Representantes da prefeitura de Araranguá estiveram reunidos com a
Comissão de Bioenergia da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul
na última segunda-feira. O encontro pode ser uma alternativa para o
futuro de agricultores do município.
A expectativa é de que em pouco tempo agricultores de Araranguá estejam cultivando mamona para a vender para a fabricação de óleo vegetal. Produzir biodiesel com a semente da mamona não é algo...
Representantes da prefeitura de Araranguá estiveram reunidos com a Comissão de Bioenergia da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul na última segunda-feira. O encontro pode ser uma alternativa para o futuro de agricultores do município. O projeto ainda não foi montado, mas a expectativa é de que em pouco tempo agricultores de Araranguá estejam cultivando mamona para a vender para a fabricação de óleo vegetal. Produzir biodiesel com a semente da mamona não é algo para curto prazo, segundo Aldo Apolinário, diretor do departamento de indústria e comércio de Araranguá, mas é uma atividade que não está descartada.
A prefeitura de Araranguá, em parceria com a Epagri, pretende implementar o cultivo de mamona como rodízio de culturas. Luiz Leme, engenheiro agrônomo da secretaria da Agricultura de Araranguá, explica que a mamona poderia ser plantada após a colheita do fumo. Dessa maneira, os gastos com adubação e preparo da terra seriam reduzidos. Ele explica que o investimento inicial para compra das sementes seria do próprio agricultor. "Existem quatro comunidades pertencentes à Associação de Desenvolvimento das Microbacias que podem participar do projeto", afirma.
Para Apolinário, existe a possibilidade do município instalar, em um segundo momento, uma prensa, para que a extração do óleo seja feita ainda em Araranguá. "É uma maneira de agregar valor ao produto", acredita Apolinário. Outro subproduto do óleo da mamona é a torta, obtida por meio da última prensagem da mamona, que, transformada em uma espécie de farinha, serve como adubo orgânico. Com a prensa, a matéria-prima para a fabricação do biodiesel estaria "a mão".
Mario Angelo Vidor, pesquisador e gerente técnico estadual da Epagri, explica que a empresa catarinense ficará responsável pelos testes com o solo e com as plantas. Segundo ele, a Epagri também realizará testes com o girassol. "Não são culturas recorrentes no Estado, por isso temos que ver como irão se comportar aqui", afirma Vidor. Por enquanto, o traba- lho da Epagri no projeto da Embrapa não englobará a produção de biodiesel utilizando as sementes da mamona e de girassol. Mas é algo que não está descartado.
Para Paulo Tagliari, coordenador do Projeto Agroecologia da Epagri, o trabalho ainda é incipiente. A reunião com a Embrapa ocorreu semana passada. Para que as plantas sejam cultivadas algumas questões devem ser observadas, segundo Tagliari. Ele afirma que o cultivo deve sem agrotóxicos. Segundo ele, a mamona e o girassol são plantas rústicas, cujo manejo agroecológico é indicado. "Sem a utilização de fertilizantes químicos, há economia de energia", explica.
Sérgio Rosso, secretário da Agricultura de Jacinto Machado, explica que de imediato, dez agricultores participarão do projeto, sendo que cada um plantará um hectare de girassol. "Já temos 20 agricultores interessados", diz. O município possui cerca de dois mil pequenos agricultores cadastrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e somente pessoas cadastradas no programa governamental poderão participar do projeto do biodiesel. O intuito do projeto do biodiesel é possibilitar uma renda extra aos pequenos agricultores.
"Há mercado para o biodiesel", afirma o consultor. Segundo ele, a intenção é que 50% do combustível produzido seja utilizado pelo próprio município e o restante seja comercializado com outras localidades. Projetos como o de Jacinto Machado devem ser implantados pela Ong em outros municípios catarinenses, como Campos Novos e Tijucas.
Além do óleo extraído da semente do girassol, utilizado na fabricação de óleo vegetal e do biodiesel, há outras possibilidades de agregar valor ao girassol. Andrades explica que pode-se fazer farinha da semente de girassol, além da torta (adubo) e da borra, utilizado para fazer sabão. "O retorno financeiro é rápido. Entre plantio, colheita e produção são 120 dias", afirma.
Milena Nandi - Jornal A Tribuna
A expectativa é de que em pouco tempo agricultores de Araranguá estejam cultivando mamona para a vender para a fabricação de óleo vegetal. Produzir biodiesel com a semente da mamona não é algo...
Representantes da prefeitura de Araranguá estiveram reunidos com a Comissão de Bioenergia da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul na última segunda-feira. O encontro pode ser uma alternativa para o futuro de agricultores do município. O projeto ainda não foi montado, mas a expectativa é de que em pouco tempo agricultores de Araranguá estejam cultivando mamona para a vender para a fabricação de óleo vegetal. Produzir biodiesel com a semente da mamona não é algo para curto prazo, segundo Aldo Apolinário, diretor do departamento de indústria e comércio de Araranguá, mas é uma atividade que não está descartada.
