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Eletronorte insere o biodiesel nos sistemas isolados do Norte

A partir deste semestre, a Eletronorte inicia o processo de diversificação da matriz elétrica dos sistemas isolados da Região Norte.
DCI 4 min de leitura
A partir deste semestre, a Eletronorte inicia o processo de diversificação da matriz elétrica dos sistemas isolados da Região Norte. A subsidiária da Eletrobrás irá introduzir o biodiesel nos sistemas termoelétricos de Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). Inicialmente, a queima do energético irá gerar apenas 2 MW médios de energia elétrica, de acordo com o plano de operação 2006, documento elaborado pelo Grupo Técnico Operacional da Região Norte (GTON) da Eletrobrás, responsável pelo planejamento e supervisão dos sistemas isolados da Região Norte.

Os sistemas isolados — assim denominados por não serem atendidos pelas linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional — são abastecidos principalmente pela termogeração. Segundo dados do plano de operação 2006, a geração hídrica representará apenas 19,5%, ou 266 MW médios, da produção de energia, enquanto a termoeletricidade corresponderá a 76,2% (1,04 mil MW). O diesel detém a maior participação, com 27,3% (373 MW) — para gerar tal energia, serão consumidos 929 milhões de litros do insumo. O volume de 2 MW garantirá ao biodiesel inserção de 0,14% na matriz.

O projeto deverá demandar, inicialmente, 6,525 milhões de litros de biodiesel, o que significa uma adição de 2% do insumo ao diesel. Deste montante, 1,341 milhão de litros será consumido no sistema Macapá, 712 mil litros em Rio Branco e 4,472 milhões de litros em Porto Velho. A meta da Eletronorte é atingir a adição de 20% — o que representa um volume de 64,5 milhões de litros de biodiesel —, de acordo com Ércio Muniz Lima, gerente de desenvolvimento energético de comunidades isoladas da estatal.

Segundo o executivo, as térmicas precisarão passar por ajustes para utilizar o energético. “Por ser um projeto novo, os fabricantes estão receosos. Por isso, estamos observando o aspecto da garantia dos equipamentos”, afirma. Um dos pontos ainda não definidos diz respeito ao percentual de mistura entre o biodiesel e o diesel. A gerência de térmicas da estatal ainda avalia a questão conforme a especificidade das turbinas.

Até por isso, os valores dos volumes iniciais não são definitivos. Muniz explica que o projeto será submetido hoje à diretoria da Eletronorte para aprovação, sendo que após essa etapa haverá uma definição mais precisa da demanda por biodiesel.

Na primeira fase do projeto, a Eletronorte irá adquirir o insumo da BR Distribuidora. Segundo Muniz, a subsidiária da Eletrobrás está finalizando as negociações com a distribuidora para definir o volume a ser comprado e a que preço. “O biodiesel ainda é um pouco mais caro que o diesel. Negociamos com a BR para que o biodiesel seja vendido ao mesmo preço do diesel”, explica.

O biodiesel já vem ganhando competitividade. No segundo leilão de biodiesel da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em março, o preço médio foi de R$ 1,.85 por litro. Já no terceiro e quarto leilões, realizados este mês, o valor médio de venda caiu para R$ 1,74 por litro. Apesar disso, os preços correspondem apenas à remuneração do produtor, não incluindo as margens das distribuidoras e os custos com logística. Em contrapartida, dados da ANP indicam que o diesel é comercializado pelas distribuidoras ao valor médio de R$ 1,76 por litro na Região Norte.

Na segunda etapa, a Eletronorte pretende adquirir o biodiesel de agricultores familiares. Para tanto, a estatal mantém conversas com o Ministério de Desenvolvimento Agrário para incentivar a produção do energético em sua área de concessão. Muniz não revelou de qual tipo de oleaginosa será estimulado o cultivo.

A Região Norte apresenta grande potencial para o aproveitamento da palma, de acordo com Miguel Biegai, analista da consultoria Safras & Mercado. “Enquanto a soja apresenta produtividade de 500 litros por hectare, a relação para a palma é de 4 mil litros por hectare”, explica. O grande problema é que o prazo do plantio até a colheita leva anos e varia conforma a variedade plantada. O analista vê com bons olhos a estratégia da Eletronorte. “A médio prazo, o biodiesel será muito competitivo. É preciso levar em conta que grande parte do diesel consumido no Norte vem do Sudeste. A inserção trará futuramente uma redução de custos.”
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