Governos do Estado e Federal mostram-se empenhados na produção do biodiesel a partir da mamona, garantindo a inclusão social no semi-árido. Neste ano, o Ceará deve receber mais de R$ 18 milhões em investimentos para a produção do combustível
A produção de energias alternativas é hoje uma questão discutida no mundo todo. Enquanto países da Europa investem na canola como única fonte de energia, o semi-árido nordestino esbanja possibilidades de matéria-prima para a produção de biocombustíveis. Nesse processo, o Ceará tem chances de ser destaque no País com biodiesel a partir do cultivo da mamona. As usinas de produção do combustível começam a se instalar e governos federal e estadual vêem a possibilidade de gerar emprego e renda para o homem do campo. "Inclusão social" é agora a expressão de ordem. A expectativa para o desenvolvimento do combustível é intensa, mas com os resultados obtidos até o momento ainda paira a dúvida: será que o Estado realmente consegue esta arrancada?
Na última semana, o governador do Estado, Cid Gomes, foi ao município de Tauá participar do lançamento de uma miniusina esmagadora de sementes e apresentar o Programa Biodiesel Ceará. Na ocasião, foi anunciado o investimento de R$ 11 milhões para incentivar o plantio. Nos dias 16 e 17 de março, será a vez do Governo Federal, por meio do ministério da Integração Nacional, oficializar sua parte no projeto, disponibilizando recursos da ordem de R$ 7,5 milhões para a construção de miniusinas esmagadoras de mamona. Como explica o titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Camilo Santana, a verba aplicada pelo Estado deve fazer com que a área plantada saia dos atuais 16 mil hectares (ha) para 40 mil ha até o final do ano.
Para tanto, a SDA deve subsidiar 100% das sementes de mamona plantadas por agricultores familiares. Além disso, será dado um incentivo de R$ 150 por cada novo hectare plantado, até o máximo de três. Como neste primeiro ano os produtores venderão a mamona - e não o óleo já extraído -, o Estado dará estímulo de mais R$ 0,14 para garantir o preço mínimo de R$ 0,70 por quilo da semente. Os outros R$ 0,56 estão assegurados pelo Governo federal. "O que aconteceu nos últimos dois anos foi que com o programa de biodiesel do Governo federal, as pessoas se sentiram estimuladas a comprar, mas na hora de vender não teve preço", esclarece.
O programa começa a empolgar agricultores. O agricultor Crisanto Soares Bezerra, 47, atualmente planta feijão e milho mas já se prepara para cultivar mamona em Quiterianópolis, no sertão dos Inhamuns, onde mantém uma pequena mercearia. "Meu pai também era agricultor e plantava mamona, mas depois todo mundo abandonou porque ninguém comprava", conta. No entanto, com o Programa do Biodiesel, Crisanto acha que retomar o cultivo da oleaginosa pode aumentar a renda. "Eu e meus irmãos vamos plantar mamona. O inverno está bom e já tem quem compre", diz.
Segundo Santana, a idéia é que a mamona tenha um plantio consorciado com o feijão, atuando, assim, como renda complementar, além de recuperar o desgaste do solo. O programa deve financiar ainda 57 agentes rurais para dar assistência técnica ao produtor. O secretário observa que de contrapartida o Estado exige que se use a semente selecionada, por ter uma qualidade melhor, além de fazer a correção de solo com aplicação de calcário. "Iremos fazer subsídio de 50% do calcário", reforça.
O convênio com Petrobras e Brasil Ecodiesel - as empresas que estão iniciando o processo de produção de biodiesel -, conforme Santana, já estão acertados, garantindo a compra da produção. A previsão da SDA é que 16 mil famílias sejam beneficiadas este ano. As intenções são boas, mas ainda há quem tema que a tal inclusão social não ocorra. Segundo o deputado federal Ariosto Holanda, é preciso atenção para garantir que o pequeno agricultor esteja realmente inserido no processo. "A minha luta está sendo pelo biodiesel como inclusão social, para que não siga o caminho do Proalcool, que foi um programa de exclusão, que só favoreceu os grandes usineiros", afirma.
De imediato, Santana afasta o risco. "Não vamos garantir incentivos para o grande (produtor). São os cadastrados no Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) e os agentes vão lá conferir se foi plantado", defende. O titular da SDA diz ainda que o programa está em fase de construção e precisa ser monitorado em toda sua extensão. Para ele, é momento de garantir que as empresas instaladas no Ceará utilizem matéria-prima totalmente produzida no Estado. "A cada momento vamos avaliando, fazendo as contas no lápis e acompanhando o caminho dos pequenos. Esse é o pontapé inicial, o jogo está começando e tínhamos que tomar essa decisão agora, porque não podíamos perder esse inverno", justifica.
