BiodieselBR
Publicidade

Capital estrangeiro avança nos setores de etanol e biodiesel

O avanço do capital estrangeiro nos setores de biodiesel e de etanol é cada vez maior e mais diversificado. Além disso, em 2006, as três maiores empresas do agronegócio mundial, conhecidas pela sigla ABC, abriram espaço na agroenergia brasileira.
DCI 4 min de leitura
O avanço do capital estrangeiro nos setores de biodiesel e de etanol é cada vez maior e mais diversificado. No segmento de biodiesel, por exemplo, a Brasil Ecodiesel, que programou para amanhã seu lançamento de ações na Bolsa de Valores, tem como principal acionista o fundo BT Global, administrado pelo Deutsche Bank, e reservou 3,5 milhões de papéis (recibos conhecidos pela sigla ADS) de sua emissão para investidores do exterior. Há também crescente assédio de investidores a projetos de fabricação do combustível a partir da mamona no Nordeste.

Também no etanol a presença do capital estrangeiro é cada vez mais ampla, embora nem sempre seja notada.

A Cosan, maior empresa de açúcar e álcool do País, que tem planos de expansão em etanol, conta em sua composição acionária com vários investidores do exterior. O grupo francês Tereos, por exemplo, tem 6,3% do controle da empresa; a também francesa Sucden tem uma fatia de 1,7% e os chineses do Kuok Group, 4,1%. No total, a participação desses grupos é de 12,1%.

Mais ainda: dos 29,5% do controle colocados no mercado pela Cosan em novembro do ano passado, cerca de 90% foram adquiridos por investidores estrangeiros.

A Infinity Bio-Energy, que tem planos ambiciosos de investir em etanol no Brasil, tem 75% de participação de fundos de investimento como Merrill Lynch, Stark e Och-Zitt Management. A empresa tem ações negociadas na Bolsa de Londres desde maio e já realizou captações de US$ 360 milhões, além de estar estruturada para conseguir R$ 850 milhões.

Investida das três gigantes

Além disso, em 2006, as três maiores empresas do agronegócio mundial, conhecidas pela sigla ABC, abriram espaço na agroenergia brasileira. A Archer Daniel Mills (ADM) iniciou a construção de uma fábrica de biodiesel em Rondonópolis (MT); a Bunge começou a operar como trading exportadora de açúcar e álcool no Brasil, e a Cargill estreou na produção de etanol no País com a compra da usina Cevasa.

Em junho, o empresário Maurílio Biagi Filho vendeu sua participação de 63% na usina Cevasa, de Morro Agudo (SP) para a multinacional Cargill. Ao lado da família Ometto, da Cosan, Biagi é um dos principais expoentes de uma geração de usineiros que está se abrindo ao capital estrangeiro para aproveitar o bom momento do setor.

Agora, Maurílio Biagi vai investir na construção de usinas em parceria com o empresário norte-americano Dan Slane, que possui três fábricas de etanol em seu país. O usineiro conta que a idéia original de Slane era que eles investissem na construção de usinas de álcool nos Estados Unidos, mas o brasileiro inverteu o jogo e conseguiu convencer o americano que seria melhor realizar a parceria em terras brasileiras.

“Nos Estados Unidos, o mercado não é tão livre quanto no Brasil e o etanol de milho é menos competitivo que o de cana”, diz Biagi, que recebe constantemente visitas estrangeiras em sua Usina Moema. “O mundo todo está de olho no etanol brasileiro”, afirma ele.

Ofensiva no biodiesel

No biodiesel, um setor novo no Brasil, a participação estrangeira cresce de maneira ainda mais acelerada. Há iniciativas como a usina que usará soja como matéria-prima, em Barra dos Bugres (Mato Grosso), inaugurada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas os investidores estrangeiros estão aumentando sua presença nesse segmento. Além do fundo com participação na maior empresa do segmento, a Brasil Ecodiesel, a ADM anunciou a construção de uma das maiores usinas de biodiesel do mundo, no Mato Grosso, para fabricar 180 mil toneladas por dia.

O capital estrangeiro viabilizou também a construção de uma unidade de biodiesel da All Cotton (Cooperativa dos Produtores de Algodão de Goiás).

A planta que será construída no município de Acreúna (Goiás) custará 53 milhões de euros, captados com um pool de quatro empresas européias. Segundo o presidente da All Cotton, João Matos, os investidores estrangeiros foram atraídos pela boa taxa de retorno: 12%, a partir do terceiro ano de operação.

No Piauí, pólo produtor de mamona e sede da primeira unidade da Brasil Ecodiesel, o grupo norte-americano Becco Biofuels planeja construir uma fábrica de biodiesel.

O gerente de programas estratégicos e relações internacionais do governo do Piauí, Sérgio Vilela, conta que a empresa está trazendo sementes de mamona desenvolvidas fora do Brasil para serem testadas na região, o que mostra o interesse em desenvolver o projeto no País.

“Após ter certeza de que as variedades se adaptam bem ao estado, a empresa deverá partir para o investimento industrial”, prevê Vilela.

Luiz Silveira / Theo carnier    
Compartilhar: