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Ceará quer criar programa local de biodiesel

A fabricação de biodiesel no Ceará está enfrentando dificuldades na área de comercialização e também da plantação da mamona.
Jornal O Povo - CE 3 min de leitura
A fabricação de biodiesel no Ceará está enfrentando dificuldades na área de comercialização e também da plantação da mamona. A área plantada no Ceará caiu de 24.600 hectares, no ano passado, para 18.600 hectares este ano. No começo do projeto de mamona no Estado, em 2003, a área plantada era de apenas 1.900 hectares.

Segundo o coordenador do projeto Mamona no Ceará, Valdenor Feitosa, os motivos da diminuição na área plantada no Ceará seria uma junção de problemas como a baixa produtividade e baixo preço de venda que desestimulou os agricultores a continuarem a plantar mamona. O preço do quilo da mamona pode variar de R$ 0,35 a 0,60. "O Estado do Ceará passa por uma série de dificuldades e a mais importante é o problema da comercialização da mamona. Na realidade o Governo federal no tocante ao aspecto industrial do biodiesel ele andou muito bem. Mas quanto à questão de crédito os agentes financeiros ainda estavam com o pé atrás para financiar o cultivo da mamona".

A baixa produtividade da mamona também prejudica o potencial do Ceará para a fabricação de biodiesel. "O Estado tem capacidade instalada de 100 mil toneladas ano de biodiesel e o Ceará está produzindo menos de 10% da sua capacidade", enfatiza Valdenor.

Os problemas do biodiesel no Ceará foram discutidos ontem durante audiência pública, solicitada pelo deputado Chico Lopes (PCdoB) na Assembléia Legislativa. A audiência reuniu as mais diversas entidades ligadas à produção de mamona no Estado como a Empresa de Assistência Técnica e de Extensão Rural do Ceará (Ematerce), o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), universidades e a Tecbio, empresa de tecnologia.

Uma das alternativas apontadas durante a audiência pública foi a criação do programa Ceará Biodiesel, a ser liderada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, que teria como objetivo consolidar a produção e comercialização do biodiesel. "É preciso uma coordenação para estes projetos que estão acontecendo. O Dnocs puxa para um lado, a Embrapa puxa para o outro. O Governo do Estado aumenta a quantidade de área plantada e depois diminui drasticamente. Então é necessário que tenha uma coordenação para dar visibilidade, para saber para aonde vai a produção", defende o deputado.

Outra alternativa apontada foi a formação de cooperativas de agricultores de mamona para que eles possam vendê-la sem atravessadores, além de também incentivar a produção de óleo pelos próprios agricultores para agregar valor ao produto. "Se a gente olhar a cadeia produtiva do biodiesel sobre três elos, o agrícola, o industrial e o mercado, e inserir o Ceará nesta cadeia, veremos que o mercado está receptivo e existe uma reserva de consumo de biodiesel. Na questão de produção e tecnologia o Ceará encontra-se como o maior produtor do País. Porém, o elo mais fraco, que é o agrícola, está em dificuldades. E é também neste elo que se encontra o maior potencial de inclusão social", afirma Expedido Parente Júnior, da Biotec.

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