alex Ferreira - Diário do Aço
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