Camille Soares
colaborou Wânia Caldas
A produção de energias alternativas é hoje uma questão discutida no mundo todo. Enquanto países da Europa investem na canola como única fonte de energia, o semi-árido nordestino esbanja possibilidades de matéria-prima para a produção de biocombustíveis. Nesse processo, o Ceará tem chances de ser destaque no País com biodiesel a partir do cultivo da mamona. As usinas de produção do combustível começam a se instalar e governos federal e estadual vêem a possibilidade de gerar emprego e renda para o homem do campo. "Inclusão social" é agora a expressão de ordem. A expectativa para o desenvolvimento do combustível é intensa, mas com os resultados obtidos até o momento ainda paira a dúvida: será que o Estado realmente consegue esta arrancada?
Na última semana, o governador do Estado, Cid Gomes, foi ao município de Tauá participar do lançamento de uma miniusina esmagadora de sementes e apresentar o Programa Biodiesel Ceará. Na ocasião, foi anunciado o investimento de R$ 11 milhões para incentivar o plantio. Nos dias 16 e 17 de março, será a vez do Governo Federal, por meio do ministério da Integração Nacional, oficializar sua parte no projeto, disponibilizando recursos da ordem de R$ 7,5 milhões para a construção de miniusinas esmagadoras de mamona. Como explica o titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Camilo Santana, a verba aplicada pelo Estado deve fazer com que a área plantada saia dos atuais 16 mil hectares (ha) para 40 mil ha até o final do ano.
Para tanto, a SDA deve subsidiar 100% das sementes de mamona plantadas por agricultores familiares. Além disso, será dado um incentivo de R$ 150 por cada novo hectare plantado, até o máximo de três. Como neste primeiro ano os produtores venderão a mamona - e não o óleo já extraído -, o Estado dará estímulo de mais R$ 0,14 para garantir o preço mínimo de R$ 0,70 por quilo da semente. Os outros R$ 0,56 estão assegurados pelo Governo federal. "O que aconteceu nos últimos dois anos foi que com o programa de biodiesel do Governo federal, as pessoas se sentiram estimuladas a comprar, mas na hora de vender não teve preço", esclarece.
O programa começa a empolgar agricultores. O agricultor Crisanto Soares Bezerra, 47, atualmente planta feijão e milho mas já se prepara para cultivar mamona em Quiterianópolis, no sertão dos Inhamuns, onde mantém uma pequena mercearia. "Meu pai também era agricultor e plantava mamona, mas depois todo mundo abandonou porque ninguém comprava", conta. No entanto, com o Programa do Biodiesel, Crisanto acha que retomar o cultivo da oleaginosa pode aumentar a renda. "Eu e meus irmãos vamos plantar mamona. O inverno está bom e já tem quem compre", diz.
Segundo Santana, a idéia é que a mamona tenha um plantio consorciado com o feijão, atuando, assim, como renda complementar, além de recuperar o desgaste do solo. O programa deve financiar ainda 57 agentes rurais para dar assistência técnica ao produtor. O secretário observa que de contrapartida o Estado exige que se use a semente selecionada, por ter uma qualidade melhor, além de fazer a correção de solo com aplicação de calcário. "Iremos fazer subsídio de 50% do calcário", reforça.
O convênio com Petrobras e Brasil Ecodiesel - as empresas que estão iniciando o processo de produção de biodiesel -, conforme Santana, já estão acertados, garantindo a compra da produção. A previsão da SDA é que 16 mil famílias sejam beneficiadas este ano. As intenções são boas, mas ainda há quem tema que a tal inclusão social não ocorra. Segundo o deputado federal Ariosto Holanda, é preciso atenção para garantir que o pequeno agricultor esteja realmente inserido no processo. "A minha luta está sendo pelo biodiesel como inclusão social, para que não siga o caminho do Proalcool, que foi um programa de exclusão, que só favoreceu os grandes usineiros", afirma.
De imediato, Santana afasta o risco. "Não vamos garantir incentivos para o grande (produtor). São os cadastrados no Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) e os agentes vão lá conferir se foi plantado", defende. O titular da SDA diz ainda que o programa está em fase de construção e precisa ser monitorado em toda sua extensão. Para ele, é momento de garantir que as empresas instaladas no Ceará utilizem matéria-prima totalmente produzida no Estado. "A cada momento vamos avaliando, fazendo as contas no lápis e acompanhando o caminho dos pequenos. Esse é o pontapé inicial, o jogo está começando e tínhamos que tomar essa decisão agora, porque não podíamos perder esse inverno", justifica.
Camille Soares
colaborou Wânia Caldas