A prefeitura de Araranguá, em parceria com a Epagri, pretende implementar o cultivo de mamona como rodízio de culturas. Luiz Leme, engenheiro agrônomo da secretaria da Agricultura de Araranguá, explica que a mamona poderia ser plantada após a colheita do fumo. Dessa maneira, os gastos com adubação e preparo da terra seriam reduzidos. Ele explica que o investimento inicial para compra das sementes seria do próprio agricultor. "Existem quatro comunidades pertencentes à Associação de Desenvolvimento das Microbacias que podem participar do projeto", afirma.
Trabalho ainda é embrionário
Apolinário classifica o trabalho como embrionário. A intenção não é fazer com que o agricultor abandone a antiga cultura, mas criar possibilidade de geração de renda extra. A venda da mamona já está garantida, segundo Apolinário. A Vinema, indústria de óleo vegetal a base de semente de mamona, está interessada em comprar a produção de Araraguá. "Eles querem aumentar o número de fornecedores de mamona", diz. Além do óleo vegetal, a empresa já possuiria uma usina pequena para a fabricação do biodiesel através da semente da mamona.Para Apolinário, existe a possibilidade do município instalar, em um segundo momento, uma prensa, para que a extração do óleo seja feita ainda em Araranguá. "É uma maneira de agregar valor ao produto", acredita Apolinário. Outro subproduto do óleo da mamona é a torta, obtida por meio da última prensagem da mamona, que, transformada em uma espécie de farinha, serve como adubo orgânico. Com a prensa, a matéria-prima para a fabricação do biodiesel estaria "a mão".
Estação Experimental de Urussanga pode ter projeto da Embrapa para plantação de mamona
A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), ajudará a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Empraba) a implementar um projeto de plantação de mamona e geração de biodiesel nos três Estados do Sul. Em Santa Catarina, a Epagri deve realizar experimentos com a planta nos municípios de Canoinhas, Chapecó e Urussanga a partir de setembro.Mario Angelo Vidor, pesquisador e gerente técnico estadual da Epagri, explica que a empresa catarinense ficará responsável pelos testes com o solo e com as plantas. Segundo ele, a Epagri também realizará testes com o girassol. "Não são culturas recorrentes no Estado, por isso temos que ver como irão se comportar aqui", afirma Vidor. Por enquanto, o traba- lho da Epagri no projeto da Embrapa não englobará a produção de biodiesel utilizando as sementes da mamona e de girassol. Mas é algo que não está descartado.
Para Paulo Tagliari, coordenador do Projeto Agroecologia da Epagri, o trabalho ainda é incipiente. A reunião com a Embrapa ocorreu semana passada. Para que as plantas sejam cultivadas algumas questões devem ser observadas, segundo Tagliari. Ele afirma que o cultivo deve sem agrotóxicos. Segundo ele, a mamona e o girassol são plantas rústicas, cujo manejo agroecológico é indicado. "Sem a utilização de fertilizantes químicos, há economia de energia", explica.
Jacinto Machado já tem projeto para biodiesel de girassol
Enquanto em Araranguá a fabricação do biodiesel ainda é uma idéia distante, em Jacinto Machado o projeto para o cultivo de girassol e a implantação de uma prensa (máquina para extrair o óleo da planta), para a fabricação futura de biodiesel já está sendo elaborado. Inicialmente, dez hectares de girassol devem ser plantados, que devem render de 300 a 400 litros de óleo.Sérgio Rosso, secretário da Agricultura de Jacinto Machado, explica que de imediato, dez agricultores participarão do projeto, sendo que cada um plantará um hectare de girassol. "Já temos 20 agricultores interessados", diz. O município possui cerca de dois mil pequenos agricultores cadastrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e somente pessoas cadastradas no programa governamental poderão participar do projeto do biodiesel. O intuito do projeto do biodiesel é possibilitar uma renda extra aos pequenos agricultores.
Ong será responsável pelo trabalho
O Instituto Tranformação, uma Organização Não-Governamental (Ong), será o responsável pela elaboração do projeto e orientações sobre a implantação dele em Jacinto Machado. Oscar Andrades, consultor do Projeto Biodiesel do instituto, afirma que o cultivo de girassol e a fabricação do biodiesel garantem emprego e renda extra para os agricultores. De acordo com ele, o projeto é viável a partir de dez hectares plantados. O preço para a implantação do projeto é de R$ 15 mil, segundo Andrades, incluindo a máquina para a extração do óleo."Há mercado para o biodiesel", afirma o consultor. Segundo ele, a intenção é que 50% do combustível produzido seja utilizado pelo próprio município e o restante seja comercializado com outras localidades. Projetos como o de Jacinto Machado devem ser implantados pela Ong em outros municípios catarinenses, como Campos Novos e Tijucas.
Além do óleo extraído da semente do girassol, utilizado na fabricação de óleo vegetal e do biodiesel, há outras possibilidades de agregar valor ao girassol. Andrades explica que pode-se fazer farinha da semente de girassol, além da torta (adubo) e da borra, utilizado para fazer sabão. "O retorno financeiro é rápido. Entre plantio, colheita e produção são 120 dias", afirma.
Milena Nandi - Jornal A Tribuna